NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Itália se une ao Reino Unido e Suécia no desenvolvimento de caça de última geração

O Ministério da Defesa Italiano formalizou oficialmente, durante a feira DSEI*, realizada em Londres, a participação no projeto de desenvolvimento do caça Tempest – aeronave de combate militar de nova geração. O país se une ao Reino Unido e à Suécia, que recentemente também aderiu ao projeto (em julho de 2019).  O anúncio marca a entrada dos 3 países na corrida armamentista pela criação de caças de “sexta-geração”, que irão substituir os mais modernos atualmente em produção (ditos de “quinta-geração”).

O caça Tempest será construído através de um consórcio de empresas formadas pelas britânicas BAE Systems e Rolls Royce, a Italiana Leonardo, e a MBDA (empresa multinacional de fabricação de mísseis e faz parte de uma joint-venture que conta com a participação da BAE Systems, Leonardo e Airbus). A Sueca SAAB trabalhará em cooperação no projeto, mas a expectativa é que seu papel possa aumentar consideravelmente no futuro. O projeto promete incluir capabilidades ultramodernas, como o uso de inteligência artificial, o controle remoto da própria aeronave (sem piloto) e a coordenação de ataque com frotas de drones (chamado de drone swarming – enxame de drones”). A Força Aérea Britânica estima que os caças estejam prontos para uso a partir de 2035.

Os três países não são as únicas potências a entrar na corrida pelo desenvolvimento de caças de “sexta-geração”. Os Estados Unidos possuem dois projetos, um capitaneado pela Marinha e outro pela Força Aérea, que possivelmente serão desenvolvidos pelas gigantes Boeing, Lockheed Martin e a Northrop Grumman. Os Russos, que estão próximos de começar a produção do caça de “quinta-geraçãoSukhoi Su-57, já trabalham com o projeto do caça de interceptação de “sexta-geraçãoMikoyan MiG-41. Os Chineses também estão na corrida, e já projetam o substituto de seu caça mais moderno, o Chengdu J-20.

Porém, o concorrente mais polêmico do projeto Tempest é o FCAS (Future Combat Air Systems), dirigido pelos Ministérios da Defesa da Alemanha, França e Espanha, e que está sendo desenvolvido pela francesa Dassault e Airbus (multinacional europeia). Apesar de diálogos para que o Reino Unido se unisse à iniciativa franco-alemã, o país desistiu da parceria e levou à frente a concepção do Tempest. A saída gerou crítica sobre as consequências de uma Europa dividida em relação aos dois projetos. O Ministério da Defesa Britânico declarou em julho (2019) que o país não se associou aos franceses e alemães devido ao fato de o programa não se encaixar aos objetivos estratégicos do país, mas, que, mesmo assim, o plano será de maximizar a interoperabilidade entre os distintos projetos. Vale lembrar que os países envolvidos tanto na concepção do FCAS como do Tempest são aliados estratégicos na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). 

Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019

Os dois projetos foram lançados em um momento incerto para o futuro da geopolítica europeia, com a saída do Reino Unido da UE. Isso pode gerar uma rivalidade desnecessária entre as potências do continente. Sobre o assunto, o presidente francês Emmanuel Macron declarou em junho, durante a Paris Air Show (Feira Aeronáutica internacional na França), que “a competição entre os Europeus quando ela ‘nos’ enfraquece contra os Americanos, os Chineses, é algo ridículo”. 

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Nota:

* DSEI: Defence and Security Equipment International – Defesa e Equipamentos de Segurança Internacional, é a maior feira da Europa e uma das principais do mundo para a Indústria de Defesa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O caça americano F35 e o chinês J20, exemplos de caças de quinta-geração já em produção” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:F-35A_flight_(cropped).jpg e https://commons.wikimedia.org/wiki/File:J-20_at_Airshow_China_2016.jpg

Imagem 2 “Protótipo do caça FCAS, em exibição na Paris Air Show 2019” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SCAF_-_Le_Bourget_2019.jpg

About author

MA em International Relations and Democratic Politics pela University of Westminster, Londres (2016-2017). Graduado em Relações Internacionais pelas Faculdades Integradas Rio Branco (2013). Reside a 5 anos na Inglaterra. Atualmente trabalha para a Comissão Aeronáutica Brasileira na Europa. Possui interesse na área de Integração Europeia, Política Exterior Brasileira e Cristianismo e Relações Internacionais.
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