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Jornal el Nuevo Herald acusa Venezuela de criar rede de inteligência na América Latina

O jornal el Nuevo Herald, sediado na Flórida (EUA), denunciou que o Governo venezuelano vem estabelecendo a anos uma rede de inteligência pela América Latina, com o fim de disseminar a ideologia bolivariana, a revolução, bem como exercer atividades de contrainteligência, treinando agentes para executar a tarefa de proselitismo e coleta de informações, as quais são passadas a Caracas que lhes retransmite de forma ordenada aos seus parceiros e aliados na região.

Conforme foi divulgado pelo articulista do jornal, Antonio María Delgado, “El chavismo conformó una vasta red de informantes y de operadores políticos que velan por los intereses de la Revolución Bolivariana dentro de Venezuela y en otros países de América Latina, en ocasiones promoviendo la ideología del Socialismo del Siglo XXI y en otras espiando para el régimen de Caracas[1].

Segundo aponta, há categorias de agentes que são treinados e financiados para diferentes tarefas e com graus variados de funções e hierarquia interna. Há os “Patriotas Cooperantes”, que tem a função de disseminar a ideologia revolucionária pela região. Eles são recrutados nos países, especialmente onde há um regime simpático ao de Caracas, e realizam tarefa dentro de missões sociais que os Governos destes países possam estar realizando para os seus povos.

Há os Agentes que trabalham realizando tarefas próprias de contrainteligência aplicadas à Oposição existente nesses países. Eles também tem a função de buscar informações sobre inimigos existentes e potencias do processo revolucionário nesses lugares, bem como informações sobre os inimigos da revolução bolivariana pela região.

A rede tem sido criada no vários países latino-americanos, segundo aponta o jornal, para fortalecer a posição política interna dos governos que são favoráveis ao bolivarianismo, ao chavismo, ou são aliados da Venezuela. Para tanto, Caracas tem destinado recursos visando fortalecer, organizar e aumentar a teia.

Na Venezuela, o núcleo mínimo é este Patriota Cooperante, chamado de Patriota Cooperante Bolivariano (PCB), que trata do proselitismo e da coleta de informações, havendo acima dele o chamado  Patriota Cooperante Medio (PCM), que é adestrado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) na atividade de inteligência e tem a função de recrutar e comandar os PCBs.

Conforme afirma o jornal, “Estos ciudadanos (PCM) son los que recibirían el curso dictado por el Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional, siendo dotados de equipos, herramientas, software y conocimientos para el control, adiestramiento y supervisión de los PCB y la información dada por estos[1], e também encarregados de “formar cada uno a 10 PCB [Patriotas Cooperantes Bolivarianos] (Relación 1/10), con los equipos, medios y herramientas necesarias para una efectiva y eficiente labor de información relevante, además de ser el primer filtro de la información que llegaría a escalas superiores, estableciendo las conexiones sociales a estudiar[1]. Tais informações sobre a estrutura interna da Red foi obtida em documentos supostamente adquiridos pelo el Nuevo Herald.

A denúncia é de que o mesmo sistema está espalhado por vários países da América Latina onde há interesse governamental venezuelano. Ou seja, haveria PCMs que recrutariam PCBs para fazer proselitismo, PCBs para fazer serviços de coleta, PCBs para trabalhos de apoio aos governos locais e PCBs para realizar serviços de contrainteligência aplicados aos opositores dos governos amigos, ou aos antagonistas da ideologia bolivariana.

As informações obtidas e disseminadas pelo periódico podem se tratar de uma ação de desinformação por parte do jornal, no entanto, o grupo de personalidades que tem ido à mídia para apresentar esta informação é grande e os casos de presenças de venezuelanos nos territórios de países vizinhos atuando de forma clandestina ou sem a devida comunicação é expressiva, tendo ocorrido um caso recente no Brasil, em que Ministro venezuelano entrou no país sem comunicar ao Ministério das Relações Exteriores Brasileiro e se reuniu como movimentos sociais no país, recebendo reprimendas do Brasil, já que tal ação pode ser caracterizada como ingerência da Venezuela nos assuntos internos brasileiros.

Observadores apontam que o fato divulgado pelo el Nuevo Herald apenas confirma informações que vinham sendo disseminadas de forma esporádica, mas sem a contundência de declarar que há uma estrutura, uma “Red”, que está montada e operando por toda a região.

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Imagem (Fonte):

http://2.bp.blogspot.com/-WfVW8scFiss/T4c6OTkP5tI/AAAAAAAAAEc/bG0fEQ8zoIc/s1600/espionaje3hd0.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://informe21.com:8080/el-nuevo-herald/nuevo-herald-el-chavismo-opera-red-latinoamericana-de-informantes

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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