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Jornalistas da Al-Jazeera ainda detidos no Egito

Na última quarta-feira, dia 19 de fevereiro, redes de agências de notícias assinaram em conjunto uma carta aberta ao Governo do Egito, defendendo a liberação de jornalistas da Al-Jazeera presos em dezembro de 2013, sendo elas a BBC, NBC, ABC, ITN e “Sky News”. Segundo o documento “… a ação do Egito é profundamente prejudicial ao futuro do jornalismo imparcial no país e suas ações são injustas e inaceitáveis[1]

Peter Greste, Mohammad Fahmy and Baher Mohammad são acusados de espalhar falsas notícias e de terem estabelecido ligação com organizações terroristas. Por organização terrorista, os governantes egípcios querem dizer a “Irmandade Muçulmana”, declarada como tal desde o dia 25 de dezembro do ano passado. O veículo de comunicação Al-Jazeera prossegue negando as acusações e demanda a libertação imediata de seus jornalistas.

Os acusados foram a julgamento ontem, quinta-feira, dia 20, tendo negado todas as incriminações ao início do processo, que foi adiado para o dia 5 de março. Além dos três jornalistas citados, outros foram presos e são mantidos em cativeiro no Egito, somando no total 20 profissionais. A “Al-Jazeera” afirma que nove dos acusados são parte do seu staff e estavam apenas reportando a situação no país[2].

Oito dos jornalistas acusados estiveram presentes no julgamento do dia 20 de fevereiro. Eles apareceram em celas de metal na sala do tribunal, dentro da “Prisão de Tora”, no Cairo. Peter Greste e Mohammad Fahmy apelaram aos Governos australiano e canadense por ajuda e ambos afirmaram que o Governo egípcio não informou quando o processo teria início, não dando tempo para que seus advogados preparassem a defesa. Segundo Fahmy, eles estão fisicamente bem, mas tudo está sendo psicologicamente insuportável[3].

Desde que as prisões ocorreram, profissionais do mundo inteiro têm organizado protestos demandando sua libertação e rejeitando as afirmações de que seus colegas de profissão possuam qualquer conexão com a Irmandade Muçulmana”, designada pelo Governo egípcio como um órgão terrorista. O caso é um dos muitos que gera críticas ao atual governo militar do país, dentre a falta de liberdade de expressão e a crescente intolerância à dissidência.

O Governo interino do Egito e seus apoiadores acusam as agências de notícias internacionais de serem tendenciosas em suas reportagens sobre abuso de “Direitos Humanos” contra os partidários do Presidente deposto, Mohamed Morsi, e contra dissidentes seculares. Se forem julgados culpados pelas acusações, os jornalistas da Al-Jazeera podem pegar de 5 a 15 anos de prisão.

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Imagem (Fonte):

http://www.ctvnews.ca/world/canadian-journalist-says-egypt-prison-conditions-psychologically-unbearable-1.1695376

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/mediacentre/statements/letter-peter-greste.html

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-26268692

[3] Ver:

http://www.cbc.ca/news/world/mohamed-fahmy-canadian-journalist-in-egypt-hears-charges-1.2544592

About author

Mestranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em Relações Internacionais Contemporâneas (PUC-Rio). Com foco em política no Oriente Médio, participou da “The Israeli Presidential Conference – Facing Tomorrow” - sob os auspícios de Shimon Peres - nos anos de 2011 e 2012, tendo realizado outros cursos na área em Israel.
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