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Juízes desistem de continuar com julgamento em relação aos réus da Irmandade Muçulmana no Egito

Juízes que iriam comandar o julgamento dos líderes da “Irmandade Muçulmana” a ser realizado na última quarta-feira, dia 11, no Egito, se recusaram a seguir com o procedimento, frente a interrupção gerada por parte dos acusados. Já é a segunda vez que algo do tipo acontece com o processo envolvendo as lideranças islamitas acusadas de violência e assassinato.

Desde a queda do Presidente deposto, Mohamed Morsi, as autoridades estabeleceram uma ofensiva à “Irmandade Muçulmana”. Centenas de componentes do grupo foram presos desde então e mais de mil morreram em choques com as “Forças de Armadas” durante passeatas que pediam a volta de Morsi[1].

Os três juízes desistiram de seguir com o julgamento depois que os acusados começaram a cantar contra o Judiciário. No dia 29 de outubro de 2013, outros três juízes desistiram do mesmo julgamento após a polícia falhar em trazer os réus ao Tribunal, alegando uma suposta falta de segurança no local.

Os acusados em questão são Mohammed Badie, líder do grupo, seus deputados Khairat al-Shater e Rashad al-Bayoumi e os membros seniores Saad Katatni e Mohammed al-Beltagi. Eles enfrentam acusações por incitar a morte de manifestantes pacíficos e tentativa de assassinatos. As denúncias se referem a uma manifestação ocorrida no Cairo, em 30 de junho deste ano (2013) contra a “Irmandade Muçulmana”, na qual mais de noventa pessoas ficaram feridas e outras nove perderam a vida. 

O juiz que presidia a Sessão, Mustafa Salama, interrompeu o processo quando os réus começaram a cantar frases como “abaixo o judiciário dos militares[2]. Quando o julgamento foi retomado, no entanto, o banco dos réus voltou a interromper com outras provocações, especialmente dirigidas ao “Chefe do Exército” egípcio, Abdel Fattah el-Sissi: “Sissi traidor, Sissi traidor[2].

Antes de deixar o Tribunal junto com os outros dois juízes presentes, Salama declarou ter pedido aos acusados que mantivessem a calma. Como eles não o fizeram, os juízes se retiraram, negando-se levar a Sessão a cabo. O advogado oficial da “Irmandade Muçulmana”, Mohammed al-Damati, declarou que os réus duvidam que irão receber um julgamento justo, independente da Corte que lidere o caso. Em uma breve declaração, ainda vestido com o uniforme branco da prisão, Mohammed Badie protestou contra as autoridades atuais, acusando-as de levar a cabo a continuação de um “Golpe de Estado” com a derrubada de Morsi, o primeiro Presidente eleito do país[3].

As tensões entre aIrmandade Muçulmanae o governo militar têm se intensificado e experimentado cada vez mais violência. Na última quarta-feira, dia 11, a polícia atirou gás lacrimogêneo pelo terceiro dia consecutivo em estudantes da “Universidade de Al-Azhar”, que se manifestavam em apoio a “Irmandade Muçulmana”. Na ocasião, 19 alunos foram presos.

O Reitor da “Faculdade de Engenharia da Universidade do Cairo”, onde também foram presos sete estudantes e ocorreram embates violentos, entregou sua demissão segundo o jornal “Al-Ahram”. De acordo com a notícia, a utilização do gás lacrimogêneo na última terça-feira, dia 10, o levou a tomar tal decisão, já que ele não tem como defender seus estudantes e propiciar para eles um ambiente de estudo seguro[4].

Desde as manifestações na “Praça Tahrir” pela queda do ex-presidente Hosni Mubarak, em janeiro de 2011, o Egito vem enfrentado sua época de maior violência interna. A população está altamente dividida. Parte pediu pela retirada de Morsi do governo em julho deste ano, acusando-o de abuso de poder e violência. Desde que o Exército depôs Morsi, no entanto, uma nova onda de violência, possivelmente ainda mais grave, teve início, já que muitos sentem que sua votação foi válida e a deposição do Presidente a frente da “Irmandade Muçulmana” representou um “Golpe de Estado”. O atual Governo, presidido por Adly Mansour, mantém uma política altamente repressiva em relação aos membros e aos apoiadores da Irmandade no Egito desde que assumiu o poder.

O país aguarda, agora, o Referendo para uma nova Constituição. Uma assembleia composta por 50 membros terminou o rascunho na semana passada e a data do Referendo deverá ser anunciada por Mansour no próximo sábado[5].

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Imagem (Fonte):

http://www.reuters.com/article/2013/12/11/us-egypt-brotherhood-trial-idUSBRE9BA10820131211

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/12/judges-resign-egypt-brotherhood-trial-20131211132359316107.html

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25338190

[3] Ver:

http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=250199225

[4] Ver:

http://weekly.ahram.org.eg/News/4907/17/–Campus-rebellions.aspx

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/12/11/us-egypt-brotherhood-trial-idUSBRE9BA10820131211

About author

Mestranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em Relações Internacionais Contemporâneas (PUC-Rio). Com foco em política no Oriente Médio, participou da “The Israeli Presidential Conference – Facing Tomorrow” - sob os auspícios de Shimon Peres - nos anos de 2011 e 2012, tendo realizado outros cursos na área em Israel.
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