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Laboratório da Samsung na Rússia na vanguarda dos “deepfake”

Em maio de 2019, o Centro de Inteligência Artificial da Samsung em Moscou apresentou ao mundo um novo software capaz de criar vídeos deepfakes* com apenas uma imagem. Trata-se de tecnologia pioneira, que faz uso de algoritmos que simulam os processos de aprendizagem e cognição do cérebro humano.

Embora a manipulação de vídeos e imagens exista há muito tempo, os “sistemas neurais” da inteligência artificial trabalham de maneira a tornar indistinguíveis a imagem original da imagem manipulada através do método comparativo: um “Gerador” cria uma versão de imagem e a apresenta ao “Discriminador”, que determina se ela é real ou falsa. A similitude dos deepfakes com a imagem real é medida conforme essa tecnologia perde a capacidade de detectar o que é real do que é forjado.   

Na ocasião da divulgação das capacidades de ponta na criação de deepfakes, a equipe da Samsung divulgou vários exemplos de retratos vivos usando apenas uma imagem pré-existente, inclusive a famosa pintura Mona Lisa. Apesar de surpreendente e um tanto falha (ainda), esta tecnologia provoca reflexão de especialistas e instiga análise de possíveis ameaças que advém com tais avanços, como fraudes, desinformação e adulteração de eleições.

Exemplos de aplicação da tecnologia deepfake Egor Zakharov

Egor Zakharov e os demais desenvolvedores do software estão cientes dos possíveis impactos de seu produto. Porém, consideram que essa tecnologia é uma espécie de democratização dos efeitos especiais, até então amplamente utilizados por Hollywood, e que mecanismos para apaziguar os efeitos negativos têm sido desenvolvidos. 

Uma conferência realizada no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em setembro deste ano (2019), contou com a ilustre presença do presidente Russo Vladimir Putin. Exceto que a figura em cena não era Putin, e sim uma criação de Hao Li, o maior artista de deepfakes do mundo. Li mostrou-se preocupado que a tecnologia está se desenvolvendo “mais rápido do que pensava”, e previu que em dois ou três anos, deepfakes serão perfeitos. Li alertou que “não haverá maneira de determinar se algo é real ou não, então temos que ter uma abordagem diferente”.

O site War on the Rocks atenta para a transformação de algoritmos em armas, como facilitadores de falsificação. Especialistas se manifestaram sobre as possíveis repercussões do uso indevido de deepfake para a segurança nacional/internacional, e o professor Henry Farid exemplifica: “o pesadelo de alguém criar um vídeo de Trump dizendo ‘Eu lancei armas nucleares contra a Coréia do Norte’”. O pânico e as consequências de tal disparate “viralizando” nas mídias são imensuráveis.

Caso as previsões de Hao Li estejam corretas, os mecanismos de combate ao mal-uso da tecnologia deepfake apontados por Egor Zakharov devem estar à altura (e as legislações e regulamentos prontos a recebê-los).    

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Nota:

* Deepfake: Mistura dos termos “deep learning” (aprendizado profundo) e “fake media” (mídia falsa) é uma técnica de manipulação de imagem por Inteligência Artificial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Códigos de Computação” (Fonte S. Hermann & F. Richter de Pixabay): https://pixabay.com/users/pixel2013-2364555/?utm_source=link-attribution&utm_medium=referral&utm_campaign=image&utm_content=4031973

Vídeo 1Exemplos de aplicação da tecnologia deepfake Egor Zakharov” (Fonte): https://www.youtube.com/watch?v=p1b5aiTrGzY

About author

Mestranda em Estudos Internacionais no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. Foi delegada brasileira da Juventude na 16ª Cúpula de Prêmios Nobel da Paz. Morou na Irlanda, certificou-se professora de inglês, e mudou-se para Lisboa, onde estagiou para o Instituto para Promoção da América Latina e Caribe e trabalhou para a Wall Street English. Áreas de interesse são sustentabilidade, policy-making, peacekeeping, intel e pesquisa.
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