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ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Laudato Si’, a Encíclica do Papa Francisco sobre a Criação

O Vaticano deu a conhecer, na manhã do dia 18 de junho, através de uma conferência de imprensa, a segunda Encíclica do Papa Francisco, Laudato SiLouvado Sejas[1] , cujo título foi diretamente inspirado em um poema de São Francisco[2]. Durante a Oração do Angelus, no domingo que antecedeu a divulgação da Encíclica, o Sumo Pontífice convidou os fiéis a rezar “para que todos possam receber a sua mensagem e crescer na responsabilidade para com a casa comum que Deus nos confiou[3]. Neste documento sobre a criação, que se inscreve no magistério social da Igreja, nós estamos, de acordo com as palavras do próprio Papa, ante uma “reflexão, jubilosa e ao mesmo tempo dramática[4] que medita, e aponta soluções, acerca da “dívida ecológica[5] contraída para com o nosso planeta. A Encíclica compõe-se de seis capítulos: O que está a acontecer à nossa casa; O Evangelho da criação; A raiz humana da crise ecológica; Uma Ecologia integral; Algumas linhas de orientação e ação; Educação e espiritualidade ecológica.

O documento, que aborda a crise ecológica mundial, também constitui a denúncia de um estilo de vida, crescentemente globalizado, que se edificou a partir do domínio tecnológico do mundo e da vida. Logo ao abrir o texto, Francisco esclarece: “à vista da deterioração global do ambiente, quero dirigir-me a cada pessoa que habita neste planeta. Na minha exortação Evangelii gaudium, escrevi aos membros da Igreja, a fim de os mobilizar para um processo de reforma missionária ainda pendente. Nesta encíclica, pretendo especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum[6], a Terra. Num entendimento holístico do mundo e do ser humano, o Papa frisa que “o ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social[7].

Os últimos Pontificados tiveram intervenções significativas no âmbito do meio ambiente. Foi assim que João XXIII publicou, em 1963, a Carta Encíclica Pacem in Terris; o Beato Paulo VI proferiu, em 1970, o Discurso à FAO, no seu XXV Aniversário e, no ano seguinte, deu a conhecer a Carta Apostólica Octogesima Adveniens; o Santo João Paulo II, durante seu longo Pontificado, publicou, em 1979, a Carta Encíclica Redemptor Hominis, a Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, de 1987, e a Carta Encíclica Centesimus Annus, de 1991, tendo se referido ao meio ambiente na Catequese (17.01.2001), no jornal LOsservatore Romano (20.01.2001, edição portuguesa), nos Insegnamenti (24.01.2001); o Papa Bento XVI focou suas preocupações em relação ao meio ambiente no Discurso ao Corpo Diplomático Acreditado junto da Santa Sé (2007), no Discurso ao Clero da Diocese de BolzanoBressanone (2008), na Carta Encíclica Caritas in Veritate (2009) e, também, no Discurso ao Bundestag (2011). Agora, Laudato Si’ integra o meio ambiente na multidimensionalidade da vida e da fé, fato que levou o jornal espanhol El País a considerar Francisco como o “novo teólogo da Terra[8].

Se Laudato Si pretende constituir-se como documento reflexivo para os católicos, “não podemos ignorar que, também fora da Igreja Católica, noutras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa sobre estes temas que a todos nos estão a peito[9]. O ponto de partida, para o Papa, é, na presente Encíclica, São Francisco, que “é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade[10]. Numa visão integrada da imanência e da transcendência, em São Francisco, sublinha o Papa, “nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior[11].

O Papa salienta o fato de Laudato Si’ ser uma reflexão criacionista. O 2.º capítulo se intitula, precisamente, “O Evangelho da criação”. Nele, Francisco começa por afirmar: “Não ignoro que alguns, no campo da política e do pensamento, rejeitam decididamente a ideia de um Criador ou consideram-na irrelevante, chegando ao ponto de relegar para o reino do irracional a riqueza que as religiões possam oferecer para uma ecologia integral e o pleno desenvolvimento do gênero humano[12]. No entanto, se a fé e a ciência constituem dois modos de entender o mundo e a vida, elas não são, necessariamente, conflitantes entre si. Deste modo, escreve o Papa, “deveremos reconhecer que as soluções não podem vir duma única maneira de interpretar e transformar a realidade[13] pelo que, além da fé e da ciência, urge viabilizar o recurso “às diversas riquezas culturais dos povos, à arte e à poesia, à vida interior e à espiritualidade[14]. Ainda assim, Francisco não se esquece de frisar a necessidade de espiritualidade guiada pela referência maior, Deus. Deste modo, o responsável máximo da Igreja Católica coloca o dedo na ferida do espiritualismo difuso: “Não podemos defender uma espiritualidade que esqueça Deus todo-poderoso e criador. Neste caso, acabaríamos por adorar outros poderes do mundo, ou colocar-nos-íamos no lugar do Senhor chegando à pretensão de espezinhar sem limites a realidade criada por Ele[15]. Para que tal não venha a ocorrer, recomenda o Papa, “a melhor maneira de colocar o ser humano no seu lugar e acabar com a sua pretensão de ser dominador absoluto da terra, é voltar a propor a figura de um Pai criador e único dono do mundo[16], uma vez que, sem margem para dúvidas, “o amor de Deus é a razão fundamental de toda a criação[17].

A racionalidade tecnológica que, ao longo dos últimos séculos, tem dominado a construção dos saberes mas, também, a construção do mundo, é abertamente denunciada pelo Papa, que a considera redutora, insuficiente e, até, perigosa. Com efeito, “uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exactas ou da biologia e nos põem em contacto com a essência do ser humano[18]. Se, em contrapartida, “deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos[19]. Daqui, o apelo do Papa Francisco: “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projecto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado[20].

No âmbito das inquietações setoriais no contexto da crescente destruição planetária, o Papa centra suas preocupações nos dados causados pela poluição, a nível global. Assim, escreve o responsável máximo da Igreja Católica, a poluição “afecta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, insecticidas, fungicidas, pesticidas e agro-tóxicos em geral[21]. Atualmente, é preciso lembrarmos, “a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros[22]. Por outro lado, temos, em Laudato Si, a advertência nítida para aquilo que pode esperar a Humanidade em tempos não muito distantes dos nossos: “As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo actualmente um dos principais desafios para a humanidade. Provavelmente os impactos mais sérios recairão, nas próximas décadas, sobre os países em vias de desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente afectados por fenómenos relacionados com o aquecimento, e os seus meios de subsistência dependem fortemente das reservas naturais e dos chamados serviços do ecossistema como a agricultura, a pesca e os recursos florestais[23]. O Papa frisa: “É trágico o aumento de emigrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental, que, não sendo reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais, carregam o peso da sua vida abandonada sem qualquer tutela normativa[24]. A par deste conjunto de situações aviltantes, segundo o Sumo Pontífice, “verifica-se uma indiferença geral perante estas tragédias, que estão acontecendo agora mesmo em diferentes partes do mundo. A falta de reacções diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil[25].

A Encíclica faz eco das discussões sobre o meio ambiente, no seio da Igreja Católica, ao longo dos últimos 50 anos, dando voz aos textos publicados ao longo das últimas três décadas por diferentes Conferências ou Comissões Episcopais. Hans Joachim Schellnhuber, cientista do Ambiente, fundador do Potsdam Institute for Climate Impact Research e Presidente do German Advisory Council on Global Change, defende que, em Laudato Si, o “Papa Francisco destaca a dimensão ética do problema do clima e fornece princípios fundamentais que devem ser aplicados como soluções: a opção preferencial pelos pobres, a justiça inter e intrageracional, a responsabilidade comum, mas diferenciada, a orientação para o bem comum[26]. Por outro lado, preconizou o cientista, “a Encíclica defende uma estrutura de governança global para todo o espectro planetário[27]. Cabe salientar que, dois dias após a publicação desta Carta Encíclica do Papa Francisco, um estudo de pesquisadores das Universidades Nacional Autônoma do México, de Stanford, da Califórnia (Berkeley), de Princeton e da Flórida aponta a seguinte evidência acerca do ponto sem retorno da Natureza: “a taxa média de perda de espécies de vertebrados no último século é de até 114 vezes mais elevada do que a taxa de fundo[28], pelo que “o número de espécies, que se extinguiu no século passado, teria demorado […] entre 800 e 10.000 anos a desaparecer. Estas estimativas revelam uma perda excepcionalmente rápida da biodiversidade ao longo dos últimos séculos, indicando que uma sexta extinção em massa já está em andamento[28].

Laudato Si plasma o que, de mais significativo, em termos de estudos na área ambientalista, se tem escrito ultimamente. Ainda assim, as críticas ao texto do Papa Francisco por parte de conservadores e ambientalistas céticos não se fizeram esperar, mesmo antes de sua publicação. Rush Limbaugh, comentarista político dos Estados Unidos, acusou o Papa de adotar uma “maneira comunista de fazer as coisas: controlando a Humanidade através de… governos apoiados pela Polícia ou pelo poder militar[29]. Para o Heartland Institute, um grupo conservador cético quanto à ocorrência de alterações climáticas, “o Papa está colocando sua autoridade moral por trás da agenda ambiental radical da Organização das Nações Unidas – e ele está fazendo isso depois de lhe ter sido contada apenas uma parte da história climática[30], afirmou Jim Lakely, porta-voz do Heartland Institute. Contudo, Janos Pasztor, Assistente do SecretárioGeral das Nações Unidas para a mudança climática, declarou: “‘Laudato Si’’ é longa em lamentos e curta em soluções específicas, embora o Papa peça repetidamente profunda reflexão e diálogo para resolver os sintomas complexos que agora assolam o planeta. Em traços gerais, Francisco apela para uma mudança drástica no ‘estilo de vida, produção e consumo’ de hábitos insustentáveis para meios mais conscientes de cuidar de ‘nossa casa comum’[31]. No entanto, adiantou Pasztor, “ter uma pessoa tão importante como o Papa falando sobre esta questão vai atingir muitas pessoas […] em um momento crucial[32].

A Encíclica Laudato Si foi publicada alguns meses antes da Cimeira da ONU sobre o meio ambiente, que terá lugar em Paris, no próximo mês de dezembro. As possibilidades de que não haja um acordo significativo sobre o clima são elevadas, pelo que a responsabilidade do Papa Francisco, ao intervir neste debate global de maneira adequada[33], é grande. De acordo com LOsservatore Romano, a Encíclica Laudato Sié um documento longo, por vezes poético e comovedor, que mostra muito bem a novidade radical – que vai às raízes, ou seja, ao essencial da fé – do Papa Francisco, em evidente continuidade com a tradição cristã e com os seus predecessores[34]. O Pontificado de Francisco é, na verdade, desde seu início, uma aposta por aqueles que menos têm, por aqueles que menos podem e, também, por aqueles que, socialmente, têm menor consideração por parte dos poderosos. Ao dedicar Laudato Si à casa comum de todos nós, a Terra, o Papa Francisco acaba de dar mais passo no sentido de sua afirmação como “líder mundial não somente espiritual, mas também social e até mesmo político[35].

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Imagem Carta Encíclica Laudato Si, edição Paulus EditoraEdições Loyola Jesuítas. Capa” (Fonte):

Biblioteca particular.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

Cf. PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica Laudato Si’ do Santo Padre Francisco sobre o Cuidado da Casa Comum, Vaticano, Libreria Editrice Tipografia Vaticana, 2015, 192 págs.

No Brasil, duas editoras deram a conhecer a Encíclica: PAPA FRANCISCO, Laudato Si’. Sobre o Cuidado da Casa Comum, São Paulo, Paulinas, 2015, trad. do italiano, 197 (3) págs.; FRANCISCO, Laudato Si’. Louvado Sejas. Sobre o Cuidado da Casa Comum, São Paulo, Paulus Editora – Edições Loyola Jesuítas, 2015, trad. do italiano, 142 págs.

A versão online do documento, em português europeu, está disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html

[2] Ver:

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e ervas.”, SÃO FRANCISCO, Cântico do Irmão Sol ou Louvores das Criaturas, in (Org. e trad. de Frei Celso Marcio Teixeira), Escritos de…, 4.ª ed., Brasília – Petrópolis, Família Franciscana do Brasil – Editora Vozes, 2013, pág. 47.

[3] Ver:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/uma-mensagem-para-todos

Utilizaremos, ao longo deste trabalho, a edição portuguesa da Libreria Editrice Vaticana. No final de cada citação de Laudato Si indicaremos, entre parêntesis retos, o parágrafo ao qual corresponde o texto por nós citado.

[4] Ver:

PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica Laudato Si’…, op. cit., pág. 184 [246].

[5] Ver:

Id., ib., págs. 40 e 42 [51 e 52].

[6] Ver:

Id., ib., pág. 4 [3].

[7] Ver:

Id., ib., pág. 37 [48].

[8] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/18/opinion/1434646702_451528.html

[9] Ver:

PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica Laudato Si’…, op. cit., págs. 7-8 [7].

[10] Ver:

Id., ib., pág. 10 [10].

[11] Ver:

Ibidem.

[12] Ver:

Id., ib., pág. 49 [62].

[13] Ver:

Ibidem.

[14] Ver:

Ibidem.

[15] Ver:

Id., ib., pág. 60 [75].

[16] Ver:

Ibidem.

[17] Ver:

Id.; ib., pág. 61 [77].

[18] Ver:

Id., ib., pág. 10 [11].

[19] Ver:

Id., ib., pág. 11 [11].

[20] Ver:

Id., ib., pág. 12 [13].

[21] Ver:

Id., ib., pág. 19 [20].

[22] Ver:

Ibidem.

[23] Ver:

Id., ib., págs. 21-22 [25].

[24] Ver:

Id., ib., pág. 23 [25].

[25] Ver:

Ibidem.

[26] Ver:

http://en.radiovaticana.va/news/2015/06/18/climate_scientist_encyclical_laudato_si_mirrors_science/1152390

[27] Ver:

http://en.radiovaticana.va/news/2015/06/18/climate_scientist_encyclical_laudato_si_mirrors_science/1152390

[28] Ver:

Gerardo Ceballos, Paul R. Ehrlich, Anthony D. Barnosky, Andrés García, Robert M. Pringle & Todd M. Palmer, “Accelerated Modern Human–Induced Species Losses: Entering the Sixth Mass Extinction”, Sciences Advances, 2015; 1: e1400253, 19.06.2015.

Disponível online:

http://advances.sciencemag.org/content/1/5/e1400253

[29] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/06/18/world/pope-francis-climate-technology-encyclical/index.html

[30] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/06/18/world/pope-francis-climate-technology-encyclical/index.html

[31] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/06/18/world/pope-francis-climate-technology-encyclical/index.html

[32] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/06/18/world/pope-francis-climate-technology-encyclical/index.html

[33] Ver:

http://elpais.com/elpais/2015/06/19/opinion/1434738967_147417.html

[34] Ver:

http://www.osservatoreromano.va/pt/news/em-dialogo-com-todos

[35] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/18/opinion/1434646702_451528.html

About author

É Licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto (Portugal) e Doutor em Filosofia pela Universidade de Évora (Portugal). Professor Associado da Universidade de Évora, reside em Curitiba desde início de 2012, onde é Professor na Faculdade São Braz e na Faculdade Inspirar. É autor de doze livros e mais de cem artigos científicos nas áreas da Ética, Filosofia da Educação e Filosofia Social e Política.
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