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A lógica do ISIS no ataque a Barcelona

O ataque terrorista reivindicado pelo Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla em inglês) em uma zona turística da cidade de Barcelona, na Espanha, reforça o caráter seletivo no que refere aos alvos escolhidos, mas, complementarmente, a natureza indiscriminada, imprevisível e arbitrária das ações, ressaltando-se a gravidade dos atos e consequências, bem como o caráter de anomia que deseja implantar, características próprias desse fenômeno, sempre presentes quando se trata de uma ação terrorista com viés religioso. Reforçando essas características, observa-se o lugar em que ocorreu: numa das ruas mais tradicionais e de maior movimento da cidade, em pleno verão europeu, resultando na morte de mais de uma dezena de pessoas e deixando uma centena de feridos, de 18 nacionalidades.

Caminho percorrido pela van na Rambla

Na tessitura atual, ataques com veículos e facas, como aconteceram em Nice e em Berlim no ano passado (2016), em Estocolmo, no mês de abril deste ano (2017), e mais recentemente em um dos cartões postais de Londres, bem como as formas de recrutamento, precipuamente originárias a partir da internet, evidenciam uma nova configuração e pode ser considerada a tendência futura dos próximos eventos, tendo em vista a facilidade e a menor complexidade e custos no suporte operativo e logístico.

Mesmo que a Espanha não participe diretamente da Força de Coalizão liderada pelos EUA atuante no combate ao ISIS no Oriente Médio, há duas semanas, de acordo com Rita Katz, do grupo de inteligência SITE, simpatizantes da organização terrorista lançaram apelos nas redes sociais para atos em território espanhol, e apoiadores ameaçaram o país pedindo por ataques e a reconquista de al-Andalus, nome dado à Península Ibérica no século VIII, durante o domínio do califado Omíada. Ademais, as forças de segurança espanhola têm sistematicamente desenvolvido operações policiais contra células terroristas e redes de recrutamento em atividade no país. Inclusive, em abril deste ano, suspeitos de ligação com os atentados de Bruxelas, na Bélgica, foram presos em Barcelona.

O terrorismo como uma forma de guerra irregular, ou guerra de 4º geração, como muitos autores defendem, se tornou muito adaptável e resiliente, e é provavelmente a ameaça mais persistente do início do século XXI, devido ao seu rendimento relativamente alto e o baixo custo. O que se percebe ao analisar o ISIS é a presença de uma flexibilidade operacional e financeira muito significativa. Compreender a verdadeira natureza desse fenômeno é o primeiro passo para vencer tal ameaça. Comprometimento em longo prazo, posicionamento político imediato e a não subestimação do terrorismo são os principais desafios dos governos para que admitam a verdadeira natureza do problema, anteriormente ao acontecimento dos ataques.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Homenagem aos mortos no atentado” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:2017_Barcelona_attack#/media/File:Condol_BCN_04.png

Imagem 2Caminho percorrido pela van na Rambla” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Atentados_del_17_de_agosto_en_Barcelona_y_Cambrils#/media/File:Spain.Barcelona.Les.Rambles.Terrorist.Attack.png

About author

Major da Brigada Militar do RS com 19 anos de serviço ativo, sendo 07 anos como Assessor de Inteligência da Agência Central de Inteligência da Brigada Militar do RS. Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do RS e Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Diplomado em Terrorismo e ContraInsurgência e em Combate ao Crime Organizado Transnacional e as Redes Ilícitas das Américas pelo Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa William J. Perry da Universidade de Defesa Nacional dos EUA. Negociador Policial. Observador Policial/United Nations Police (UNPol) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no ano de 2008. Atualmente exerce a função de Chefe da Secretaria Executiva do Chefe do Estado Maior da Brigada Militar do RS.
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