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Lúcifer: a maior onda de calor na Europa, em décadas

Poucos meses depois da saída dos Estados Unidos do Protocolo de Paris – que colocou em risco toda a agenda de meio ambiente mundial – o câmbio climático mostra sua face mais dura e castiga onze nações da Europa, levando vários países a decretar estado de alerta devido a temperaturas superiores a 40ºC e a registrar diversos incêndios e mortes relacionadas às temperaturas extremas.

O sul e leste europeus foram as regiões mais afetadas pela onda de calor apelidada de Lúcifer. Em cidades do interior da Espanha a temperatura superou 45ºC, em Bucareste a temperatura passou dos 42ºC, provocando a morte de duas pessoas. Até mesmo a Suíça chegou a registrar temperaturas superiores aos 36ºC, algo não muito comum no país alpino, nem mesmo no verão.

Campanha anti-incêndios da Espanha

O continente Europeu é basicamente dominado por três grandes áreas de influência climática, o clima mediterrâneo ao sul, o continental na região central e o nórdico na região septentrional, embora cada país tenha suas próprias condições devido ao relevo do continente. Com o aumento da temperatura global, a influência das massas de ar seco vindas do continente africano está modificando drasticamente o clima na região. As oscilações térmicas entre inverno e verão são cada vez maiores e as estações menos definidas, o que afeta a Europa de diversas formas, dentre as quais podemos destacar o impacto na produção agrícola, a demanda de energia e recursos hídricos, e também a saúde dos cidadãos, pois cabe lembrar que uma importante parcela da população europeia supera os 70 anos. Além disso, Espanha, Portugal, Itália e Grécia enfrentam queimadas por quase todo o território.

Este aumento das temperaturas e mudanças nas estações são detectados ao longo de todo o planeta. O desmatamento, a produção agrícola e industrial, além de outras atividades frutos da ação humana, são as principais causas da aceleração do câmbio climático.

Países como Brasil, Índia e Estados Unidos sofreram recentemente com grandes períodos de estiagem em seus principais polos urbanos. Na África, o aumento das temperaturas está promovendo um avanço da desertificação dos solos e uma redução dos recursos hídricos, afetando não somente a vida selvagem, mas também levando milhões de pessoas a morte.

Certo é que muitos países avançaram nos últimos 10 anos em políticas de conservação e redução do impacto ambiental, porém a crise econômica e/ou política  que enfrentam algumas nações levaram este tema para um segundo plano, havendo importantes retrocessos, tais como o aumento do desmatamento no Brasil, mudanças na política de solos na Espanha, desmarcação de territórios na África etc.

Para a Europa, liderar a agenda de meio ambiente mundial pode significar não somente na redução do impacto no câmbio climático na região, mas também uma forma de aumentar sua liderança no cenário internacional, transformando-se no Messias que destrói a Lúcifer. Para tanto, os países da União Europeia investiram em: ampliar sua matriz energética renovável; reduzir as emissões de poluentes; estimular modelos produtivos com menor geração de resíduos e promover a conscientização social.  Essa transformação pode levar o continente a liderar diversos dos setores que compõe a chamada 4ª revolução industrial e, juntamente com a China, se transformar em um polo inovador gerador de uma indústria cada dia mais verde e sustentável.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de calor Lúcifer” (Fonte):

https://metrouk2.files.wordpress.com/2017/08/pri_48589796.jpg?w=748&h=861&crop=1

Imagem 2Campanha antiincêndios da Espanha” (Fonte):

https://www.tiempo.com/ram/wp-content/uploads/2017/06/00_mapama3.jpg

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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