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Maduro estimula que trabalhadores tomem as empresas privadas

No sábado passado, dia 9 de agosto, o presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou durante o evento de instauração do I Congreso de Trabajadores Socialistas que os trabalhadores devem tomar com o “a Lei nas Mãos” (“con la ley en la mano”)[1] as empresas cujos proprietários façam aquilo que ele considera “abandono”. Em suas palavras, cabe aos trabalhadores “recuperar las empresas que la burguesía abandone[1].

O argumento do Presidente transita em identificar as empresas que o Regime considera como responsáveis pela situação de desabastecimento no país, bem como culpa como responsáveis pela crise econômica e pela inflação. Da perspectiva governamental, os empresários realizam uma “guerra econômica[1] contra o Executivo, retirando produtos das prateleiras, cobrando preços que eles consideram abusivos (que chama de “usura[1], gerando, por isso, a inflação que o país sofre) e não realizando investimentos adequados.

Conforme entende, isso se dá com o intuito voluntário e explícito de desestabilizar o Governo[1], razão pela qual se justifica a tomada das empresas pelos seus funcionários (trabalhadores). Conforme afirma Maduro, “Aquel que se sume a la guerra económica de una u otra manera, los trabajadores con la ley en la mano deben tomar esa unidad productiva (…) y ponerla a funcionar[2].

Para parte expressiva dos observadores, a declaração do Mandatário está de acordo com a pretensão do Regime de acelerar o processo de implantação definitiva do socialismo no país, estatizando as empresas privadas pelos métodos que forem possíveis, dentre eles encampando-as e desapropriando-as de acordo com a intenção conjuntural e interpretação pessoal do Governo.

Respaldando esta percepção dos analistas, chamou atenção a expressão “con la ley en la mano[2], algo que não foi desenvolvido pelo Presidente em sua declaração,  mas que ficou claro que serão usados três passos para esta atuação: a primeira diz respeito à identificação das empresas que serão enquadradas como realizadoras da “guerra econômica[1], sobre as quais e aplicarão as legislações disponíveis e criadas ad hoc para desapropriá-las; o segundo passo, que essas empresas serão ocupadas pelos trabalhadores, permitindo que não seja encerrada a produção nas mesmas, os quais devem se reunir e definir o processo de administração, começando a organizar o procedimento a partir de agora; terceiro, que o Governo fará os investimentos necessários nessas empresas para dar suporte aos trabalhadores que as ocuparem.

Analistas apontam que esta estratégia vem sendo trabalhada previamente, tanto que o Presidente afirmou claramente, ao estimular os trabalhadores das empresas que as ocupem, que o Governo fará os investimentos necessários quando elas forem encampadas. Declarou: “Cuenten con la inversión necesaria para seguir avanzando en eso[2]. Para os observadores, este discurso vem em reforço à perspectiva de que haverá mais violência e repressão no país.           

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Imagem (Fonte):

Wikipedia                                                          

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://murciaeconomia.com/not/27744/maduro-invita-a-los-trabajadores-a-tomar-las-empresas/

[2] Ver:

http://ver.bo/index.php/mundo/item/3304-nicolas-maduro-las-empresas-que-esten-contra-el-gobierno-deben-ser-tomadas-por-los-trabajadores

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Ver também:

http://www.ntn24.com/video/maduro-vuelve-a-atacar-empresas-privadas-21753

Ver também:

http://colarebo.wordpress.com/2014/08/10/video-en-cucuta-alla-estan-todos-los-productos-venezolanos-que-tu-no-encuentras/#more-87796

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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