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Mais um Lobo Solitário e o Estado Islâmico efetuaram atentados na África, Europa e Oriente Médio

No dia 26 de junho de 2015, em três ataques que deixaram pelo menos 64 mortos, atentados terroristas atingiram a África, a Europa e o Oriente Médio. França, Kuweit e Tunísia foram os alvos dos crimes. O Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria de dois dos três ataques ocorridos[1].

Um homem foi decapitado e várias pessoas ficaram feridas na ação contra uma fábrica perto da cidade de Lyon, na França. O Presidente do país, François Hollande, disse que o ocorrido tinha “todos os traços de um ataque terrorista[2]. Segundo autoridades, o atentado começou quando dois homens invadiram, de carro, uma fábrica de produtos químicos, que fica em Saint-Quentin-Fallavier. Várias explosões foram ouvidas em seguida. O homem decapitado foi encontrado com palavras em árabe inscritas em seu corpo; uma bandeira islâmica foi encontrada perto do local. As palavras em árabe foram escritas na cabeça da vítima.

O ministro do interior francês Bernard Cazeneuve chegou ao local e informou que o suspeito detido já tinha sido investigado entre 2006 e 2008. Cazeneuve afirmou acreditar o suspeito se chamava Yassine Salhi. “Esta pessoa estava sendo investigada por radicalização, mas esta investigação não foi renovada em 2008. Ele não tinha antecedentes policiais[2], afirmou. O primeiroministro francês Manuel Valls ordenou um aumento na segurança na região em torno de Lyon. O ataque vem cerca de seis meses depois da série de atentados em Paris e arredores cometidos por extremistas islâmicos, que mataram 17 pessoas[2].

O grupo autodenominado Estado Islâmico assumiu a autoria da ação em uma praia na Tunísia que deixou 38 mortos. Entre os mortos, estão britânicos, franceses, alemães, belgas e tunisianos. O atirador responsável pelo ataque na cidade turística de Sousse foi morto. Ele foi identificado como o estudante Seifeddíne Rezguí e não era conhecido pelas autoridades.

Autoridades de segurança disseram que o autor estava vestido como um banhista e carregava um rifle sob um guarda-sol. Ele iniciou os disparos na praia antes de entrar num hotel, onde continuou a atirar. O primeiroministro tunisiano Habíb Essíd anunciou uma Operação de Segurança, que incluirá o fechamento de 80 mesquitas acusadas de “espalhar propaganda e veneno para promover terrorismo[3]. O Governo agirá contra partidos e grupos “agindo fora da Constituição[3], disse o Premiê, o que poderá incluir o fechamento de tais organizações. Além disso, reservistas do Exército serão enviados a locais históricos e turísticos.

O Estado Islâmico disse que o local atacado era um “antro do vício[3]. O atirador foi identificado com o “nome de guerra” de Abu Yahya alQayrawani. Perfis em redes sociais próximas ao grupo mostraram fotos dele. O EI tem pedido a seus seguidores que “intensifiquem ataques durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã[3]. Este foi o “maior ataque na história recente da Tunísia[3], e o segundo do Estado Islâmico a turistas desde março, quando militantes mataram 22 pessoas, incluindo 19 europeus, no Museu Bardo, na capital Tunis. O turismo é um dos pilares da economia tunisiana e responde por cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) local. Em 2014, 6,1 milhões de turistas foram ao país[3].

Também uma explosão em uma mesquita xiita do Kuwait, durante a oração, causou a morte de pelo menos 25 pessoas. Mais de 200 ficaram feridas, segundo o Ministério do Interior. A explosão aconteceu na mesquita de Al Imam al Sadeq, na capital Kuwait. O grupo jihadista sunita Estado Islâmico reivindicou este atentado, assim como já fez em outros casos de ataques contra mesquitas xiitas na Arábia Saudita e no Iêmen.

Em um comunicado, a Província de Najd, que se manifestou recentemente como a facção saudita do EI, afirmou que um “camicase” (alguém que se suicida em ataque a um inimigo), Abu Suleiman al Muwahhid, realizou o atentado contra uma mesquita “que promovia o ensinamento xiita entre a população sunita[4]. A Província de Najd reivindicou em maio dois atentados contra xiitas na Arábia Saudita. No final de maio, o emir do Kuwait Sabah IV Ahmad AlJaber Al-Sabah pediu aos países muçulmanos que intensifiquem a luta contra o extremismo, durante uma conferência pan-islâmica dedicada a coordenar os esforços contra os grupos jihadistas[4].

A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou os ataques como “terroristas” e “espantosos[5]. O SecretárioGeral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que espera que os responsáveis pelos atos sejam “rapidamente levados ante a justiça[5]. Posicionamento semelhante teve a Casa Branca. Em comunicado, o Governo dos Estados Unidos prestou solidariedade aos familiares das vítimas. “Nossos pensamentos e orações estão com as vítimas desses ataques atrozes, seus entes queridos e as pessoas desses três países[5], diz o texto. Os presidente americano Barack Obama e o presidente russo Vladimir Putin defendem que os dois países se unam para deter o Estado Islâmico. Em decorrência dos atentados, especialmente o ocorrido em território francês, os governos de Espanha e Itália elevaram de “médio” a “alto” o alerta antiterrorista em seus países[5].

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Imagem  (Fonte):

http://edition.cnn.com/2015/06/27/africa/tunisia-terror-attack/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://ceiri.news/o-terrorismo-e-a-seguranca-publica-nas-grandes-cidades-pelo-mundo-depois-do-caso-sydney/

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/28/french-terrorism-suspect-took-selfie-with-slain-victim

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/28/tunisia-attack-uk-security-force-tourist-resorts

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-33303795

[5] Ver:

http://www.channelnewsasia.com/news/world/un-chief-us-condemn/1943722.html

About author

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).
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