A “resistência antimicrobiana”* tem como principais causas a automedicação e o uso indevido de antibióticos e outros medicamentos. Nesse sentido, caracteriza-se o fenômeno pelo desenvolvimento de superbactérias em que os medicamentos se tornam limitados no combate das doenças.

Outros fatores associados ao agravamento da referida resistência em âmbito mundial são: programas de prevenção e controle de infecção inexistentes ou insuficientes; baixa qualidade de medicamentos; vigilância inadequada e regulação insuficiente quanto ao uso de antimicrobianos. Estima-se que, a cada ano, 700.000 pessoas morram em decorrência de cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns** presentes em casos como HIV, tuberculose e malária.

Profissionais de saúde. Foto: ANVISA

Para enfrentar essa situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em 2015, o Plano de Ação Global em Resistência a Antimicrobianos. Neste documento, sintetiza-se a abordagem de uma “Saúde Única” (One Health) por orientar o envolvimento multissetorial para o enfrentamento ao problema global.

As frentes de atuação deste plano são: conscientizar a sociedade e os profissionais sobre o uso adequado de antimicrobianos; promover melhores condições de saneamento básico; incentivar a descoberta de vacinas, novos antimicrobianos ou alternativas terapêuticas; e desenvolver pesquisas para melhor entender esses micro-organismos e sua distribuição no país.

Além do risco de aumento da mortalidade em função da ineficácia medicamentosa, os impactos indiretos relacionam-se, especialmente, às perdas econômicas por conta da queda de produtividade global. Estima-se, desta forma, um prejuízo de 100 trilhões de dólares (387 trilhões de reais) até 2050.

Na América Latina, as intervenções de manejo antimicrobiano foram coordenadas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e por outras organizações dedicadas à temática, por meio da obrigatoriedade de apresentação de prescrições médicas. Após a implantação desse regulamento no Chile (1999), na Colômbia (2005), no Brasil*** e no México (2010), não foram detectados aumentos nas admissões clínicas relacionadas a infecções bacterianas, o que aponta para a eficácia da medida.

Recentemente, a OPAS lançou um Manual**** com orientações práticas sobre a prescrição e uso desses medicamentos voltado para autoridades, gestores e profissionais de saúde. Assim, reforça as iniciativas regionais para combater este problema sanitário.

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Nota:

* Expressão de acordo com o Manual da OMS e com dados da ANVISA. A referida resistência é justamente aos agentes que combatem os micróbios.

** As “cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns” consta na aba “Profissionais de Saúde” da ANVISA e, certamente, refere-se as bactérias comuns que acompanham estas doenças, uma vez que, por exemplo, o HIV se trata de um retrovírus, pertencente ao gênero Lentivirus.

*** Folheto do Ministério da Saúde brasileiro sobre uso consciente de antibióticos pode ser lido neste link.

**** OPAS: Manual para combater a resistência de bactérias a antibióticos (em inglês) pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Consumo excessivo e inadequado de antibióticos aumenta a resistência de bactérias a esses medicamentos. Foto: PEXELS” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/opas-lanca-manual-para-combater-resistencia-de-bacterias-a-antibioticos/

Imagem 2 Profissionais de saúde. Foto: ANVISA” (Fonte):

http://portal.anvisa.gov.br/antibioticos/profissionais