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Mexicanos votam para Presidente após campanha violenta: Lopez Obrador é o vencedor

Como apontou o Jornal Reuters, logo após a eleição, Andres Manuel Lopez Obrador conquistou a Presidência do México, em uma vitória esmagadora, no último domingo (dia 1o de julho), preparando o terreno para o governo mais esquerdista da história democrática do México, em um momento de relações tensas com o governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump. O ex-prefeito da Cidade do México, de 64 anos, venceu com a maior margem em uma eleição presidencial desde os anos 1980.

López Obrador

Comprometendo-se a erradicar a corrupção e subjugar os cartéis de drogas com uma abordagem menos conflituosa, López Obrador assumirá grandes expectativas, enquanto seus esforços para reduzir a desigualdade serão observados de perto por investidores, pois seu governo pode iniciar uma política mais restritiva em relação aos investimentos estrangeiros e uma abordagem menos confortável para os Estados Unidos.

O peso mexicano disparou ao longo do dia, mas depois perdeu força em relação ao dólar, conforme a vitória nas urnas se tornou evidente. Os investidores estão observando atentamente para ver se seu partido (MORENA), com quatro anos de idade, vai conseguir obter uma maioria no Congresso, um resultado que lhe daria mais liberdade para mudar a política econômica.

Os rivais Ricardo Anaya, ex-chefe do Partido de Ação Nacional (PAN), de centro-direita, e José Antonio Meade, candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), considerado de centro, apesar de sua filiação a Internacional Socialista e se dizer Social-Democrata, admitiram a derrota a poucos minutos das pesquisas de boca-de-urna.

Dezenas de milhares de pessoas lotaram a vasta praça de “El Zócalo”, na Cidade do México, onde Lopez Obrador falou depois da meia-noite, acompanhado por sua esposa e filhos. “O novo projeto da nação tentará buscar uma democracia autêntica”, disse ele, em discurso conciliatório que promete independência do Banco Central e prudência econômica, além do respeito às liberdades individuais. “Eu quero entrar para a história como um bom Presidente do México”, completou.

Conforme apontam os observadores, a campanha de Obrador conseguiu capitalizar a raiva generalizada em anos de corrupção desenfreada e violência, mas foi vaga em detalhes sobre sua política. Buscando encurralar o apoio de nacionalistas econômicos, liberais esquerdistas e conservadores sociais, ele se comprometeu a combater a desigualdade, a melhorar os salários e os gastos sociais, bem como em diminuir os gastos públicos.

Usando o slogan “paz e amor” durante a campanha, ele empregou uma equipe de auxiliares para garantir a Wall Street que não perturbará a economia. Mas, também prometeu rever os contratos de petróleo recentemente concedidos e ameaçou cancelar o novo aeroporto da Cidade do México, enquanto criticava os líderes empresariais individuais que ele acusa de fazerem parte da “máfia do poder”.

Pacote eleitoral recebido por mexicanos que vivem no exterior

O nacionalismo de Lopez Obrador, a natureza vista pelos intérpretes como teimosa e as críticas dos rivais atraíram comparações com o presidente dos EUA, Donald Trump, que, em uma postagem no Twitter, parabenizou o esquerdista por sua vitória: “Estou muito ansioso para trabalhar com ele. Há muito a ser feito para beneficiar tanto os Estados Unidos quanto o México!”. No entanto, mais cedo, no domingo, Trump levantou a possibilidade de taxar carros importados do México se houver tensão com o novo governo.

Os Estados Unidos, que estão em desacordo com o México e o Canadá na renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), lançaram uma investigação sobre a possibilidade de impor tarifas aos automóveis importados. Os resultados são esperados dentro de alguns meses.

Lopez Obrador foi o primeiro a receber atenção mundial como prefeito da Cidade do México, cargo que deixou para concorrer à Presidência em 2006. Após perder as eleições daquele ano, acreditava-se que ele encerraria sua carreira política. No entanto, iniciou uma longa jornada de volta à proeminência, visitando incansavelmente aldeias e cidades negligenciadas pelos principais políticos por décadas.

Sua vitória é entendida pelos observadores como uma repreensão pungente ao PRI, que governou o México por 77 dos últimos 89 anos, e também ao seu rival conservador, o PAN, que acabou com o regime de partido único no México ao derrotar o PRI, em 2000, mas logo depois perdeu o poder.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Voto do cidadão nas urnas para presidente na Cidade do México” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_general_election,_2012

Imagem 2López Obrador” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9s_Manuel_L%C3%B3pez_Obrador

Imagem 3Pacote eleitoral recebido por mexicanos que vivem no exterior” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Elecciones_federales_de_M%C3%A9xico_de_2018

About author

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.
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