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Mianmar e Sri Lanka para a política externa estadunidense

A prerrogativa fundamental para qualquer nação que projeta seu poder além-fronteiras é acoplar ao seu guarda-chuva de ordem o número máximo de atores para que o status quo e influências sejam o alicerce garantidor do cumprimento dos interesses políticos e principalmente econômicos que darão sustentação ao seu projeto hegemônico.

Na política externa norte-americana não é diferente. Como ainda é a principal potência econômica, política e militar, sua projeção é assegurada através de um projeto diplomático que sustente as bases do seu poder. Nesse sentido, tem recebido atenção pela conjuntura estratégica que potencializam dois países sobre cujas culturas, valores, modos de vida, composições sociais e até mesmo localizações pouco se houve falar pela mídia e especialistas em relações Internacionais.

Sri Lanka e Mianmar são duas nações localizadas ao Sul da Ásia Continental que aceitaram e lutaram pela adoção de um sistema político mais democrático. O Sri Lanka, do presidente Maithripala Sirisena, passará por eleições parlamentares em 17 de agosto, que determinarão se as reformas impostas por ele irão se consolidar. Em Mianmar o mesmo acontecerá em 8 de novembro, algo que promete ser uma mudança completa de rumos, caso o partido de Aung San Suu Kyi chegue ao poder e inicie a transição com a ditadura militar que comanda o país a décadas.

No contexto estratégico, o resultado das eleições em ambos os países são importantes para o mundo, porém mais importantes para a região. Com o rápido desenvolvimento socioeconômico e estrutural, Naypyidaw (capital de Myanmar) e Kotte (capital do Sri Lanka) são partes de iniciativas para se tornarem centros de transporte chave para o Sul e Sudeste da Ásia, tirando-os do isolamento político que acarretará em oportunidades de investimentos. Ainda dentro dessa prerrogativa, centros de estudos estratégicos ocidentais observam o crescimento do PIB anual acima de 6%, número este alcançado por escolherem um modelo econômico menos centralizado nas mãos do Estado.

Com as reformas acontecendo em bom ritmo em dois centros distintos de uma mesma região, o interesse internacional está aumentando na mesma proporção. A China, nos últimos anos, tem investido em projetos econômicos de grande porte e iniciativas militares. Submarinos visitaram o Sri Lanka e a venda de armas e apoio em treinamento militar em Mianmar serviram apenas como tentativa de aprofundamento das relações, haja vista que não passaram inicialmente de tentativas, pois a desconfiança com Beijing vem pela identificação dos chineses com os regimes autoritários anteriores[1].

Por outro lado, Estados Unidos e Japão desfrutam de um pouco mais de crédito, pois financiaram projetos de infraestrutura e formação profissional. Tóquio apoia iniciativas de progresso democrático e contribui com o desenvolvimento econômico, tendo como exemplo mais expressivo os cerca de cinquenta conselheiros destacados para assessorar os ministérios de Mianmar para construir um novo modelo de governança.

Washington, por sua vez, investe em visitas com representantes da alta cúpula da Casa Branca, com o próprio presidente Barack Obama e o secretário de estado John Kerry, além de o Congresso NorteAmericano colaborar com projetos administrativos para suspensão de uma série de sanções adotadas, principalmente contra as atrocidades humanitárias da ditadura militar e em prol de uma solução conciliadora com a minoria Tâmil, em Mianmar e Sri Lanka, respectivamente.

Contudo, Washington deixou claro que novos progressos nas relações bilaterais com ambos os atores depende da implementação dos resultados das eleições e a realização de um cessar-fogo nacional conjuntamente com as minorias étnicas.

O Governo de Mianmar quer relações normais com os estadunidenses, porém, para que isso aconteça, serão necessários alguns passos fundamentais, dentre os quais: uma abordagem mais democrática por parte dos governantes em Naypyidaw e respeito aos direitos humanos, para que uma abordagem mais comercial e econômica possa ser formalizada dentro da nova agenda da relação bilateral[2].

De forma distinta, a posição com o Sri Lanka é em termos menos rigorosa. Após a queda do regime opressivo de MahindaRajapaksa, o presidente Maithripala Sirisena recebeu a visita do secretário de estado John Kerry e essa postura de congratulação a um presidente moderado faz o Sri Lanka projetar uma relação sólida com mais atração de investimento internacional ao país e, como no caso de Mianmar, o progresso depende de fatores domésticos, principalmente o combate à corrupção governamental e a reconciliação com a minoria Tâmil.

A proposta clara da política externa norte-americana é arregimentar os dois atores à política de “Pivot para Ásia,”, ou seja, não deixar a influência chinesa atrapalhar a aproximação de Washington, nesse momento de transição, que com auxílio do primeiroministro Shinzo Abe pretende equalizar qualquer tentativa de Beijing de desfrutar dos novos rumos das duas nações. Entretanto, é sabido que a política para Mianmar e Sri Lanka passará primeiramente pela manipulação para que depois as promessas de melhores relações bilaterais futuras se consolidem.

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Imagem (Fonte):

http://cdn.theatlantic.com/static/mt/assets/jamesfallows/ap-myanmar-us-obama_001-4_3_r560.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://thediplomat.com/2015/07/the-american-stake-in-myanmar-and-sri-lanka/

[2] Ver:

http://thediplomat.com/2015/07/the-american-stake-in-myanmar-and-sri-lanka/http://carnegieendowment.org/2014/09/09/what-myanmar-means-for-u.s.-japan-alliance/ho8q

Ver também:

http://carnegieendowment.org/2015/01/16/what-sri-lanka-s-presidential-election-means-for-foreign-policy/hzh0

Ver também:

http://thediplomat.com/2015/06/u-s-asia-policy-the-africa-asia-angle/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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