Agora nossos podcasts também estão no Spotify e Deezer. Em breve voltaremos  com os áudios! Para receber nossas atualizações em seu whatsapp clique no botão ao lado ou envie um whatsapp com seu nome, cidade/estado para 11 35682472

ANÁLISES DE CONJUNTURAEsporte

Migração Esportiva: um estudo de caso sobre Wilson L. Erupe

São diversos os motivos que justificam o movimento migratório transnacional, como guerras, pobreza extrema, divergências políticas, entre outros. Existe, ainda que em menor representatividade para o fluxo total*, um fenômeno que vem ganhando bastante evidência neste século: a migração esportiva e, posteriormente, a cidadanização de imigrantes.

O esporte, entendido como instrumento de união e um dos elementos formadores de identidade nacional, enfrenta um duplo desafio ao acolher e oferecer as melhores condições para os esportistas imigrantes, que almejam representar sua nova bandeira, à medida que é necessário estabelecer um vínculo destes com a população nacional, a fim de criar uma situação de empatia.

Logo oficial da ASPIRE Sports Trust

Muitos são os esforços para desenvolver e aplicar estratégias de inclusão social para os imigrantes envolvendo o esporte. Figurando entre os principais destinos migratórios, a Europa, por meio do Comitê Olímpico Europeu, comemorou o último Dia Internacional do Migrante (18 de dezembro de 2018) com eventos esportivos e reiterou a importância do programa ASPIRE, um projeto colaborativo desportivo internacional de longo prazo, que foca sua atuação no poder inclusivo dos esportes e da atividade física.

As críticas em torno deste assunto, no entanto, concentram-se no princípio denominado “comercialização da cidadania”, onde se defende que os reais interesses para a imigração de atletas seriam meramente econômicos – visando apenas vantagens lucrativas do ponto de vista esportivo –, assim como o nacionalismo correria o risco de perder seu prestígio com a banalização da condição de cidadão.

Recentemente, um caso de dupla cidadania tomou a mídia e foi tema polêmico para os especialistas. Wilson Loyanae Erupe, nascido em 1988 na cidade de Lodwar, Quênia, finalmente obteve passaporte sul-coreano após três anos competindo pelo país e duas tentativas formais (sendo a primeira em abril de 2016). 

O maratonista também mudou seu nome, e passará a se chamar Oh JooHan, que em tradução livre para o português significa “Eu corro pela Coreia”. Os sobrenomes sul coreanos estão associados aos clãs de seus familiares ancestrais, com mais de centenas de anos, bem como às regiões de origem. Como não possui este tipo de vínculo, Oh elegeu Cheongyang para representar, já que o atleta treina desde 2015 neste condado, ao sul de Chungcheong.

Wilson Loyanae Erupe cruzando a linha de chegada em maratona na cidade de Seul (2012)

Dotado de um “talento excepcional”, Joo-Han possui marcas impressionantes, apesar de ter sido suspenso por dois anos em 2013 por testar positivo para doping. Ele ganhou a Maratona Internacional de Gyeongju em 2011, 2012 e 2015 e a Maratona Internacional de Seul em 2012, 2015, 2016 e 2018. Seu melhor tempo é de 2:05:13, em Seul, no dia 20 de março de 2016.

Repleto de controvérsias, o título de cidadão sul-coreano para Oh Joo-Han divide a comunidade de atletismo local e internacional. Por um lado, há os que defendem o fortalecimento da equipe nacional com a “importação de estrangeiros destacados em competições oficiais – considerando que a modalidade masculina nacional encontrava-se estagnada desde 2011, com marcas acima de 2:10:00 –, uma vez que suas experiências poderiam ajudar a desenvolver a técnica dos demais membros do time. Por outro lado, este fluxo migratório especializado é acusado de desestimular os atletas aspirantes nascidos na Coreia do Sul, uma vez que a concorrência para chegar à elite teria seu nível elevado.

Diante deste cenário, a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) publicou uma regulamentação no dia 27 de julho de 2018 que, dentre outras matérias, restringe a atividade do atleta que protocolar o pedido de transferência de representatividade para outro membro (país), devendo o mesmo aguardar um período de três anos para competir oficialmente. Esta medida torna Oh Joo-Han automaticamente inelegível para os Jogos Olímpicos de 2020, frustrando a expectativa do Comitê Olímpico da Coreia do Sul de reforçar sua equipe de atletismo.

———————————————————————————————–

Nota:

* Em um recorte histórico após a Segunda Guerra Mundial, estima-se que os atletas olímpicos que trocaram a nacionalidade passaram de 5% para 9%.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O estádio público é o local de chegada da Maratona Internacional de Gyeongju” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/86/Korea-2008_Gyeongju_Citizens%27_Athletics_Festival-Track_and_field-02.jpg/1024px-Korea-2008_Gyeongju_Citizens%27_Athletics_Festival-Track_and_field-02.jpg

Imagem 2 “Logo oficial da ASPIRE Sports Trust” (Fonte): https://aspiresportstrust.org/wp-content/uploads/2015/06/aspiresportstrust.png

Imagem 3 “Wilson Loyanae Erupe cruzando a linha de chegada em maratona na cidade de Seul (2012)” (Fonte): http://livedoor.blogimg.jp/dope_impact/imgs/4/5/45af518d.jpg

About author

Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais pela Business School São Paulo (BSP), Bacharel em Relações Internacionais no Centro Universitário Fundação Santo André - Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas. Bolsista pelo CNPq em 2009 com o projeto de iniciação científica "A Soberania Nacional em face dos Tratados Bilaterais: A Questão do Tratado de Itaipu". Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Atitude e Ideologias Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: integração, direito, democracia, segurança e negociação internacional. Em sua carreira, conquistou o cargo de Gerente de Negócios Internacionais. Está em contato com o comércio exterior, aprofundando seu conhecimento e focando suas habilidades para os procedimentos de importação. Já participou de diversas feiras internacionais, representando sua empresa, tendo a função de estreitar o relacionamento com fornecedores, investidores e clientes estrangeiros, além de trabalhar a marca da empresa e conquistar distribuições em diferentes continentes.
Related posts
ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Catalunha e o centro de equilíbrio da política na Espanha

ANÁLISE - TecnologiaANÁLISES DE CONJUNTURA

Matérias Primas para a Energia de Baixo Carbono

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Atuação para regularização de atividades econômicas e religiosas em Angola

AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

CEPAL divulga análise de comércio exterior da América Latina e Caribe

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×
Olá!