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Mistério em Botsuana: porque os elefantes estão morrendo

Botsuana é o país com a maior população de elefantes do mundo, com cerca de 130.000 da espécie. No entanto, entre maio e junho de 2020 foram encontrados cerca de 350 elefantes mortos na região de Delta de Okavango. O governo de Botsuana iniciou, em julho de 2020, uma investigação para entender o motivo das mortes. Assim, diversas medidas foram tomadas, como a coleta de amostras e mobilização de especialistas.

Cerca de 70% dos cadáveres encontrados estavam perto de poços de água com alta concentração de organismos microscópicos tóxicos, ou cianobactérias. As autoridades locais haviam descartado essas bactérias, pois outros animais não foram afetados e elas se proliferam nas bordas das lagoas, enquanto os elefantes bebem no meio. Alguns cientistas acreditam que os elefantes podem ser mais suscetíveis, uma vez que, além de beber, passam muito tempo na água tomando banho.

Mmadi Reuben, responsável pelo departamento de vida selvagem e parques nacionais, afirmou em conferência no dia 21 de setembro de 2020 que foram detectadas neurotoxinas de cianobactérias que levaram à morte desses animais. Os testes da água foram realizados nos laboratórios de Botsuana, da África do Sul e dos Estados Unidos da América. Contudo, ainda não sabem o motivo pelo qual ocorreu a proliferação dessas bactérias, e porquê apenas nessa área. 

Baobá em Botsuana

O Doutor Niall McCann, diretor de conservação da organização do Reino Unido National Park Rescue, alertou que a presença de cianobactérias não é o suficiente para comprovar que elas são culpadas pela intoxicação. Assim, são necessárias amostras do tecido dos animais para serem analisadas em laboratórios especializados. No entanto, isso exige condições especiais e precisam ser realizadas rapidamente, o que não foi feito no caso de Botsuana. De qualquer forma, é provável que a proliferação de algas tóxicas ocorra novamente devido à mudança climática, sendo necessário monitoramento e sistemas regionais de alerta. Outras causas como caça ilegal, anthrax, envenenamento e um patógeno desconhecido foram descartadas.

Grupo de elefantas na Tanzânia

Em agosto de 2020, mais de 20 elefantes foram encontrados mortos no Zimbábue, entre o Parque Nacional Hwange e as Cataratas de Vitória. O governo do Reino Unido está cooperando com o Zimbábue para analisar as amostras e saber se é a mesma causa do incidente em Botsuana. Outra teoria aponta a bactéria pasteurella como a causa das mortes, similar ao ocorrido em 2015 no Cazaquistão, com o óbito de 200.000 antílopes saiga.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Elefante africano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/African_elephant#/media/File:Loxodontacyclotis.jpg

Imagem 2Baobá em Botsuana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Botswana#/media/Ficheiro:Adansonia_digitata_arbre_MHNT.jpg

Imagem 3Grupo de elefantas na Tanzânia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/African_elephant#/media/File:Serengeti_Elefantenherde2.jpg

About author

Bacharela em Relações Internacionais pelo Centro Universitário IBMR - Laureate International Universities. Pesquisadora na mesma instituição pelo Núcleo de Pesquisa Maria Rabello Mendes (NUPREM) e coordenadora da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Operações de Paz (REBRAPAZ). Realizou cursos em instituições notáveis como Curso de Estudos de Política e Estratégia (CEPE) da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), Curso de Coordenação Civil-Militar do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), Curso de Geopolítica na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), entre outros. Realizou artigo para a conclusão da graduação sobre a relação entre a liderança e legitimidade da atuação brasileira em Operações de Paz e seus efeitos diplomáticos no Conselho de Segurança da ONU. Ressalta-se também o artigo realizado sobre o Relatório Santos Cruz apresentado na Escola Superior de Guerra - 2018 e o artigo sobre as Operações de Paz da ONU e OTAN através da visão Comparativa do Direito Internacional aceito pela Academia Brasileira de Direito Internacional - 2019 e apresentado durante seu evento anual.
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