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Moçambique e Tailândia fortalecem “Relações Bilaterais”

Na sua primeira visita à África, a “Primeira-Ministra da Tailândia”, Yingluck Shinawatra, escalou primeiroMoçambique para visitar, entre 28 e 30 de julho (ontem e anteontem). O périplo africano também inclui a Tanzânia eUganda (de 30 de julho a 2 de agosto) e os principais objetivos são o fortalecimento de laços econômicos entre este país asiático e os países visitados[1] e o lançamento da “Iniciativa Tailândia-África”, cujo primeiro encontro terá lugar em 2014. A visitante, que se encontrou com o presidente moçambicano Armando Guebuza por três vezes no mesmo dia, aproveitou a sua estadia para endereçar um convite a Moçambique para esse evento[2].

Comitiva tailandesa inclui alguns ministros e um grupo empresarial composto por cerca de 60 personalidades. Nesta segunda-feira, Shinawatra trocou impressões com Guebuza e os dois assistiram à assinatura de cinco Acordos nas áreas de cooperação técnica; isenção de vistos para passaportes diplomáticos e de serviço; desenvolvimento de petróleo e gás; turismo; e cooperação econômica e comercial[3].

Nas discussões oficiais falou-se de diversos assuntos, em particular econômicos. Bangkok se interessa em investir na área de recursos minerais, turismo, pescas, saúde, transportes e comunicações. Na área comercial as duas partes concordaram em incrementar o volume de negócios para 360 milhões de dólares nos próximos cinco anos contra os atuais 180 milhões[4]. Ressalte-se que Maputo compra anualmente acima de 200 mil toneladas de arroz tailandês, o que representa cerca de 56% das importações deste produto[5]

Ainda se realizou no mesmo dia o “Fórum de Negócios Moçambique-Tailândia” no qual Guebuza e Shinawatra tomaram parte. Outras atividades alusivas à visita oficial incluem um encontro com empresários tailandeses em Moçambique; a participação numa exposição cultural e um encontro com a Presidente do Parlamento de Moçambique, Verônica Macamo, sobre a possibilidade de uma cooperação parlamentar entre os dois países[6]

Uma pequena contextualização ajuda a entender a razão da recente aproximaçãoMoçambique-Tailândia” cujas relações diplomáticas datam de 1989[7]. Depois de uma moçambicana ser presa num aeroporto tailandês em outubro de 2012 por tráfico de drogas em quantidade passível à pena de morte, de acordo com a lei local, o governo de Moçambique intensificou contatos com o seu congênere da Tailândia com vista a não aplicar a pena capital mas sim uma moratória[8]. De fato, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Baloi, disse a jornalistas nesta terça-feira (dia 30) que este assunto esteve no rol das discussões entre os dois países. Porém, adiantou que não havia ainda “luz verde” sobre a detida na Tailândia que ainda aguarda julgamento. O governante afiançou que o fato de não existir uma harmonização das molduras penais pode vir a complicar a situação[9]. Aproveitando-se do aumento dos contatos, Maputo incrementou o relacionamento, pois uma maior cooperação com Bangkok significa atrair mais investimentos e expandir a sua diplomacia na Ásia.

Bangkok, por sua vez, quer também ganhar mais acesso às oportunidades que este país oferece na área de exploração mineral e energética. No ano passado, uma empresa estatal tailandesa adquiriu 8,5% das ações do “Bloco Área 1”, junto ao “RioRovuma”, no norte do país, por 1,9 bilhões de dólares a investidores irlandeses. Agora, partilha a prospecção petrolífera com investidores norte-americanos, japoneses, indianos e moçambicanos e a mesma empresa pretende alargar a sua comparticipação[10]. De igual maneira, a Tailândia quer se servir da posição estratégica de Moçambique para penetrar o continente africano assim como também garantir o apoio de Maputo em Fóruns Internacionais”.

O exemplo de fazer de Moçambique uma ponte de entrada à África é o lançamento pela Primeira-Ministra de um “Projeto de Voluntários”, similar ao “Corpo da Paz dos Estados Unidos da América”. Este modelo será depois replicado a outros países africanos. Diz-se que o intuito é ajudar a desenvolver os países africanos. Cidadãos tailandeses farão parte dos voluntários. Eles serão selecionados em áreas científicas que incluem a agricultura, a energia, a saúde, a educação e o turismo[11].

Uma nota de destaque é que ambos países não possuem representações diplomáticas nas respectivas capitais, apesar de a Tailândia delegar o seu embaixador na “África do Sul” para também representá-la no vizinho Moçambique. Contudo, pode-se cogitar que a estadia de Yingluck Shinawatra em Maputo pode mudar esta situação, o que poderia facilitar que os Acordos agora assinados sejam acompanhados por ações concretas, como defendeu presidente Guebuza[12].

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Imagem (Fonte):

http://fotos.sapo.pt/aim/fotos/primeira-ministra-tailandia-yingluck-shinaw/?uid=NAD14lPMquzqWyolgkt9

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://allafrica.com/stories/201307251413.html

[2] Ver:

http://www.bangkokpost.com/news/local/361737/yingluck-follows-brother-trail-in-africa

[3] Ver:

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/846029072013163250.html

[4] Ver:

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/846029072013163250.html

[5] Ver:

http://www.bangkokpost.com/news/local/361737/yingluck-follows-brother-trail-in-africa

[6] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/799459.shtml#.UfalUY1NXtx

[7] Ver:

http://allafrica.com/stories/201307251413.html

[8] Ver:

http://www.verdade.co.mz/newsflash/31618-governo-tenta-salvar-mocambicana-detida-na-tailandia

[9] Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2013/02/22/grupo-ptt-exploration-da-tailandia-pretende-aumentar-posicao-num-bloco-petrolifero-em-mocambique/

[10] Ver:

http://www.bangkokpost.com/news/local/361737/yingluck-follows-brother-trail-in-africa

[11] Ver:

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/846529072013204950.html

About author

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.
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