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Montenegro é oficialmente convidado a se juntar à OTAN

Passaram-se 16 anos desde os bombardeios das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sobre o território da antiga República Federativa da Iugoslávia. Na quarta-feira, dia 2 de dezembro, Montenegro, uma das entidades federativas iugoslavas, fora invitada a se juntar à OTAN, o que caracterizará a primeira expansão da Organização securitária em seis anos.

Para o corpo de ministros que esteve em Bruxelas na última reunião da entidade, o convite acarretou no reconhecimento dos esforços que o pequeno Estado balcânico teve nos últimos anos. Desde 2006, quando o país se separou da união federativa que partilhava com a Sérvia, os diferentes governos buscavam o acesso à OTAN.

Nas palavras do Ministro das Relações Exteriores montenegrino, Igor Luksic, relatadas pelo Balkan Insight, a última reunião caracterizou um “momento histórico para Montenegro”, mas salientou que “o convite ainda não se trata do fim do processo, significa o início de uma próxima etapa, e as reformas devem ser continuadas”. O Primeiro-Ministro do país, Milo Djukanovic, interpreta o convite como um “símbolo para o reconhecimento de Montenegro” e adiciona que se trata de um “forte impulso para a continuidade do trabalho de implementação das reformas”.

O secretário-geral da Organização, Jens Stoltenberg, parabenizou o Governo montenegrino, além de salientar que se tratava de um “grande dia para os Bálcãs Ocidentais”. A datar do fim dos conflitos que assolaram o território iugoslavo, duas nações da ex-república adentraram ao rol de signatárias do Tratado do Atlântico Norte. Croácia e Eslovênia iniciaram suas relações como membros da Organização nos anos de 2009 e 2004, respectivamente.

O processo de integração de Montenegro aumenta o grau de tensão das relações da OTAN com a Rússia – a qual teve as conversas suspensas desde a anexação da Crimeia, em 2014 – à medida que expande sua influência em direção ao leste europeu. O porta-voz presidencial da Federação Russa, Dimitri Peskov, garantiu à Associated Press que os convites feitos a Montenegro “receberão medidas retaliativas”.

Mesmo dentro de Montenegro, a empreitada da integração Euro-Atlântica é motivo de controvérsia, que ficou visível nos recentes protestos na capital, Podgorica. A grande fatia da população, de raízes étnicas sérvias, ainda se vê “traída” pela OTAN, devido aos bombardeios de 1999 a Belgrado, anteriormente citados. O próprio Estado sérvio se encontra negligenciado do processo de entrada à OTAN, ao passo que estreita suas relações com a Federação Russa. Em contrapartida, Jens Stoltenberg afirmou na reunião que consolidou o convite à Montenegro, que a “porta da OTAN está aberta”.   

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Imagem (Fonte):

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Mestrando em Ciências Sociais pela PUC-RS. Bacharel em Relações Internacionais (2014), pelo Centro Universitário Univates de Lajeado - RS, realizou estudos em Segurança Internacional na Högskolan i Halmstad em Halmstad, Suécia (2013). Áreas de interesse em pesquisa são em Política Internacional, Segurança Internacional, Península Balcânica e etnias nas Relações Internacionais.'
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