Ontem, quinta-feira, dia 19 de dezembro, o jornal israelense Haaretz publicou em seu site online na versão inglesa o conteúdo de uma carta confidencial de 1962, escrita pelo MOSSAD e enviada ao Ministério das Relações Exteriores de Israel”, em Jerusalém. Segundo o documento, revelado pela primeira vez na publicação em questão, Nelson Mandela recebeu treinamento em armamentos e sabotagem por parte do MOSSAD naUniversidade Hebraica de Jerusalém”.

David Fachler, quem descobriu o documento, tem 43 anos, cresceu e se formou na “África do Sul” e, atualmente, vive na cidade israelense de “Alon Shvut”. De acordo com ele, se na época em questão o Governo sul-africano tivesse descoberto o envolvimento entre Mandela e o MOSSAD, o fato poderia ser prejudicial para as comunidades judaicas locais.

Nelson Mandela passou a atuar de forma clandestina em 1960. Dois anos depois, ele deixou a “África do Sul” na ilegalidade e visitou diversos países africanos, dentre eles Etiópia, Argélia, Egito e Gana. Durante a viagem, buscou se encontrar com líderes de países da África, bem como angariar apoio financeiro e bélico para o grupo armado do “Congresso Nacional Africano” (CNA).

De acordo com a carta revelada pelo jornal Haaretz, durante este período Mandela teve treinamento militar por parte de agentes do MOSSAD na Etiópia. Pode-se depreender, pelo conteúdo do documento, que tais agentes não estariam cientes da real identidade de Mandela.

A carta está datada como sendo do dia 11 de outubro de 1962, aproximadamente dois meses antes de Mandela ser preso na “África do Sul”. Ela foi remetida a três pessoas: a Netanel Lorch – chefe do “Escritório Africano no Ministério das Relações Exteriores”; ao Major General Aharon Remez – chefe de departamento do “Ministério de Cooperação Internacional” e primeiro comandante em chefe das “Forças Aéreas de Israel”; e a Shmuel Sibon, embaixador israelense em “Addis Abeba”, entre os anos de 1962 e 1966.

O assunto da carta é A Pimpinela Negra”, o apelido em inglês utilizado pela mídia sul-africana para Nelson Mandela. O codinome foi baseado no romance “Pimpinela Escarlate”, da Baronesa Orczy.

O documento descoberto por David Fachler indica que Nelson Mandela cumprimentou os homens do MOSSAD com a palavra shalom. Além disso, ele estava a par de questões sobre os judeus e Israel, dando a impressão de ser um intelectual. O agente do MOSSAD que escreveu a carta indicou que Mandela demonstrou grande interesse pelos movimentos políticos e militares clandestinos de Israel e o staff tentou atraí-lo para o movimento sionista. Foi feita uma anotação manuscrita na carta, referindo-se a outra correspondência enviada duas semanas depois, em 24 de outubro de 1962. A anotação explicita que o “Pimpinela Negra” era Nelson Mandela, anexando uma breve explicação sobre sua pessoa que fora publicada no jornal Haaretz na época em questão.

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Imagem (Fonte):

http://www.reuters.com/article/2013/12/15/us-mandela-obituary-idUSBRE9BE04V20131215

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Fonte consultada:

http://www.haaretz.com/news/features/.premium-1.564412#

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Mestranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em Relações Internacionais Contemporâneas (PUC-Rio). Com foco em política no Oriente Médio, participou da “The Israeli Presidential Conference – Facing Tomorrow” - sob os auspícios de Shimon Peres - nos anos de 2011 e 2012, tendo realizado outros cursos na área em Israel.
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