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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

Nem tudo são flores na floresta no “Dia da Amazônia”: Queimadas e Desmatamento

No dia 5 de setembro, o Brasil comemora o “Dia da Amazônia”, contudo, é necessário questionar se esta data é para comemoração ou merece reflexão.  Evidentemente,  nem tudo são flores na Floresta, podendo ser observados problemas de todos os tipos na Região. Entretanto, o Brasil tem obtido importantes sucessos comparativamente aos anos anteriores.

Os focos de incêndio nas florestas brasileiras diminuíram de janeiro até esta data, conforme dados do “Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais” (INPE). Em 2013, até a véspera do “Dia da Amazônia”, ocorreram 40.620 focos de incêndio no Brasil, contra 85.423 no mesmo período, em 2012.  De acordo com o INPE, esta diminuição de 52% do número total de queimadas se deve ao fato de 2013 ser um ano menos seco que 2012, em parte devido às chuvas que caíram no início do ano, as quais ajudaram a evitar incêndios.

Deve-se destacar que as queimadas na Amazônia, que neste ano representaram até o momento 34% do total nacional, descrevem um número menor de incidências em comparação com o número de queimadas ocorridas no cerrado brasileiro (48% do número total nacional).

Figura 1: Gráfico: dados do INPE, elaboração Bernhard J. Smid

Figura 1: Gráfico: dados do INPE, elaboração Bernhard J. Smid

Em termos de desmatamento, o Brasil tem feito um ótimo trabalho, desempenhando papel de destaque no cenário internacional, conforme foi mencionado recentemente no “Fórum Econômico Mundial”, em parte integrante das conclusões do “Relatório de Competitividade Global 2013-2014[1]. Importante mencionar que o Brasil está atualmente na 56ª posição, tendo sofrido uma queda de oito posições em relação ao ano passado.

O “Fórum Econômico Mundial” também elaborou um índice que considera a sustentabilidade ambiental em 121 países do total de 148 nações originalmente pesquisadas.  O Brasil se encontra neste índice por volta da 30ª posição.  Este posto de destaque é esclarecido pelo Fórum pelo fato de o Brasil ter bom desempenho em vários indicadores ambientais, mas baixa colocação em termos de desmatamento. 

O relatório destaca que a sustentabilidade ambiental está diretamente relacionada ao equilíbrio social, por isso, é imprescindível respeitar o meio ambiente como elemento essencial para a manutenção do crescimento econômico e da competitividade dos países no longo prazo. 

Segundo o documento, os “Recursos naturais bem gerenciados aumentam a qualidade de vida, reduzem a tensão entre gerações, fornecem melhores oportunidades para toda a comunidade e melhoram a resiliência da sociedade[1].

O documento apresentado pelo “Fórum Econômico Mundial” também relaciona o desenvolvimento das sociedades e a competitividade de um país, tanto para as atuais como para as futuras gerações, ao tornar o crescimento econômico menos sustentável no médio e no longo prazo. Nele, consta que “Qualquer tipo de exclusão social que impede as pessoas de participarem plenamente do mercado de trabalho reduz a disponibilidade de talentos para as empresas e organizações de um país, reduzindo assim a competitividade[1].

O estudo apresentado pelo Fórum destaca o aumento do desmatamento na Amazônia como um dos fatores a serem trabalhados pelo Governo Federal e pelos Governos Estaduais do Brasil de modo a aprimorar a posição brasileira no índice elaborado “Fórum Econômico Mundial”.

Hoje, no “Dia da Amazônia”, existem ainda na esfera política brasileira diversos temas ainda não finalizados, os quais necessitam ser tratados com a devida importância, como são os casos da implementação de uma política nacional de REDD+ e das diretrizes para o desenvolvimento econômico dos Estados da “Amazônia Legal”, observando as características amazônicas de cada Estado e a necessidade de se considerar a sustentabilidade ambiental.

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Imagens (Fontes):

Imagem 1:

http://www.greenpeace.org/brasil/ReSizes/ImageGalleryLarge/Global/brasil/image/2008/12/queimada-na-amaz-nia.jpg

Imagem 2:

Gráfico: dados do INPE, elaboração Bernhard J. Smid

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Fontes consultadas:

[1] O relatório está disponível, em inglês, no link:

http://www3.weforum.org/docs/WEF_GlobalCompetitivenessReport_2013-14.pdf

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Ver também:

http://www.inpe.br/queimadas/sitAtual.php

Ver também:

http://surgiu.com.br/noticia/107758/focos-de-incendio-este-ano-diminuem-em-49.html

Ver também:

http://terramagazine.terra.com.br/blogdaamazonia/blog/2012/06/12/inpe-acre-e-o-maior-emissor-de-fumaca-em-regiao-transfronteirica/

Ver também:

http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=2655

Ver também:

http://www3.weforum.org/docs/WEF_GlobalCompetitivenessReport_2013-14.pdf

Ver também:

http://www.portalamazonia.com/noticias/meio-ambiente/20130905/brasil-esta-acima-media-ranking-preservacao-meio-ambiente/1915.shtml

About author

Doutor pela ESC Rennes (França), possui Mestrado em Negócios Internacionais pela Munich Business School (Alemanha) e MBA em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Atualmente, é Diretor Executivo do Instituto de Capital Natural da Amazônia – ICNA, uma ONG com sede em Manaus (Brasil), que atua em questões relacionadas ao meio ambiente e ao clima (silvicultura, REDD+, pagamento por serviços ecossistêmicos, análise de políticas e assuntos governamentais). Através do ICNA, Bernhard compõe o CCT sobre Salvaguardas de REDD, estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente. Além de seu trabalho no ICNA, é relevante mencionar seu envolvimento com a empresa Matchmaking Brazil, que presta consultoria e apoio em gestão empresarial, gestão da qualidade, comércio exterior e promoção de comércio internacional. Adicionalmente, é associado sênior e membro da comissão de relações de mercado na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) e Membro do Conselho Diretor da Climate Markets & Investment Association (CMIA), com sede em Oxford – UK. Adicionalmente, ele participa frequentemente de vários treinamentos e workshops sobre agronegócios e mudanças climáticas, incluindo o treinamento oferecido pela International Carbon Action Partnership – ICAP, Alemanha, para Líderes de Países Emergentes e em Desenvolvimento; a Summer School sobre mudanças climáticas e a adaptação de cidades e áreas metropolitanas (Havencity University de Hamburgo, Alemanha); e o curso técnico em agronegócios (CNA / SENAR). Viajar e aprender novas culturas são a paixão de Bernhard, que já teve a oportunidade de viajar por prazer e trabalhar para um grande número de países. É fluente em português, inglês, espanhol e alemão. Outros detalhes estão disponíveis no Linkedin: http://www.linkedin.com/in/bsmid
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