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Netanyahu e Abbas declaram que qualquer medida em relação ao acordo de paz Israel-Palestina terá que passar por referendo

Após seis visitas ao “Oriente Médio”, o Secretário de Estado norte americano, John Kerry, conseguiu que lideranças israelenses e palestinas concordassem em reestabelecer o diálogo para um “Acordo de Paz”, interrompido há mais de três anos. Este passo foi uma grande vitória para Kerry, mas a comunicação entre as duas partes ainda encontra obstáculos. O maior deles é a questão das fronteiras pré e pós 1967.

No conflito que ficou conhecido como a “Guerra dos Seis Dias”, o “Estado de Israelestendeu seu território, anexando regiões como aFaixa de Gaza”, “Cisjordânia” e as “Colinas do Golan”, bem como “Jerusalém Oriental”. O reconhecimento do direito de Israel a tais territórios é um grande problemática internacional e provavelmente o maior empecilho para as conversações em direção a um “Acordo de Paz”. No momento, com a intermediação de John Kerry, a “Autoridade Nacional Palestina(ANP) afirma que as fronteiras pré 1967 devem ser reconhecidas por todas as partes. Israel, no entanto, possui grande número de assentamentos em tais localidades e não concorda com esta decisão.

Na última segunda-feira, o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que qualquer “Acordo de Paz” futuro será colocado sob referendo. Segundo ele, a medida seria necessária para evitar divergências dentre a população. Dirigindo-se ao Parlamento israelense (“Knesset”), Netanyahu declarou que “qualquer acordo que não seja aprovado pela população não é digno de ser assinado”, afirmando também que “atingir a paz é um objetivo crucial para Israel[1].

O presidente israelense encontra dentro da atual coalizão apoio e desavença em relação ao referendo. Naftali Bennet, “Ministro da Economia” e membro do partido nacionalista “Bait Yehudi” (“Lar Judaico”) afirmou que não aprovará o orçamento para os Acordos sem um projeto de lei que garanta o referendo. A Ministra da Justiça e responsável israelense pelas negociações de paz com os palestinos, Tzipi Livni, se opõe fortemente à proposta.

Seguindo a declaração de Netanyahu em relação ao assunto, Mahmoud Abbas, presidente da “ANP”, também anunciou que qualquer acordo com Israel mediado pelos “Estados Unidos” será submetido a referendo. A “Autoridade Nacional Palestina” também pede a soltura de 103 prisioneiros palestinos em cadeias israelenses, ao que Israel já estimou um plano de quatro fases[2].

Além da questão da segurança para os israelenses, um ponto que se tornou forte na recente história do país, uma lei que garanta o referendo de ambos os lados pode ser mais um obstáculo no diálogo entre autoridades, visto que Israel possui milhares de cidadãos vivendo em assentamentos nas fronteiras pós 1967 e uma população bastante dividida politicamente. Além disso, a Palestina não tem um governo unificado, estando a ANP à frente apenas daCisjordânia”. Na “Faixa de Gaza”, território do qual Israel se retirou unilateralmente em 2005, o governo pertence aoHamas”, contrário a qualquer diálogo com o governo israelense.

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Imagem (Fonte):

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Kerry-meets-Abbas-Netanyahu-after-Obama-visit-307516

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23412282

[2] Ver:

http://www.guardian.co.uk/world/2013/jul/22/palestinian-israeli-referendum-peace-deal 

 

About author

Mestranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em Relações Internacionais Contemporâneas (PUC-Rio). Com foco em política no Oriente Médio, participou da “The Israeli Presidential Conference – Facing Tomorrow” - sob os auspícios de Shimon Peres - nos anos de 2011 e 2012, tendo realizado outros cursos na área em Israel.
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