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Nicolás Maduro acusa capitalismo como responsável pela questão ambiental

Em discurso proferido ontem, terça-feira, dia 23 de setembro, durante a Reunião de Cúpula sobre o Clima da ONU,  o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o capitalismo como sendo o responsável pela situação em que o meio ambiente se encontra. Dessa forma, apontou diretamente as nações desenvolvidas como culpadas pela atual questão climática, cobrando que estas devem atuar de forma direta para reverter a situação.

Afirmou ainda que elas estão aplicando fórmulas capitalistas para reverter o problema, algo que, da sua perspectiva, é contraditório e, na realidade, apresenta-se apenas como uma medida estratégica destes países para transferir a responsabilidade da solução aos países pobres e em desenvolvimento, mantendo a posição e status destas potências sem alterar seu comportamento e modelo de econômico.

Em suas palavras: “A crise ambiental que hoje padecemos está definida por uma realidade alarmante, enquanto avançaram aceleradamente todos os fatores que incidem na destruição do planeta, continuamos sem tomar as medidas necessárias para o controlo ambiental. (…). …o capitalismo tem ignorado, durante décadas, a capacidade de carga e reposição da natureza. (…). …20% dos países mais ricos do capitalismo consomem 84% da energia do mundo, contaminando o planeta e destruindo o seu equilíbrio. (…). Os poderosos do mundo não fazem outra coisa que não agredir a natureza com um modelo capitalista baseado em padrões de produção e consumo insustentável que gera iniquidade, injustiça, pobreza e destruição. (…). …é impossível eludir o perigo iminente de um colapso ambiental que já está em marcha[1]. “(…) Querem disfarçar as mesmas fórmulas capitalistas tomando as bandeiras dos movimentos ambientalistas. (…). …trocar o direito de contaminar o mundo. (…). A mudança climática continua existindo com consequências cada vez mais devastadoras. Ainda não vemos a luz no fim do túnel[2].

Analistas apontam que o teor do discurso do mandatário venezuelano já era esperado, pois este Fórum é um espaço adequado para manter o argumento contra o capitalismo, já que a perspectiva política adotada pelo Regime Bolivariano precisa ter o inimigo comum capaz de propiciar à mobilização de massas contrárias às políticas das potências desenvolvidas, identificadas pelos bolivarianos como imperialistas e exploradores. 

Nesse sentido, acusar o capitalismo apresenta-se como essencial na alocução adotada para manter a conjectura de que o socialismo é a ideologia salvadora da humanidade, bem como os seus representantes, já que os países desenvolvidos continuam “propondo soluções capitalistas, com o velho modelo de destruição, para responder aos gravíssimos problemas que criaram nos últimos 100 anos[3] e tudo o que está ocorrendo é na realidade apenas consequência da “crise de um modelo civilizatório capitalista[3]. Sendo assim, os bolivarianos são os agentes contra os inimigos coletivos dos povos, razão pela qual precisam manter sua postura e comportamento contra estes inimigos que atuam internacionalmente pelas políticas externas das nações capitalistas e internamente pelo modelo econômico da iniciativa privada.

Esperam os observadores que o discurso de Maduro na Assembleia Geral da ONU será a continuação dessa argumentação, apontando que considera a crise política e econômica em seu país apenas o resultado da ingerência das potências capitalistas contra os bolivarianos que são, para o governante venezuelano, o baluarte na luta contra da postura dos países desenvolvidos  que adotam o modelo capitalista. 

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Imagem (Fonte):

wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=768955&tm=7&layout=121&visual=49

[2] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/09/23/interna_internacional,571924/maduro-ataca-as-potencias-poluentes-em-reuniao-da-onu.shtml

[3] Ver:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/maduro-critica-solucoes-capitalistas-a-problemas-climaticos

         

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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