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Novas informações sobre o genocídio ocorrido em Ruanda são proibidas de serem transmitidas no país

Um Documentário recém feito pela rede de televisão britânica BBC sobre o genocídio em Ruanda, em 1994, foi proibido de ser transmitido no país[1][2]. Intitulado “Rwanda, The Untold Story” (“Ruanda, A História Não Contada”), elaborado por pesquisadores americanos e britânicos, o trabalho traz uma série de dados polêmicos, como a afirmação de que a etnia Hutus e não a Tutsi, conforme afirmam as atuais versões oficiais, foi a que teve o maior número de mortos. Além disso, também aponta que o atual Presidente de Ruanda, Paul Kagame, participava do grupo que orquestrou a derrubada do avião, em 1994, que levava o então presidente Juvenal Habyarimana[1][2].

Para o Parlamento e autoridades políticas do país, o Documentário realizado pela BBC oferece riscos à estabilidade social em Ruanda. Segundo eles, sua divulgação poderia aumentar a probabilidade de levantes sociais. Além disso, as autoridades políticas recusam as novas informações trazidas, afirmando que estão, em sua grande maioria, erradas[1].

Contudo, membros da emissora inglesa e outros jornalistas acusam o Governo de Ruanda de desrespeitar a liberdade de imprensa[1][2]. Para membros da imprensa, ainda que as informações contidas no documentário sejam parcialmente corretas, restringir sua divulgação fere o direito individual de expressão e da possibilidade do cidadão conhecer novas informações sobre o genocídio que ocorreu em seu país.

Acreditamos que este programa (…) trouxe uma contribuição valiosa à compreensão geral sobre a trágica história do país e da região. (…) A mídia de Ruanda está dominada pelo governo, e boa parte das filiais locais seguem as linhas oficiais do governo. Kagame é implacável no tratamento à opositores políticos[1], afirmou David Mepham, pesquisador do Human Rights Watch.

O país desfruta de expressivo crescimento econômico desde o fim do genocídio, em 1994[3][4]. Entretanto, o incremento de renda da população local não foi acompanhado por uma expansão dos direitos individuais, à medida que brotam exemplos de casos de opressão a exilados e opositores em Ruanda[5][6]. Recentemente, Paul Kagame foi alvo de ataques por parte de membros da oposição e por órgãos internacionais acuado de levar a cabo em seu país uma política de repressão a jornalistas que apresentam opiniões distintas ao posicionamento oficial[6].

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Imagem (FonteFree Media):

http://www.freemedia.at/newssview/article/exiled-rwandan-journalist-handed-prison-sentence.html

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/media/2014/oct/24/rwanda-bans-bbc-broadcasts-genocide-documentary

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/media/2014/oct/24/bbc-rwandan-genocide-documentary

[3] VerCIA World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/rw.html

[4] VerBanco Mundial”:

http://data.worldbank.org/country/rwanda

[5] Ver:

Folha de S. Paulo: Ano 94, N° 31.050. Segunda-feira, 07/04/2014 – Caderno Mundo, página A13.

[6] VerFree Media”:

http://www.freemedia.at/newssview/article/exiled-rwandan-journalist-handed-prison-sentence.html

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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