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Novas sanções econômicas contra a Federação Russa

…vamos tratá-las como uma declaração de guerra econômica…”, foram as palavras proferidas pelo primeiro-ministro russo Dimitri Medvedev, em 10 de agosto de 2018, em detrimento da declaração realizada dois dias antes sobre a imposição de novas sanções econômicas por parte do Governo dos Estados Unidos contra a Federação Russa.

O novo embate político-econômico se deu por alegações, já apresentadas anteriormente por Washington, no que se refere ao caso Skripal, em que o ex-coronel do serviço de Inteligência do Exército russo, Serguei Skripal, e sua filha Yulia foram  vítimas, em 4 de março de 2018, na cidade de Salisbury, sul da Inglaterra, de um envenenamento por agente químico neurotóxico conhecido pelo nome de Novichok*, quando considerou-se o governo russo como principal suspeito por esse suposto atentado, que teria sido feito em retaliação aos atos de traição do ex-espião.

Aeronave da companhia aérea Aeroflot

O Kremlin repudiou veementemente as acusações de prática de terrorismo e uso de armas químicas realizadas pelos reclamantes sem o mínimo de provas auferidas e, mesmo assim, se tornou alvo de ação diplomática conjunta pela qual EUA e Inglaterra, juntamente com mais 18 países da União Europeia, além de Ucrânia, Canadá, Noruega e Austrália, decretaram a expulsão de 145 diplomatas russos de suas respectivas embaixadas. A réplica russa veio da mesma forma e intensidade em resposta aos seus agressores.

Segundo fontes internacionais, as sanções agora decretadas serão instauradas em duas fases com início em 22 de agosto de 2018, quando, num primeiro momento, haverá um processo limitador de exportações e financiamentos bancários para o país. De acordo com especialistas, esse processo poderá apresentar um impacto limitado, porque se sobrepõe em grande parte a outras restrições já em vigor, como a venda de armas para a Rússia.

Espera-se que o maior impacto das sanções iniciais venha da proibição de conceder licenças para exportar produtos sensíveis de segurança nacional para a Federação Russa, que, no passado, incluíam itens como dispositivos eletrônicos e componentes, além de equipamentos de teste e calibração de aviônicos.

Caso a Rússia não conceda garantias confiáveis de que não usará armas químicas no futuro, concordando com “inspeções in loco” pelas Nações Unidas, juntamente com a OPAQ (Organização para Proibição de Armas Químicas), após um prazo de 90 dias da data dessa sanção, haverá uma segunda rodada de sanções, considerada a mais “dolorosa”, pois poderia incluir o rebaixamento das relações diplomáticas, suspendendo a capacidade da companhia aérea estatal russa Aeroflot de voar para os Estados Unidos, bem como o corte de quase todas as exportações e importações.Em complemento a sua declaração, Medvedev deixou claro que se Washington aplicar restrições contra os bancos russos, Moscou tomará medidas econômicas e políticas, ou até mesmo outros tipos de medidas de retaliação contra os Estados Unidos.

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Nota:

* O nome novichok significa “novato” em russo e se aplica a um grupo de substâncias neurotóxicas desenvolvidas pela União Soviética nas décadas de 1970 e 1980. Elas eram conhecidas como uma arma química de quarta geração e foram desenvolvidas sob um programa soviético chamado Foliant. A existência do novichok foi revelada pelo químico Vil Mirzayanov nos anos 1990, por meio da imprensa russa. Mais tarde ele fugiu para os Estados Unidos, onde publicou a fórmula química no seu livro State Secrets (Segredos de Estado, em tradução livre). Em 1999, representantes dos EUA viajaram ao Uzbequistão para ajudar a desmontar e descontaminar um dos maiores centros de produção de armas químicas da União Soviética.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras da Rússia e da União Europeia” (Fonte):

https://sputnik.kg/images/102564/30/1025643034.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro Dimitri Medvedev” (Fonte):

https://simg.sputnik.ru/?key=29f6208de3ede7531b1ab66866bd8515578e0ca5

Imagem 3 Aeronave da companhia aérea Aeroflot” (Fonte):

http://img.20mn.fr/QpNrUmEqQLeImVmuUemfDA/480x360_un_avion_de_la_compagnie_aeroflot_a_la_havane_le_11_juillet_2013.jpg

                                                                                              

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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