As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia passam novamente por momentos de tensão. No último domingo (25 de novembro 2018), três embarcações ucranianas foram detidas por navios russos no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar Negro e o Mar de Azov, sob a alegação de que aqueles estariam invadindo o território marítimo russo. Essa justificativa foi dada pelo fato de o Estreito estar na Crimeia, região que era da Ucrânia, mas que atualmente faz parte da Federação Russa, efetivado em 2014.

O Serviço de Segurança Fronteiriça da Crimeia divulgou o seguinte comunicado: “Na manhã do dia 25, por volta de 07:00 no horário de Moscou, três navios da Marinha da Ucrânia violaram os artigos 19 e 21 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os quais definem o direito de um Estado costeiro em garantir a segurança marítima. Eles cruzaram a fronteira com o Estado russo e ilegalmente entraram no território marítimo russo que está temporariamente fechado”. Ainda de acordo com a Guarda Costeira, as embarcações ucranianas estavam realizando manobras perigosas e desobedecendo as autoridades.

Localização do estreito de Kerch

Nesse cenário apreensivo, navios russos foram liberados a abrir fogo para impedir a passagem. Vinte e quatro marinheiros a bordo das três embarcações foram detidos, dentre eles 3 teriam se ferido e estão internados em um hospital na Crimeia. Pela primeira vez, desde o início das tensões entre Ucrânia e Rússia, em 2014, ocorreu uma ofensiva militar direta entre os dois Estados, já que na Crimeia a luta é entre as forças ucranianas e os separatistas.

Diante disso, uma sessão de emergência sobre a situação foi convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde vários países demonstraram seu descontentamento quanto às ações russas. A embaixadora norte-americana, Nikki Haley, declarou que foi “uma violação ultrajante da soberania da Ucrânia. O impedimento do trânsito legal da Ucrânia através do Estreito de Kerch é uma violação do direito internacional. É um ato arrogante que a comunidade internacional deve condenar e que nunca aceitará”. Uma reunião também foi convocada pela Organização do Atlântico Norte (OTAN), em que o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia usou força militar diretamente contra a Ucrânia e, portanto, terá que lidar com as consequências de seus atos.

O Governo ucraniano alega que a Rússia realizou um ato de agressão e colocou em risco a segurança e defesa do país. Por essa razão, o presidente Petro Poroshenko recomendou a decretação da lei marcial por 30 dias, a qual foi aprovada no dia 26 (2018), segunda-feira passada, pelo Parlamento Ucraniano. Ela prevê onze medidas, dentre as quais estão a movimentação de forças de reserva, o preparo da defesa aérea de empresas estatais estratégicas e ações de cibersegurança.

A partir dessa situação, analistas acreditam que novos desafios surgirão para a comunidade internacional, já que a conciliação entre a Ucrânia e a Rússia tornou-se mais distante e complicada. É provável que o Ocidente aplique novamente sanções econômicas aos russos, mas esse instrumento de política externa está se mostrando pouco efetivo com o passar do tempo, visto que as tensões na região permanecem e agora tendem a evoluir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de manifestações nacionalistas na Ucrânia em 2013” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/ce/Euromaidan_03.JPG/200px-Euromaidan_03.JPG

Imagem 2Localização do estreito de Kerch” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estreito_de_Querche