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Novo atentado na Turquia deixa país em alerta

O primeiroministro turco Ahmet Davutoglu afirmou nesta quarta-feira, dia 14 de outubro de 2015, que acredita ser “altamente provável” que o Estado Islâmico (EI) ou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) estejam ligados ao atentado que deixou pelo menos 97 mortos em Ancara, no último sábado, dia 10 de outubro. Explicitamente em suas palavras, em declaração realizada em conferência de imprensa na capital turca: “É altamente provável que o EI ou o PKK estejam ligados aos atentados em Ancara. Uma evidência crítica [na investigação] são os resultados do teste de DNA de um dos homens-bomba[1].

No sábado, duas bombas explodiram durante uma manifestação pacífica organizada por sindicatos e organizações não-governamentais, em protesto contra a escalada do conflito entre o Estado turco e os militantes do PKK no sudeste da Turquia. Em meio a crescentes preocupações relativas à segurança, o duplo atentado conseguiu chocar o país três semanas antes das eleições legislativas. Após a perícia no local, soube-se que a explosão partira de dois homens-bomba. Um dos explosivos teria sido detonado em meio a um grupo de cidadãos sem filiação política; o outro, mais próximo a uma reunião de ativistas do Partido Democrático do Povo (HDP). Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques até o momento[2].

Segundo uma fonte anônima, os terroristas haviam sido treinados pela célula do EI em Ancara. Os jihadistas estariam agindo em retaliação ao Governo turco, que concedeu bases aéreas para os aviões da Coalizão internacional contra o EI (liderada pelos EUA), além de ter fortalecido o controle das fronteiras e realizado operações para deter os membros do grupo terrorista no país. Por outro lado, a ação terrorista na Turquia também poderia ter sido uma espécie de recado aos movimentos de esquerda, nomeadamente o HDP, formação pró-curda e, portanto, hostilizada tanto pelos setores nacionalistas turcos quanto pelo EI, que já amargurou algumas derrotas significativas para os Combatentes curdos do Iraque, conhecidos como Peshmerga. Em setembro, o HDP lançou um apelo à solidariedade e ao apoio internacional para garantir o início das negociações de paz entre Ancara e o PKK (considerado pelo Governo turco como uma organização terrorista), a fim de acabar com a escalada da violência no país. Na mesma ocasião, o HDP também acusou o Governo turco de estar deliberadamente atacando territórios curdos em vez de combater os jihadistas do EI[3].

A liderança do PKK anunciou que iria respeitar um cessar-fogo unilateral até a data das eleições na Turquia, no dia 1o de novembro. Neste contexto extremamente delicado, a declaração do Premiê turco sobre as supostas evidências em DNA do envolvimento do PKK no atentado em Ancara levanta muitas questões, além de complicar bastante as perspectivas de um diálogo entre os curdos e os representantes do Estado turco.

Segundo as autoridades do país, os homens-bomba foram identificados como Omer Deniz Dunbar e Yunus Emre Alagoz[4]. Este último seria o irmão desaparecido do homem por trás de um bombardeio em Surutch, perto da fronteira com a Síria. O ataque, realizado em julho, matou 33 pessoas, sendo a maioria composta de jovens ativistas pró-curdos que haviam se reunido para ajudar a reconstruir a cidade fronteiriça de Kobane, palco de intensos combates com o EI.

Os curdos são um grupo étnico formado por aproximadamente 25 milhões de pessoas. A região conhecida como Curdistão, que abrange partes da Turquia, do Irã, do Iraque e da Síria, busca autonomia para formar seu próprio Estado no Oriente Médio.

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Imagem (Fonte):

http://logbg.info/turskite-sili-za-sigurnost-otkriha-litchna-karta-na-zapodozryan-za-atentata-v-ankara/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/10/turkey-points-finger-isil-ankara-bombings-151012221421652.html

[2] Ver:

http://www.economist.com/news/europe/21673041-parliamentary-elections-near-turkey-descending-savage-violence-pro-kurdish-peace-rally

[3] Ver:

http://www.forbes.com/sites/melikkaylan/2015/10/12/in-turkey-the-ankara-suicide-bombing-shows-that-erdogans-party-must-go/

[4] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/turkey/11930548/Turkey-bombers-identified-police-name-brother-of-July-attack-terrorist-as-culprit.html

 

About author

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).
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