NOTAS ANALÍTICAS

Novo “Livro Branco sobre a Defesa Nacional da China”

O presidente chinês, Xi Jinping, o secretário-geral do Partido Comunista da China e o presidente da Comissão Militar Central, analisando a liberação das tropas do Exército da Marinha estacionadas em Sanya, sul da ChinaNesta terça-feira (16 de abril) a China publicou, pela oitava vez, desde 1998, o “Livro Branco sobre a Defesa Nacional” numa altura que a região vive o “espectro de guerra na Península da Coreia” e “disputas territoriais nos Mares da China Oriental (opondo a China ao Japão) e da China Meridional” (entre a China e as Filipinas, Vietnã, Malásia, Brunei e Taiwan). No mesmo, Pequim reitera que não pretende hegemonia e chama por uma maior cooperação internacional[1].

O lançamento do “Livro Branco” acontece uma semana depois do presidente Xi Jinping ter repetido o seu apelo ao Exército chinês, quando da sua visita a “Base Central de Submarinos” na Província insular de Hainan (Sul do País), para “se manter em prontidão e vencer combates”. Esta afirmação preocupa os países que disputam com a China parcelas marítimas e terrestres (como a Índia), além de outro, especialmente poucos dias após esta realizar exercícios militares junto ao “Mar da China Meridional”. Analistas prevêem uma China mais assertiva e é importante frisar que, atualmente, ela é o quinto país que mais armamento vende no mundo[2].

O aumento em 2013 do “Orçamento para a Defesa” (em cerca de 10,7%, tendência que se mantém já há alguns anos) para 116 bilhões de dólares também alarma a todos, não só os Estados vizinhos, que acusam Pequim de ter ambições militares e por não ser transparente. Atualmente, o orçamento chinês no setor é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos da América” (EUA), e representa 1,3% do “Produto Nacional Bruto”. Porém, neste mais recente “Livro Branco de Defesa Nacional”, a China aponta pela primeira vez o número total de efetivos militares que é de “850 mil”, divididos em “7 zonas militares” que agrupam “18 unidades e brigadas[3].

O “Livro Branco” igualmente salienta que a “Força Naval” Chinesa é composta por “235 mil militares em 3 frotas” (duas no Norte e uma no Sul) e conta desde 2012 com um porta-aviões, “Liaoning”. A “Força Aérea” é composta de 398 mil” membros com bases e divisões aéreas, brigadas de mísseis terra-ar e brigadas de radar. As tropas da “Segunda Artilharia do Exército de Libertação Popular” estão equipadas com os mísseis balísticos “Dongfeng” (“Vento do Leste”) e mísseis de cruzeiro “Changjian” (“Longa Espada”).

O Documento nota ainda o papel que a China faz ao nível humanitário, por exemplo, diz que contribui mais do que outro país membro do “Conselho de Segurança da ONU” nas “Missões de Paz”. Por outro lado, condena as novas alianças militares e a expansão militar na Ásia-Pacífico promovidas pelos EUA. Os chineses acusam os EUA de atiçarem os países com que tem disputas territoriais e enquadra este engajamento norte-americano ao “Rebalance” ou “Pivot to Asia”, termos em inglês da “Política Asiática de Obama” desde finais de 2011, que, segundo Pequim, visa “conter a sua ascensão” e criar tensão na região[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.bjd.com.cn/10beijingnews/201304/12/t20130412_3646642.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-04/16/c_132312681.htm

[2] Ver:

http://articles.washingtonpost.com/2013-04-11/world/38449864_1_south-china-sea-koregaon-park-jinggangshan

[3] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-04/16/c_132312449.htm

[4] Ver:

http://www.guardian.co.uk/world/2013/apr/16/china-blasts-us-asia-pacific

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Ver também:

http://cctv.cntv.cn/lm/dialogue/01/index.shtml

Ver também:

http://portuguese.cri.cn/561/2013/04/16/1s165405.htm

Ver também:

http://www.reuters.com/article/2013/03/05/us-china-parliament-defence-idUSBRE92403620130305

About author

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.
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