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Novos Assentamentos ameaçam as “Negociações de Paz” entre Israel e a Palestina

Israel e Palestina acabam de entrar num momento decisivo para a continuação das “Negociações de Paz”. No último domingo, Israel anunciou a libertação de vinte e seis prisioneiros palestinos, o que veio a acontecer na terça-feira, 13 de agosto, como parte do acordo inicial com a Palestina mediado pelo “Secretário de Estado Norte-Americano”, John Kerry. A notícia desagradou aos israelenses que não são favoráveis a essa cláusula do Acordo, principalmente aqueles que têm membros da família entre as vítimas da violência em decorrência do conflito[1]. Neste momento delicado, o Governo de Israel anunciou a construção de novos assentamentos que, em contrapartida, contam com a desaprovação dos palestinos[2].

Ao mesmo tempo que Israel cumpre com uma das exigências da Palestina para a reabertura das negociações de paz, a construção de novos assentamentos ameaça o sucesso dessas mesmas negociações, em virtude de esta ser uma questão inaceitável pelos palestinos. Após longos anos de conflito, as necessidades dos dois povos tornaram-se divergentes e ambos têm procurado executar os pontos considerados essenciais para cada um deles, o que tem contribuído para o alargamento do conflito e comprometido o processo de paz.

Para além das questões internas entre Israel e a Palestina, o “Primeiro-Ministro israelense”, Benjamin Netanyahu, alertou, na última segunda-feira, o “Ministro das Relações Exteriores da Alemanha”, Guido Westerwelle, sobre os riscos que as novas orientações da União Europeia em relação aos assentamentos israelenses podem acarretar para processo de paz recentemente reiniciado com a Palestina[3].

As diretivas da “União Europeia”, que entrarão em vigor a partir de janeiro de 2014, proíbem os vários tipos de negociações dos Estados membros com entidades israelenses que estejam localizadas para além da “Linha Verde” ou das fronteiras pós 1967[4]. Para Benjamin Netanyahu, a posição do Bloco europeu faz com que se fortaleçam as reivindicações palestinas, situação que pode dificultar ainda mais o processo de paz entre os dois povos. Segundo o Primeiro-Ministro, o entendimento entre Israel e a Palestina não pode partir de fora, mas somente da disposição das partes, no “Oriente Médio[5].

Israel e a Palestina têm se mostrado dispostos a levar adiante o processo de paz. Neste momento, cabe aos envolvidos assumir a consciência de que enfrentarão as oposições internas e, ao mesmo tempo, terão que fazer as concessões necessárias para revitalizar as negociações e chegar ao entendimento. A superação dos obstáculos para a resolução do conflito é a ferramenta capaz de abrir caminho para Israel e Palestina em direção a um novo modo de vida, que permita a existência de cidadanias definidas a partir da concretização da paz efetiva e duradoura.

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Imagem (Fonte):

http://www.al-monitor.com/files/live/sites/almonitor/files/contributed/jnt_news_kerry-economic-plan-palestine-israel/Peres.Kerry.Abbas.jpg?t=thumbnail_578

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=620693

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/israel-aponta-palestinos-a-serem-libertados-antes-de-negociacao-de-paz.html

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.541083

[4] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Netanyahu-EU-settlement-directives-undermining-peace-322815

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Netanyahu-EU-settlement-directives-undermining-peace-322815

                

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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