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Novos Impasses Israelo-Palestinos para a “Retomada das Negociações de Paz”

As negociações para a paz entre Israel e a Palestina estão congeladas desde setembro de 2010, devido ao fato de, na época, Israel se ter recusado a parar com a construção dos assentamentos nos territórios ocupados, conforme declarou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon[1]. No momento, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tenta reativar as negociações para a paz entre Israel e a Palestina, mas, conforme vem sendo apresentado por observadores e analistas internacionais, esta não será uma missão fácil, pois as exigências estão presentes em ambos os lados, o que acaba por comprometer as futuras negociações.

O retorno às negociações para a paz esbarra na intransigência de Israel e da Palestina que, desde o princípio, procuram satisfazer as suas condições. A Palestina, que se encontra internamente dividida entre a Fatah e o Hamas, enfrenta dupla solicitação, ou seja, manter os seus objetivos sem dissuadir Israel a desistir das negociações e conseguir conciliar as duas posições internas divergentes para sentar à mesa das negociações em nome de uma Palestina única. Israel, por sua vez, afirma pretender voltar às negociações, mas sem condições prévias por parte da Palestina[2]. Porém, esta última não tem dado mostras de abrir mão de reivindicações antigas como condição para reiniciar as conversas para um possível acordo de paz com Israel.

Segundo lideranças palestinas, as futuras negociações incluem questões como o retorno dos refugiados, o regresso às fronteiras anteriores a 1967, o fim dos assentamentos e o estabelecimento do Estado palestino com capital em Jerusalém[3]. Paralelamente às antigas reivindicações palestinas, estão presentes a rejeição de Israel a tais reivindicações, as críticas de líderes do Hamas a Israel e, também, ao Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Desde já, para os líderes do Hamas, as negociações para a paz estão “condenadas ao fracasso”, uma vez que John Kerry não apresentou, de fato, uma solução para a crise que está em curso. Do mesmo modo, o Hamas recusa o plano de paz proposto pelos países árabes, que propõem a troca de terra por paz, o que é rejeitado por este Partido político, que considera os intervenientes como “forasteiros”, sem capacidade para decidir o destino da Palestina[4], responsabilizando Mahmoud Abbas por ter aceitado fazer a troca de terras com Israel[5] e, deste modo, ter provocado a atitude “suave” dos Estados árabes quando elaboraram a sua proposta de paz.

Enquanto se tenta preparar as iniciativas para reiniciar as negociações para a paz, os obstáculos multiplicam-se, obstruindo as possibilidades de um entendimento entre Israel e a Palestina. Para o Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, as condições prévias exigidas pela Palestina são um “obstáculo intransponível[6]. Enquanto o impasse permanece, somente a superação dos diversos entraves às negociações tornará possível a efetivação de um acordo de paz duradouro, situação que nunca foi acertada entre Israel e a Palestina pois, até hoje, apenas houve tréguas, estabelecidas com diferentes graus de precariedade.

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Imagem (Fonte):

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Israeli_and_Palestinian_Flags.png

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.onu.org.br/o-processo-de-paz-no-oriente-medio-esta-congelado-diz-ban-ki-moon/

[2] Ver:

http://www.timesofisrael.com/report-kerry-bound-for-israel-next-week/

[3] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Barghouti-US-not-an-honest-broker-peace-talks-deadlocked-315972

[4] Ver:

http://www.islamicinvitationturkey.com/2013/05/05/mashaal-revive-the-israeli-palestinian-peace-talks-doomed-to-failure/

[5] Ver:

http://www.islamicinvitationturkey.com/2013/05/05/mashaal-revive-the-israeli-palestinian-peace-talks-doomed-to-failure/

[6] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=603784

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About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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