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Novos problemas na Palestina após a demissão do Primeiro-Ministro

A Palestina, apesar dos enormes problemas que a assolam (que vão desde a disputa territorial com Israel a problemas econômicos e sociais) encontra-se envolvida em sérias questões políticas e de corrupção internas que se arrastam há bastante tempo. Em abril de 2013, o renomado economista Salam Fayyad demitiu-se do cargo de Primeiro-Ministro por divergências que envolvem a luta pelo poder[1]. Para substituí-lo, o “Presidente da Autoridade Nacional Palestina” (ANP), Mahmoud Abbas, nomeou Rami Hamdallah, um acadêmico e Presidente da “Universidade Nacional An-Najah”, em Nablus.

Rami Hamdallah é considerado um político independente e foi escolhido por Mahmoud Abbas na expectativa de que o novo Primeiro-Ministro estivesse à altura do seu antecessor que era, segundo informações, muito considerado pela comunidade internacional, principalmente pelos países ocidentais que são apoiadores e financiadores do esforço palestino na Cisjordânia. Mahmoud Abbas foi criterioso ao escolher o novo “Chefe de Governo”, sendo que tais critérios também envolvem o fato de que, segundo especialistas, a Fatah necessita de resgatar a credibilidade na sequência de sérias acusações de corrupção[2]. Contudo, o escolhido, há menos de duas semanas, demitiu-se pelo mesmo motivo do seu antecessor. Em menos de três meses, a ANP teve dois Primeiros-Ministros demissionários devido à disputa pelo poder[3] que envolve os políticos da Fatah.

O mais recente Primeiro-Ministro demissionário permanecerá no Governo até que um outro dignitário seja indigitado. Neste momento, a ANP passa por uma certa desorganização. É uma fase delicada por ser o momento em que, segundo informações, os EUA fazem pressão para retomar as negociações de paz entre Israel e a Palestina[4]. Ao mesmo tempo que existe pressão externa, Mahmoud Abbas terá que atender a demanda interna e, ainda, buscar um governo de unidade com o Hamas. Desde 2007, quando a Palestina passou por uma rápida “Guerra Civil” entre o partido secular, a Fatah, e o partido islâmico, o Hamas, ela vive uma divisão política interna e, de então, não tiveram lugar eleições nacionais. Mahmoud Abbas possui um auto-governo limitado à parte Ocidental, enquanto o Hamas governa a “Faixa de Gaza[5].

No momento, vive-se a expectativa de um governo de unidade entre a Fatah e o Hamas, como parte do Acordo assinado entre os dois partidos. Contudo, para a sua efetivação, torna-se cada vez mais urgente o fim da divisão política no seio da ANP. No prazo de trinta e cinco dias, oPresidente da ANPvoltará a nomear um outro Primeiro-Ministro, que terá como prioridade atender as necessidades não só de ordem econômica e social mas, também, trabalhar no sentido de promover a unidade nacional palestina e participar nas conversações para a efetivação de futuras negociações para a paz com Israel. Estes são, em realidade, desafios primordiais para a Palestina enquanto nação que deseja ascender ao estatuto de Estado reconhecido pela comunidade internacional.

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Imagem (Fonte):

http://beta.livemint.com/rf/Image-621×414/LiveMint/Period1/2013/06/04/Photos/rami_hamdallah–621×414.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=607189

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/06/20/us-palestinians-resignation-idUSBRE95J0MI20130620

[3] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=607740

[4] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/2013/06/23/rami-hamdallah-resignation-accepted-abbas_n_3487083.html

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/06/20/us-palestinians-resignation-idUSBRE95J0MI20130620

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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