NOTAS ANALÍTICASTecnologia

NSA pesquisa sobre o potencial uso da “Internet das Coisas” em suas técnicas de monitoramento e espionagem

Na última sexta-feira, 10 de junho, em uma conferência sobre tecnologia militar em Washington, Richard Leggett, o Diretor Adjunto da NSA (Agência de Segurança Nacional norte-americana), afirmou que a Agência tem “observado teoricamente e estudado” a exploração da “Internet das Coisas” como oportunidades para coletar inteligência estrangeira. O termo refere-se ao caráter interconectado dos inúmeros aparelhos eletrônicos do nosso dia a dia, desde smartTVs, smartphones, smartwatches, até babás eletrônicas e dispositivos médicos, como marca-passos, os quais estão interconectados e/ou conectados a Internet.

Seguindo as tendências dos mercados de eletroeletrônicos e os próprios estilos de vida da atualidade, a “Internet das Coisas” é uma teia de dispositivos, informações de usuários e metadata que cresce cada vez mais, com sensores, aparelhos de GPS etc., o que representa novas oportunidades para o monitoramento e espionagem desenvolvido pela NSA.

Essas novas oportunidades são interessantes e extremamente estratégicas para a NSA, tendo em vista os meios de evitar o monitoramento e manter a privacidade dos usuários que vem crescendo em smartphones e aplicativos, como, por exemplo, o Whatsapp, que passou a adotar a criptografia nas suas mensagens entre seus mais de um bilhão de usuários espalhados no mundo.

Em sua constante busca para aprimorar e aumentar seu sistema de vigilância na Internet, a NSA se vê obrigada e buscar meios alternativos para expandir. Isso é complementado por afirmações do Chefe de Inteligência, James Clapper, de que dispositivos interconectados podem ser úteis para “identificação, vigilância, monitoramento, rastreamento de localização, alvos de recrutamento ou ganhar acesso a redes ou credenciais”.

Sem dúvida, a Internet das Coisas poderia complementar a tradicional espionagem na rede, até por se tratar de aparelhos que já estão tão inseridos no nosso cotidiano, que muitas vezes deixamos de considerar o quanto a nossa vida é observada e/ou quantificada por eles. E o monitoramento da “Internet das Coisas” facilitaria também a espionagem de usuários que não são americanos, novamente, expandindo o escopo da espionagem estadunidense para cidadãos de outros países do mundo.

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Imagem (Fonte):

https://pixabay.com/en/network-iot-internet-of-things-782707/

About author

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.
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