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O Acordo EFTA-MERCOSUL e a posição da Noruega

Nas últimas semanas a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) chegaram a um consenso e decidiram pela realização de um Acordo de Livre Comércio. A notícia trouxe ânimo nos mercados de ambos os Blocos, e proporcionou a expectativa de crescimento nos Estados sul-americanos. Esse acordo é resultante de décadas de negociação e, apesar de ainda não ter sido ratificado pelos respectivos países, mostrou-se uma conquista. Cabe, agora, aguardar o desdobramento da questão ambiental brasileira a qual tem recebido críticas de vários Estados-membros da UE.

Em meio a discursos de declinação do acordo UE-MERCOSUL por parte de alguns países europeus, preocupados com as causas das queimadas que ocorrem na Amazônia brasileira, o MERCOSUL alcançou mais uma possibilidade de negócios, pois, foram concluídas as conversações entre a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês para European Free Trade Association) e o MERCOSUL, os quais farão um acordo de livre comércio.

Bandeira do MERCOSUL

O Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o EFTA-MERCOSUL teve concretização em Buenos Aires, Argentina, no encontro de ambas as delegações, entre os dias 20-23 de agosto deste ano (2019). O TLC possui o potencial de aumentar o fluxo comercial, permitindo a abertura e expansão de novos negócios entre os países-parte. Juntamente com o acordo da UE, o EFTA traz pela primeira vez na história a possibilidade de um continente realizar um TLC com um Bloco econômico da América do Sul.

O EFTA é formado pela Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, os quais não fazem parte da UE. A Noruega é um dos mercados de maior destaque do grupo, haja vista as suas exportações de frutos do mar, fertilizantes e maquinarias, as quais representaram a cifra de NOK 5,5 bilhões em 2018 (US$ 602,625,000.00, ou o equivalente a R$ 2.517.040.000,00, conforme a cotação do dia 4 de setembro de 2019), e a expectativa para os próximos 10 anos é que o fluxo entre Noruega-MERCOSUL possa ser da cifra de NOK 8,8 bilhões (US$ 964,200,000.00, ou o equivalente a R$ 4.027.260.000,00 também conforme a cotação do dia 4 de setembro de 2019).

O site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega trouxe a declaração do Ministro norueguês do Comércio e Indústria, Torbjørn Røe Isaksen, sobre o tema, o qual afirmou: “Os acordos de livre comércio significam um aumento das exportações para empresas norueguesas e ajudam a garantir empregos em toda a Noruega. O acordo com o Mercosul também dispõe sobre comércio e desenvolvimento sustentável, como mudanças climáticas, proteção ambiental e direitos trabalhistas. Uma das principais preocupações da Noruega era o compromisso de combater a extração ilegal de madeira. Estou satisfeito com os resultados dessas negociações.

Os analistas entendem que o acordo EFTA-MERCOSUL poderá beneficiar ambos os países dos Blocos, sobretudo, nesse aspecto, para Argentina, Brasil e Noruega, os quais possuem as economias mais robustas de suas regiões. Diversos setores poderão desfrutar do TLC e da dinâmica econômica, todavia, ressalta-se como projeção a ampliação de conversas futuras entre os Blocos sobre as commodities*, às quais obtiveram dos noruegueses somente aumento de cota e pequenas reduções tarifárias.

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Nota:

* Commodities: geralmente são matérias-primas produzidas em escala e estocadas sem perda da qualidade. Exemplos: petróleo, café, soja, ouro, peixe.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do EFTA” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/89/EFTA-logo_No_outline_With_Lines-01.png/1280px-EFTA-logo_No_outline_With_Lines-01.png

Imagem 2 Bandeira do MERCOSUL”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d2/Flag_of_Mercosur_%28Portuguese%29.svg/1280px-Flag_of_Mercosur_%28Portuguese%29.svg.png

About author

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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