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O Avanço da desigualdade na Europa e no Mundo

Um Relatório tratando da crescente desigualdade entre ricos e pobres, realizado pela organização não governamental Oxfam e publicado no dia 18 de janeiro, com o motivo do Foro Econômico anual de Davos, faz um alerta importante para a comunidade internacional: de acordo com o documento, 62 pessoas no mundo possuem uma riqueza superior a 3,6 bilhões de pessoas. A lista inclui bilionários de diversas nacionalidades, mas com predominância de empresários de países desenvolvidos e alguns emergentes.

O aumento da desigualdade e da concentração de riqueza tem sido debatido nos últimos anos em conferências internacionais e por diversos autores, embora, na prática, tenham ocorrido poucas ações que busquem solucionar o problema, uma vez que há importantes interesses dos atores implicados que entram em cena, além de incompatibilidade entre as diversas visões de mundo e suas concepções políticas e econômicas. Porém, ao contrário do que se pensa, a desigualdade não é exclusiva dos Estados subdesenvolvidos ou dos emergentes. Muitos países desenvolvidos enfrentam o problema.

Na Europa, segundo informe do Banco suíço Julius Baer, 10% da população possui mais da metade da riqueza de todo o continente e a crise econômica enfrentada pelo Bloco promoveu um incremento da desigualdade. Em lugares como a Espanha, durante a crise, a população mais rica aumentou sua renda frente a perda de poder econômico da população mais pobre, que foi duramente afetada pelas rígidas políticas de austeridade. O mesmo ocorreu na Grécia e na Itália. Ou seja, a pobreza começa também a afetar os países desenvolvidos. Ainda na Europa, existem 123 milhões de pessoas que vivem na pobreza e, nos Estados Unidos, mais de 46 milhões de norte-americanos são pobres

Certo é que há muitas formas de medir e classificar a pobreza, não ocorrendo realmente um consenso em relação a mesma. Muitos Estados estabelecem o índice de pobreza quando os rendimentos de uma pessoa são inferiores aos 60% da média nacional, o que, sem dúvidas pode gerar uma série de controvérsias e assimetrias, pois é mais fácil quantificar a concentração de renda de um pequeno grupo do que classificar as múltiplas dimensões que compõe a renda de grande parte da população.

Por outro lado, é visível em quase todos os países a estagnação salarial, o aumento do endividamento familiar e a redução do poder de compra médio da população, ou seja, mesmo existindo uma redução da pobreza extrema, a diferença entre o cidadão médio e o rico é cada vez maior e mais perceptível.

Certo é que um dos efeitos da expansão do capital e da globalização é a concentração da atividade financeira e produtiva em poucos players, produzindo uma constante aglomeração perceptível em todos os níveis, que, por sua vez, conforme o avanço da própria expansão do capital, reduz o ritmo de crescimento do mesmo.

Observando desta perspectiva, pode-se entender o lento crescimento projetado para a economia mundial neste ano (2016). Da mesma forma, entende-se o fato de que os maiores índices de crescimento estão localizados em países onde o capital financeiro está em plena expansão (Quênia, Uzbequistão, Butão etc.), com a redução da economia ou um crescimento menor em países já inseridos no sistema global. Também se compreende os problemas de consolidação do capitalismo, o qual, mesmo sendo o grande vencedor do século XX, paradoxalmente sofre com os efeitos de sua própria expansão e da interdependência que gerou. Somente assim é possível compreender como apenas 62 pessoas controlam grande parte dos recursos econômicos e dos fluxos financeiros do mundo inteiro e como a desigualdade em todas as suas faces ainda é um mal constante para o ser humano.

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Imagem (Fonte):

http://www.gazetadopovo.com.br/ra/grande/Pub/GP/p3/2012/08/22/Mundo/Imagens/favela_paraisopolis_2208doze.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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