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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O cenário político da Bolívia em 2016: expectativas para a transformação

O ano de 2016 será peculiar para a política boliviana. No próximo mês (Fevereiro), o Governo fará um Referendo para que a população decida, ou não, pela possibilidade de o presidente Evo Morales disputar a quarta Eleição Presidencial no país. Caso o líder boliviano venha a ser vitorioso, governará até 2025. Inicialmente, o mandato presidencial na Bolívia era de uma única eleição, podendo o Presidente disputar a reeleição. Em 2009, pela reforma constitucional, Morales pôde concorrer para o seu terceiro mandado, situação que acabou acontecendo.

No ano passado (2015), uma pesquisa feita pela Captura Consulting indicou que 79% dos bolivianos aprovam sua gestão. Em um estudo realizado pela consultoria Equipos Mori, 41% dos bolivianos, contra 37%, apoiam a ideia do Referendo em fevereiro. No entanto, ainda é cedo para comemorarem aqueles que defendem o Presidente. Em recente pesquisa divulgada na imprensa boliviana, 53% dos bolivianos rejeitam uma nova reeleição de Evo Morales e 54% discordam da possibilidade de mudança na Constituição.  

Indagado sobre a pesquisa, Morales mostrou tranquilidade, afirmando que ele e a sua equipe já fizeram história no país. A estratégia do Governo para que o Referendo seja aprovado, será construir um discurso que ressalta a melhoria das condições sociais e a diminuição da pobreza. A oposição, por outro lado, tem marcado presença no debate político, afirmando que um novo Governo Morales vai contra os princípios de um Estado de Direito e de uma sociedade democrática.

Até aqui, as discussões sobre os caminhos da política boliviana parecem refletir no cenário externo. A queda de popularidade dos governos sul-americanos mais à esquerda no espectro ideológico tem se tornado munição para os críticos ao Governo. A baixa popularidade da presidente brasileira Dilma Rousseff e do venezuelano Nicolás Maduro, a vitória do argentino Maurício Macri, vem afetando o debate político na Bolívia. Leonardo Loza,  presidente do Partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), afirmou que não acredita que acontecerá no país o mesmo que vem acontecendo nos Estados vizinhos. Ainda de acordo com ele, a representação dos movimentos sociais e da sociedade mais pobre são os diferenciais para que “os humildes e trabalhadores” governem para sempre a Bolívia.

Em outra declaração, o presidente Evo Morales acusou EUA de financiar a oposição ao seu Governo e trabalhar para que o Referendo não seja aprovado. Não apenas na Bolívia, mas em todos os países sul-americanos com Presidentes de esquerda, os EUA exercem alguma influência, acredita Morales. Ele se referiu a políticos de oposição de vivem nos EUA como “delinquentes” e “corruptos”.

Portanto, o que se pode afirmar é que, tanto para a Oposição quanto para o Governo, o ano de 2016 será de grandes expectativas para a transformação. No caso dos primeiros, o horizonte para o fim da Era Morales já pode estar aparecendo. Uma vitória no próximo mês conferiria à Oposição um fortalecimento do seu discurso e maior possibilidade de conseguir o poder em 2020, ano de eleição na Bolívia. Já para os apoiadores de Evo Morales, é fundamental a aprovação do Referendo para que o Governo continue a transformar o país. Destarte, a grande pergunta é: qual transformação corresponde com os anseios da sociedade boliviana? Até aqui, fica a expectativa, em primeiro lugar, por disputas de projetos e não apenas por poder político.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3a/Evo_Morales.jpg/564px-Evo_Morales.jpg

About author

Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e Pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisa de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (NEPRI/UFU).
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