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O Conselho dos Países do Golfo frente à crise com o Qatar

O Conselho dos Países do Golfo realizou entre o dia 30 de maio e 1o de junho uma série reuniões na cidade sagrada de Meca, para responder ao que considera uma inquietante situação para a segurança da região. Dentre os fatos que elege como mais preocupantes, estão o ataque de milícias Houthi a um oleoduto saudita no Iêmen e a sabotagem coordenada de 4 cargueiros dos Emirados Árabes Unidos.

O encontro acontece em um momento em que vários desafios se apresentam para a região, como decidir a política de segurança frente às mudanças no posicionamento de países como a Turquia e o Irã. Também marca dois anos de um grande problema que é o embargo ao Qatar.

Quando o grupo conhecido como o Quarteto (Arábia Saudita, Barein, Emirados Árabes Unidos e Egito) anunciou o embargo, a situação parecia complicada para o governo em Doha. Um dos menores países da região, apesar de extremamente rico, via-se alijado de aliados próximos.

Entretanto, enfrentando a pressão política de seus vizinhos, o Qatar mostrou uma resiliência que não era esperada e saiu fortalecido. Para tanto, necessitou buscar uma série de políticas próprias, bem como encontrou maiores similitudes com novos aliados.

Após o Quarteto declarar o bloqueio, o apoio iraniano mostrou-se essencial para a manutenção de certos aspectos logísticos. Dentre outros, a aliança com o vizinho e a Turquia permitiu ao país manter o acesso a alimentos e produtos perecíveis, bem como facilitar a transferência de operações ao porto de Hamad.

A declaração final dos encontros trouxe sérias críticas ao Irã, ao afirmar que o país possui papel central na instabilidade regional ao financiar grupos armados, e declarou ser necessário alinhamento aos Estados Unidos para prevenir o desenvolvimento de seu programa nuclear. Tanto o Qatar quanto o Iraque se opuseram ao texto, bem como à posição dos Estados vizinhos quanto ao tema.

Doha e Teerã têm experimentado o período de maior entendimento diplomático em sua história, com reabertura de embaixadas e voos regulares, por exemplo. Entretanto, para além da renovada simpatia com o país dos aiatolás, uma posição mais independente e crítica à política saudita mostrou-se determinante.

O Ministro das Relações Exteriores do Qatar, Sheik Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, declarou não ser possível endossar a proposta porque esta “condena o Irã, mas não propõe uma política moderada para dialogar com Teerã”. Também criticaram o alinhamento dos vizinhos com os interesses dos Estados Unidos na região. Al Thani ponderou que não está no interesse dos Estados do Golfo adotar “a política de Washington em relação ao Irã e não uma que leva a vizinhança em consideração”.

O Rei Salman bin Abdulaziz al Saudi, presidindo a mesa de abertura no encontro do Conselho dos Países do Golfo

Os sauditas se pronunciaram condenando o posicionamento dos vizinhos. Ao sediar uma conferência na Cidade Sagrada, esperavam encontrar mais coesão nas posições do grupo.

Frente à negativa do Qatar, o Ministro das Relações Exteriores Saudita, Abdel al-Jubeir declarou que, “de acordo aos costumes, anunciam-se restrições a conferências durante o espaço das reuniões, não após as mesmas”. Anwar Gargash, Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes, acusou Doha de ser “débil frente à pressão do Irã”.

Frente à declaração de seus pares, Sheik Mohammed Al Thani reiterou que “eles estão mantendo a mesma política que não funcionou nos últimos três anos, acreditamos que é o momento de mudar”. Também expressou reservas à validade das demandas no fórum, ao questionar que “o comunicado da Conselho do Golfo falou sobre um Golfo unificado, mas onde ele está em meio à continuação do bloqueio do Catar?

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mesa de discussão nos Debates de Meca, ocorridos no final de Maio e primeiros dias de Junho” (FontePágina Oficial do Conselho dos Países do Golfo): https://www.gcc-sg.org/ar-sa/MediaCenter/NewsCooperation/News/PublishingImages/News-Pics/%D8%A7%D9%84%D9%85%D8%A4%D8%AA%D9%85%D8%B1%20%D8%A7%D9%84%D8%B5%D8%AD%D9%81%D9%8A.JPG

Imagem 2O Rei Salman bin Abdulaziz al Saudi, presidindo a mesa de abertura no encontro do Conselho dos Países do Golfo” (FonteTwitter do ministro das Relações Exteriores Saudita, Adel al-Jubeir): https://twitter.com/AdelAljubeir/status/1134672364199993344

About author

É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, atualmente é mestrando em História, Política e Bens Culturais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Integrou o Grupo de Estudos de Segurança Internacional (GEDES) na condição de pesquisador, onde também colaborou como redator do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas. Como pesquisador da Rede de Segurança e Defesa da América Latina desenvolveu trabalho na área de segurança pública, defesa e manutenção da paz. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a reconstrução do Estado no Iraque. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre a política e dinâmica regional do Oriente Médio.
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