NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O “Dossiê Nuclear” e as tensões entre Israel e o Irã

O “Programa Nuclear Iraniano” começou na década de 1950 e a sua origem remonta ao regime do xá Mohammad Reza Pahlavi. Inicialmente, ele fez parte do programa “Átomos para a Paz”, tendo recebido a ajuda dos Estados Unidos, pois o Irã integrava o grupo de países que assinaram o “Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares[1].

Após a “Revolução Islâmica”, em 1979, o Projeto caiu no esquecimento durante um tempo mas, depois, foi retomado sem o auxílio do Ocidente. Hoje, o “Programa Nuclear” é administrado pela “Organização de Energia Atômica do Irã”, tendo recebido um novo impulso a partir de 1995, quando o país fez um acordo com a Rússia, para concluir a usina nuclear “Bushehr I”, o que não se efetivou. Porém, a partir de 2005, com a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, começaram as preocupações de Israel e do Ocidente em relação ao programa iraniano, embora o Irã sempre tenha afirmado que tem objetivos pacíficos e civis, isto é, que a energia nuclear visa ser aplicada na Medicina e na produção energia elétrica.

Nos últimos tempos, têm aumentado as preocupações de Israel em relação Projeto ante a desconfiança de haver interesses militares no uso de material atômico por parte do Irã. Em setembro de 2012, em discurso proferido na “Assembleia Geral da ONU”, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, desenhou uma “linha vermelha” para ilustrar o limite de aceitação do desenvolvimento nuclear do Irã por Israel.

Recentemente, Netanyahu disse que o Irã está se aproximando dessa “linha vermelha”, embora o Irã sempre tenha negado o interesse militar no “Dossiê Nuclear”, havendo, contudo, momentos em que o país eleva o tom do discurso em relação a Israel e ao Ocidente[2].

A desconfiança é de mão dupla e paira sobre Israel, o Irã e o Ocidente enquanto que as sanções do “Conselho de Segurança da ONU”, aplicadas ao Irã, parecem não ter surtido o efeito esperado. Segundo aAgência Internacional de Energia Atômica, o Irã começou a instalação de 180 centrífugas avançadas na usina nuclear de Natanz, o que eleva a preocupação de Israel e do Ocidente, pois os especialistas consideram que essas centrífugas têm potencial para enriquecer material com capacidade para ser usado em bombas atômicas[3].

Enquanto persiste a desconfiança de Israel em relação à possibilidade de um Irã nuclear, aumentam as tensões entre os dois países, fato que exige habilidades diplomáticas para evitar que se ultrapasse a border line. O restabelecimento do diálogo em torno de um possível acordo será benéfico para ambas as partes e, por extensão, ao “Oriente Médio” e demais regiões do globo.

—————————————-

Imagem (Fonte):

https://ceiri.news/wp-content/uploads/2013/05/26.09.08.Iran.nuclear.gif

—————————————-

Fontes consultadas:

[1] Ver:

ANTHONY C. CAIN. Iran’s Strategic Culture and Weapons of Mass Destruction – Implications for US Policy. Maxwell: Air War College – Air University, 2002.

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/netanyahu-iran-hasn-t-crossed-nuclear-red-line-but-is-approaching-it-systematically-1.518213

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-21537206

Enhanced by Zemanta

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
Related posts
NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Soldado embriagado na República Democrática do Congo mata 12 civis

Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

ONU relata violação aos Direitos Humanos em áreas de Mineração na Venezuela

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

“Ágil, Eficiente e Responsável”: a nova fórmula para a FAO

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Primeira-Ministra do Gabão: novidade histórica

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!
Powered by