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O estreitamento das relações China – Rússia

No dia 25 de abril, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou à China para participar do Segundo Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional. Mais de 30 líderes de diferentes países encontraram-se em Beijing para esse Encontro que reúne iniciativas do Cinturão Econômico da Rota da Seda e da Rota da Seda Marítima do século XXI. Embora o foco da delegação russa fosse essa Conferência multilateral, Putin realizou também reuniões bilaterais, inclusive com o presidente chinês Xi Jinping.

O foco da conversa dos dois líderes foi o avanço das relações econômicas e comerciais entre seus países. Em 2018, o comércio cresceu 24,5%, totalizando um recorde de 108 bilhões de dólares (aproximadamente, 425,1 bilhões de reais, conforme cotação de 30 de abril de 2019), valor que ultrapassou as expectativas estabelecidas de 100 bilhões de dólares (em torno de 393,6 bilhões de reais, de acordo com a mesma cotação). O estreitamento da diplomacia foi igualmente colocado em pauta, visto que este ano (2019) é o aniversário de 70 anos das relações entre China e Rússia. Sobre isso, Putin destacou que “a Rússia está determinada a expandir a parceria estratégica com a China em todas as áreas, como sempre esteve ao longo das últimas décadas”.

Outra questão discutida foi a crise que a Venezuela vem enfrentando ao longo dos últimos meses. China e Rússia são dois dos poucos países no mundo que demonstram apoio ao presidente Nicolas Maduro, enquanto que Estados Unidos, membros do Grupo de Lima (excluindo o México), a Organização dos Estados Americanos e a maioria dos países da União Europeia apoiam o líder da oposição, Juan Guaidó. Diante desse cenário, Xi Jinping e Putin destacaram que a pressão externa para que seja adotado o uso da força para depor Maduro é inaceitável.

Durante a reunião bilateral entre a delegação russa e a delegação chinesa

De acordo com o porta-voz russo do Kremlin, Dmitry Peskov, “tanto os chineses quanto o nosso líder [Putin] destacaram que é totalmente inaceitável quando tentam derrubar autoridades em um terceiro país, quando tenta-se o uso da força e a pressão internacional ilegal contra um Estado soberano”. Peskov destacou que ambos os presidentes concordam que o próprio povo venezuelano deve decidir sobre o futuro do seu país, não sendo aceitável a interferência de outros Estados.

A partir do Encontro de Putin e Xi Jinping, especialistas apontam que as relações entre os dois países se encontram numa posição positiva. Um dos resultados direto dessa aproximação foi o anúncio da criação de um fundo denominado em Yuan (moeda chinesa) para investimentos conjuntos no dia 28 de abril. De acordo com o comunicado liberado pelo Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF), “o Fundo foca principalmente no investimento em projetos estrategicamente importantes na Rússia e na China em igual proporção, colocando-se como o primeiro e mais importante exemplo de implementação de cooperação regional entre dois países (região de Moscou, extremo-leste e nordeste da China). Para projetos chineses, será dado maior foco a projetos relacionados com a Nova Rota da Seda e outros setores em perspectiva”.

A partir de observações de analistas internacionais, percebe-se que China e Rússia estão paulatinamente criando condições para que a cooperação bilateral entre eles evolua para questões maiores, como a possibilidade de maior protagonismo mundial em áreas como diplomacia, finanças e comércio internacional.

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Notas:

* 108 bilhões de dólares, pela cotação do dia 30 de abril de 2019 equivale a, aproximadamente, 425,1 bilhões de reais.

** 100 bilhões de dólares pela cotação do dia 30 de abril de 2019 equivale a, aproximadamente, 393,6 bilhões de reais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Presidente da China, Xi Jinping, antes da conversa bilateral” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/UB7yKAsnrCbQiiBAasY5NGcvfSY356Dj.jpg

Imagem 2Durante a reunião bilateral entre a delegação russa e a delegação chinesa” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/rSaIaNmASnwhRSYVe1GCzkAXRwKDGBnN.jpg

About author

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.
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