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O fim da produção e comercialização das lâmpadas incandescentes: consequências comerciais em decorrência de tecnologias mais sustentáveis

Cuba e Austrália foram os primeiros países no mundo a implementar políticas de substituição das lâmpadas incandescentes, respectivamente em 2006 e 2007. Essa iniciativa, liderada por Cuba, teve a motivação de reduzir o consumo energético do país, com a substituição das lâmpadas incandescentes por outros tipos, como LED, fluorescente, ou alógenas.

No Brasil, apenas no dia 31 de dezembro de 2010 é que foi publicada a “Portaria Interministerial 1007”, pelos Ministérios de Minas e Energia (MME), Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT) e do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior (MDIC).  A Portaria estabelece prazos e metas para a gradativa eliminação do uso de lâmpadas incandescentes no Brasil e eficiência luminosa* até a completa proibição da comercialização, previsto para 2017.

Desde junho de 2013, o Brasil já vem paulatinamente substituindo as lâmpadas incandescentes por outras mais econômicas, quando foi proibida a comercialização das lâmpadas acima de 101 watts.  No início de 2014, o país deu mais um passo neste processo, com o encerramento da produção das lâmpadas de 61 a 101 watts.  Além disso, a partir de primeiro de julho de 2015 estas lâmpadas não poderão mais ser comercializadas por varejistas e atacadistas. 

É importante destacar que a eliminação das lâmpadas incandescentes por outras tecnologias traz consequências mais profundas que apenas a economia energética. Destaca-se que as lâmpadas incandescentes têm um ciclo de vida bastante curto, apesar de ser um produto barato em comparação com as lâmpadas do tipo LED ou a fluorescente. Desta forma, os produtores de lâmpadas, como Philips e General Electric (GE), tiveram que repensar seus modelos de negócios e passaram a vender projetos e serviços de iluminação, que já corresponde a entre 25% e 30% dos seus negócios.

Outro aspecto importante que se observa com o fim da produção das lâmpadas incandescentes no mundo, observado também no Brasil, é o fechamento das fábricas que produziam esse produto. Por outro lado, abrem-se as portas para a produção de componentes eletrônicos, necessários para o uso em lâmpadas  LED e de outros tipos. Assim, empresas de tecnologia, que são novas no setor de iluminação, tornaram-se concorrentes diretos das tradicionais empresas líderes de mercado.

No Brasil, a determinação governamental de substituir o modelo energético do país resultou no fechamento de duas plantas de produção de lâmpadas incandescentes. A primeira a fechar, em 2009, foi a planta do Rio de Janeiro, da GE e, em 2010, a planta de Maués, da Philips. Porém, observando o potencial de crescimento do mercado de LEDs no Brasil, a Philips se antecipou e anunciou em 2011 investimentos em Varginha (Estado de Minas Gerais) para a implementação de uma fábrica de LEDs.

A implementação de políticas de eficiência energética no Brasil é louvável, principalmente considerando a necessidade crescente de reduzir o consumo da energia elétrica.  Porém, há de se implementar iniciativas políticas similares para a atração de investimento estrangeiro visando o estabelecimento de fábricas de componentes eletrônicos no Brasil, além de apoiar o desenvolvimento de start-ups em centros tecnológicos e universidades.  De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (ABILUX), atualmente apenas 25 empresas brasileiras estão começando a produzir produtos de iluminação LED.

Sustentabilidade:

A principal razão para os diversos países do mundo terem iniciado a substituição das lâmpadas incandescentes por outras mais econômicas decorre do fato destas produzirem apenas 5% de luz e 95% de calor, além da curta vida útil. Assim, a substituição das lâmpadas significa uma menor produção de calor, de CO2 e, consequentemente, do efeito estufa.

As lâmpadas do tipo LED (sigla em inglês para Light Emitting Diode) produzem 30% de luz e 70% de calor e tem uma vida útil superior a 50 mil horas. Assim, uma lâmpada LED de 12 watts corresponde a uma lâmpada incandescente de 60 watts em termos de luminescência. 

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* Relação de potencial de iluminação com consumo de energia.

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Imagem (Fonte):

http://noticias.terra.com.br/ciencia/infograficos/lampada/lampada/img/comp.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=PSujiEuu4ss

Ver:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/infograficos/lampada/

Ver:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/06/lampadas-incandescentes-vao-sumir-do-mercado-brasileiro.html

Ver:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,com-led-fabricantes-de-lampadas-mudam-modelo-de-negocios-imp-,1531706

Ver:

http://www.iea.org/publications/freepublications/publication/phase_out-1.pdf

Ver:

http://www.lightingcouncil.com.au/pdf/news/Lamp%20phase-out%20coms%20material.pdf

Ver:

http://www.customs.gov.au/webdata/resources/notices/acn0904.pdf

Ver:

http://www.dci.com.br/incandescentes-saem-de-cena-e-leds-serao-o-futuro-do-setor-id299667.html

About author

Doutor pela ESC Rennes (França), possui Mestrado em Negócios Internacionais pela Munich Business School (Alemanha) e MBA em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Atualmente, é Diretor Executivo do Instituto de Capital Natural da Amazônia – ICNA, uma ONG com sede em Manaus (Brasil), que atua em questões relacionadas ao meio ambiente e ao clima (silvicultura, REDD+, pagamento por serviços ecossistêmicos, análise de políticas e assuntos governamentais). Através do ICNA, Bernhard compõe o CCT sobre Salvaguardas de REDD, estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente. Além de seu trabalho no ICNA, é relevante mencionar seu envolvimento com a empresa Matchmaking Brazil, que presta consultoria e apoio em gestão empresarial, gestão da qualidade, comércio exterior e promoção de comércio internacional. Adicionalmente, é associado sênior e membro da comissão de relações de mercado na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) e Membro do Conselho Diretor da Climate Markets & Investment Association (CMIA), com sede em Oxford – UK. Adicionalmente, ele participa frequentemente de vários treinamentos e workshops sobre agronegócios e mudanças climáticas, incluindo o treinamento oferecido pela International Carbon Action Partnership – ICAP, Alemanha, para Líderes de Países Emergentes e em Desenvolvimento; a Summer School sobre mudanças climáticas e a adaptação de cidades e áreas metropolitanas (Havencity University de Hamburgo, Alemanha); e o curso técnico em agronegócios (CNA / SENAR). Viajar e aprender novas culturas são a paixão de Bernhard, que já teve a oportunidade de viajar por prazer e trabalhar para um grande número de países. É fluente em português, inglês, espanhol e alemão. Outros detalhes estão disponíveis no Linkedin: http://www.linkedin.com/in/bsmid
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