ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O Futebol a serviço da Ciência: a robótica na Copa do Mundo

Costumeiramente, o Futebol funciona como um acentuado palco de visibilidade para manifestações políticas, protestos, ressaltar a imagem externa de países, propagar campanhas humanitárias e legitimar governos. Entretanto, de forma inédita, a “Copa do Mundo de 2014” servirá para divulgar o avanço da ciência brasileira, em especial o campo da neurociência, e, quiçá, credenciar o país para concorrer a seu primeiro “Prêmio Nobel”.

Tal afirmação se deve ao fato de que, na cerimônia de abertura da “Copa de 2014”, a ser realizada em 12 de junho de 2014, possivelmente na “Arena Corinthians” (Itaquerão), um brasileiro, que ainda não foi escolhido, na faixa dos 25 a 35 anos, com paralisia total nos membros inferiores, será capaz de dar o pontapé simbólico na festa de abertura do torneio. O grande detalhe é que, para tanto, este brasileiro(a) usará uma veste robótica (exoesqueleto) guiada por seu próprio cérebro e lhe permitirá executar tal façanha.

Responsável por este projeto, o neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis, da “Universidade de Duke” (“Carolina do Norte”, nos EUA), faz parte de um grupo de pesquisa que é um dos mais avançados do mundo no campo de interface cérebro máquina e tem como objetivo mover membros virtuais utilizando, apenas, a força da mente. Segundo Nicolelis, o indivíduo não apenas será capaz de dar o pontapé inicial na festa como também poderá sentir a grama do campo sob os pés, pois uma pele artificial colocada na sola do pé da pessoa emitirá sinais que enganarão o cérebro que, ao incorporar as pernas virtuais do exoesqueleto como próprias, irá propiciar ao indivíduo a sensação de que a grama está sob os pés deste.

Explica Nicolelis que pessoas sem lesões na medula, inicialmente, imaginam o movimento que desejam executar e, em seguida, o cérebro envia este desejo aos membros inferiores, por meio das células nervosas da coluna. Assim, apenas quando os sinais nervosos chegam aos membros inferiores o movimento ocorre, tudo isso em frações de segundos. Contudo, em pessoas paraplégicas tal fato não ocorre pois o sinal enviado pelo cérebro não chega aos membros inferiores devido à lesão na medula, que bloqueia o caminho dos sinais nervosos. Porém, com a vestimenta robótica desenvolvida pelo pesquisador, também chamada de prótese inteligente, a atividade elétrica gerada pelo cérebro, que propicia todo o movimento, poderá ser decodificada e traduzida na forma de comandos digitais por um computador acoplado à vestimenta, o que será capaz de gerar movimento nos membros inferiores, algo que dará ao indivíduo que estiver usando a vestimenta uma autonomia de movimentos.

Já tendo sido testado anteriormente em um estádio de futebol, o protótipo a ser utilizado na abertura da “Copa de 2014” vem recebendo os últimos detalhes no “Laboratório de Neurorrobótica da Associação Alberto Santos Dumont”, em “São Paulo”, local onde o treinamento do jogador do futuro – nome dado ao indivíduo a ser escolhido para vestir o exoesqueleto – vem ocorrendo, em parceria com a “Associação de Assistência à Criança Deficiente”. Nicolelisaponta, ainda, que esta técnica desenvolvida poderá ser usada para o treinamento e a reabilitação de pessoas com limitações, não apenas paraplégicos, e, ao se adicionar braços ao protótipo, este poderá ser utilizado também por tetraplégicos.

Por fim, ele afirma a intenção de, por intermédio do Futebol, difundir para todo o mundo uma técnica que poderá ser extremamente útil para milhões de pessoas, e, simultaneamente, difundir e ampliar o interesse pela ciência em um evento esportivo, de forma a passar ao mundo uma imagem do país não muito disseminada.

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Imagem O Futebol a Serviço da Ciência” (Fonte):

http://oglobo.globo.com/sociedade/veste-robotica-esta-pronta-para-copa-12251880

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Fonte Consultada:

Ver:

http://oglobo.globo.com/sociedade/veste-robotica-esta-pronta-para-copa-12251880

About author

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.
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