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AMÉRICA LATINAANÁLISES DE CONJUNTURA

O futuro do automóvel na América Latina

Ainda que não se possa determinar de antemão, com absoluta certeza, qual será o futuro do automóvel na América Latina, pode-se fazer projeções de cenário a partir de estudos e observação da realidade. E, segundo as tendências dominantes, o veículo terá motor de matriz elétrica, possivelmente será autônomo, compartilhado ou coletivo, e com bastante tecnologia digital incorporada.

Em se tratando de conjecturas, é natural não haver unanimidade e, para enriquecer a análise, pode-se trazer a opinião de José Goldemberg, Professor Emérito da Universidade de São Paulo (USP) e Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 16/10/2017, Goldemberg acha “pouco provável” que o transporte coletivo substitua o individual; imagina que a produção de veículos autônomos é mais “um esforço de marketing” do que de solução e acredita que “vai ser difícil mudar” a matriz energética, porque “na grande maioria dos países, combustíveis fósseis são usados para produzir eletricidade”. Ele argumenta ainda que os automóveis elétricos não são poluentes, mas lembra que usinas que produzem eletricidade para estes emitem gases nocivos ao meio ambiente.

A empresa de consultoria KPMG divulgou em janeiro de 2018 os resultados da sua pesquisa Global Automotive Executive Survey 2018 (GAES 2018) . Foram ouvidos mais de 2.100 consumidores de 42 nações e cerca de 900 executivos do setor automobilístico de 43 países sobre tendências de produtos e serviços da área. Os respondentes foram agrupados em 8 regiões do globo sendo que a América do Sul, representada por Argentina, Brasil, Colômbia e Equador, correspondeu a 9% do total de executivos e 10% dos consumidores.

Para este artigo, foram realizadas consultas especificas  na plataforma interativa do painel de pesquisa da KPMG com filtro apenas para os países latino-americanos que integraram o estudo (Argentina, Brasil, Colômbia, Equador e México). No tocante às tendências mais fortes até 2025, foram consultados os executivos e 65% deles acreditam que a conectividade e digitalização dos veículos é a nº 1; carros com motor elétrico movido a célula de combustível (hidrogênio) é indicada como a nº 2, por 64%; veículos de motor elétrico com bateria  aparece em 5º lugar, com 49% de votos favoráveis; e os híbridos (combustível e eletricidade) aparecem em 7º, com 47%. Por sua vez, os consumidores foram inquiridos sobre o motor (combustível) preferido na hipótese de adquirir um veículo nos próximos 5 anos e 49% escolheram motores híbridos, 23% preferiram os de bateria elétrica e apenas 20% o motor a combustão. As respostas dos dois grupos indicam uma forte prevalência do uso da eletricidade sobre os combustíveis fósseis num horizonte de 5 a 20 anos.

Ainda quanto às tendências apontadas pelos homens de negócio, os serviços de mobilidade (Cabify, Uber e afins, como a Didi da China, que também é a dona da 99 no Brasil) associados ao compartilhamento de autos aparecem na 4ª posição, com 55% de indicações, e veículos autônomos  figuram na 6ª colocação, com um percentual de 47%. Ambas as tendências apresentam acentuada curva ascendente ao longo das pesquisas anuais, desde 2014.

Para os clientes indagados se deixariam de possuir automóveis em troca do uso de serviços de mobilidade/compartilhamento, um total de 52% respondeu que concorda, ou totalmente (19%), ou parcialmente (33%). Numa outra questão, um percentual de 48% respondeu que concorda, ou totalmente (17%), ou ao menos parcialmente (31%), que, até 2025, mais da metade dos donos de veículo que conhecem pessoalmente não mais desejarão possuir um carro. Aqui se observa que a adesão a serviços de transporte individual e coletivo, em detrimento da posse de veículo próprio e individual, deve se firmar ao longo tempo quanto mais essa oferta tiver quantidade, qualidade e preço justo.

Cápsula do Hyperlopp

Os carros serão mais usados para distâncias curtas nas áreas urbanas. Para as distâncias interurbanas médias uma das soluções será o HyperLoop, da HyperLoop Transportation Technologies (HTT), que poderá ocupar o lugar de automóveis, ônibus, trens e aviões. É uma espécie de cápsula que se desloca em tubo de baixa pressão podendo superar os 1.200 km/hora, mais que o triplo da velocidade do trem-bala. Na pesquisa GAES 2018, 72% dos executivos concorda totalmente (34%) ou parcialmente (38%) que este tipo de transporte substituirá o transporte público daqui a dez anos. Desde 2016 a HTT tem prospectado oportunidade de negócios em regiões de alta densidade populacional e carentes de infraestrutura, e planeja duas rotas na América Latina: Cidade do México-Guadalajara (no México) e Buenos Aires-Córdoba (na Argentina). A empresa já visitou Chile, México, Venezuela e Brasil, onde inaugurou, em abril de 2018, seu primeiro centro global de inovação logística, em Contagem (MG).

Para as grandes distâncias interpaíses e intercontinentais, os latino-americanos podem depositar suas esperanças nos projetos de aviões mais silenciosos e mais velozes que o lendário supersônico Concorde, os quais estão sendo desenvolvidos por empresas como a Spike Aerospace, a agência espacial americana NASA e a Boom Supersonic, que promete testes  ainda  em 2018. Está comprovado que a substituição dos motores de combustão por baterias elétricas nas aeronaves permite redução de ruído, maior eficiência em maiores altitudes, o que pode reduzir os preços de passagens, e a indústria aeronáutica aposta na evolução da tecnologia de armazenamento de energia  para que aviões elétricos estejam disponíveis para uso comercial a partir de 2030.

Interior do carro autônomo conceito Nissan IMx Kuro

Um estudo encomendado pela Nissan América Latina escutou, em fevereiro de 2018, 5.700 pessoas em cinco países da região – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru – para perceber o grau de receptividade a novas tecnologias de mobilidade e revelou dados interessantes, tais como: 80% das pessoas estariam interessadas em adquirir um carro elétrico e 88% acreditam que eles podem ajudar a reduzir a poluição; 69% usariam veículos autônomos e 63% consideram que eles são o futuro da indústria automotiva. Em março de 2018, um dia depois de o Presidente da Ford da América do Sul afirmar, em entrevista à revista Exame, que os carros elétricos demorariam a chegar ao Brasil, a Nissan anunciou que iria comercializar o seu veículo mundial 100% elétrico em oito mercados da América Latina, inclusive o Brasil.

Ambos os estudos demonstram que tanto a clientela quanto a indústria estão cientes dos desafios para a concepção de futuro desejada, tais como o barateamento dos custos dos carros elétricos e a criação de infraestrutura de alimentação dos motores. Compreendem que o processo é gradual e que a coexistência dos motores atuais com os novos ocorrerá por algum tempo, não obstante os dirigentes previram uma redução do uso dos atuais motores de 90% em 2020 para cerca de 30% em 2040. Sobretudo, prevalece o otimismo porque os percentuais, que se referem a entrevistados latino-americanos que apostaram em motor elétrico movido a hidrogênio, conectividade/digitalização, serviços de mobilidade/compartilhamento e veículos autônomos foram superiores às médias mundiais para estas mesmas tendências. O adeus aos carros de motor a explosão, anunciado para 2050 por um economista de Harvard, é bem possível que chegue dez anos antes, mesmo na América Latina.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Veículo elétrico Jaguar I Pace” (Fonte):

https://jaguar.ssl.cdn.sdlmedia.com/636543982835150167BG.jpg?v=3#desktop_1366x769

Imagem 2 Cápsula do Hyperlopp” (Fonte):

http://www.hyperloop.global/assets/images/how-it-works/capsule.jpg

Imagem 3 Interior do carro autônomo conceito Nissan IMx Kuro” (Fonte):

http://nissannews.com/pt/nissan/brasil/photos/nissan-imx-kuro-concept-7?query=Kuro

About author

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.
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