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O Impasse entre a direita e a esquerda e a instabilidade ibero-americana

Longe das Colaborações Premiadas e das articulações do Governo brasileiro, líderes de diversos países latinos – Tanto da América como da Europa – enfrentam a crescente instabilidade política e econômica, além da crescente divisão social, fruto da insatisfação popular para com seus líderes e a polarização da sociedade, levada ao extremo das paixões partidárias e ideológicas.

A Espanha continua em sua cruzada na busca de um Presidente que possa liderar o país e de conciliar o crescimento de sua economia com a estabilização dos índices econômicos e sociais, que são cada vez mais precários. O desemprego continua acima dos 20% e a pobreza ameaça grande parte de sua população, havendo casos extremos, como mais de 2 milhões de criança que sofrem os efeitos da pobreza e somente possuem uma fonte de alimentação, que é a merenda escolar; ou o caso dos aposentados, pressionados pela redução dos benefícios sanitários e pelas mudanças nas leis de previdência e seguridade social.

Por outro lado, e não muito diferente do que acontece em diversos países latino-americanos, os casos de corrupção proliferam e afetam a credibilidade dos principais partidos políticos e políticos consagrados, tais como o ex-vice-presidente Rodrigo Rato, que também foi diretor do Fundo Monetário Internacional, assim como personalidades de Estado, tais como a princesa Cristina, irmã do atual monarca Felipe VI,  e a ex-governadora de Madrid, Esperanza Aguirre, que estão entre os investigados por crimes de corrupção.

A dificuldade de instituir o Presidente eleito, Mariano Rajoy (direita), e, posteriormente, a tentativa de instituir o indicado pelo Rei, Pedro Sanchez (esquerda), para assumir a Presidência, indica claramente a crescente divisão social e a fratura entre as ações do Governo espanhol e sua população, havendo um bloqueio administrativo e político, algo semelhante ao que ocorre em diversos países da América Latina.

No Chile, por exemplo, aumentam as tensões em torno da presidente Michele Bachelet, havendo uma crescente divisão social entre os que apoiam suas medidas socialistas e os opositores, que apoiam medidas liberais, para promover o crescimento da economia. Na Argentina, apesar da vitória de Mauricio Macri, as tensões entre os que apoiam o Presidente liberal e os seguidores do antigo Governo Kirchner continuam dificultando o processo de transição e alinhamento da economia argentina. No Peru, Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, cresce nas intenções de voto, o que pode alinhar o país a essa transição que já ocorre na região. Até mesmo nos Estados Unidos, onde a população latina é uma minoria bastante expressiva, existe uma polarização entre direita versus esquerda, cada dia mais acirrada.

O problema desse impasse registrado em muitos países é que, até o momento, o mesmo não parece promover uma maior maturidade do processo e do diálogo democrático, mas, sim, o bloqueio da atividade política, bem como a fragmentação e divisão social, levados ao extremismo.

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Imagem (FonteDivulgación PP/Divulgación PSOE):

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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