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O mercado danês em tempos de Coronavírus

Nos últimos meses o mundo experimenta uma forte onda viral provocada pela ascensão do Coronavírus, o qual faz parte de uma série de vírus da mesma categoria. O COVID-19 surgiu na China, porém os cientistas desconhecem sua origem e apenas afirmam que ele não poderia ter sido criado em laboratório, visto que as pesquisas apontam uma evolução natural da estrutura do COVID-19, sem espaço para manipulação humana.

Os chineses já estão em fase de recuperação após os graves impactos e mortes ocorridas, todavia, a situação não é tão otimista para a Europa e demais continentes nos quais o Coronavírus assola. Diversos Estados europeus são afetados, com destaque para a Itália, Espanha e França, os quais possuem quantitativo elevado de mortes e infectados.

Em relação à Dinamarca, o Jornal Copenhague Post informa cerca de 2.201 casos registrados e 65 mortes até o momento. As autoridades danesas* estimam que 10% da população do país poderá ser atingida pelo COVID-19, representando o equivalente a 580.000 pessoas. Os dinamarqueses se esforçam para garantir um atendimento digno aos seus cidadãos, e no respectivo jornal citado acima foi noticiado que cerca de 19.000 pessoas já foram testadas para o vírus, mas o Sundhedsstyrelsen (Conselho Nacional de Saúde Dinamarquês) espera aumentar a capacidade de testes diários para 5.000.

A emergência do Coronavírus trouxe mudanças drásticas no cotidiano da sociedade danesa, a qual foi orientada a permanecer de quarentena com o objetivo de diminuir a propagação do vírus. Diante desse cenário, as pessoas não podem sair para trabalhar e, por causa dessa questão, a vida e a economia do país têm sofrido reveses de diferentes tipos.

Em perfil de rede social, a Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, manifestou empatia e trouxe a seguinte mensagem à população: “Não queremos manter a Dinamarca fechada um dia mais do que necessário […]. Use os pacotes de ajuda historicamente grandes do Folketing. Não demita pessoas. Envie-as para casa. O Estado cobre uma grande parte do salário […]. Quase 33.000 pessoas estão desempregadas desde o início da crise do Corona. Pessoas e famílias que de repente não recebem um salário. Não é fácil”.

Os desafios de preservar a saúde e manter o sustento são imensos e de grande preocupação para a sociedade dinamarquesa, pois são pessoas e famílias que dependem de seus salários para honrarem seus compromissos. As empresas também se ressentem devido as responsabilidades financeiras envolvidas, seja com o pagamento de salários frente a não produção, seja com as despesas gerais de todo empreendedor com aluguéis ou financiamentos.

Ministro das Finanças da Dinamarca – Nicolai Wammen

Em resposta às intempéries geradas pela crise do COVID-19, o Estado dinamarquês liberará cerca de 200 bilhões de DKK (aproximadamente, US$ 29,781,600,000.00, ou R$ 151.773.000.000,00, de acordo com a cotação de 27 de março de 2020) para os Bancos. O objetivo é fornecer auxílio às empresas que precisam de fundos para cobrir perdas financeiras. Em relação à pauta, o Jornal Altinget apresentou a fala do Ministro das Finanças da Dinamarca, Nicolai Wammen, o qual comunicou: “O que estamos fazendo hoje é pegar uma das armas mais pesadas do arsenal e dispará-las para o benefício de empresas e trabalhadores dinamarqueses”.

De forma geral, o Estado apresentou algumas alternativas para ajudar as empresas do país apresentadas também no Jornal Altinget, tais como: a permissão de atraso de salários de forma temporária, com o recebimento pelos funcionários de subsídio complementar; a iniciativa de reembolso ao empregador, a partir do primeiro dia que o funcionário foi infectado por COVID-19, ou permaneceu em quarentena; e a concessão de empréstimos flexíveis para as grandes, médias e pequenas empresas, às quais terão acesso de forma proporcional, ou seja, em conformidade com as respectivas situações.

O Danske Bank (Banco da Dinamarca) criou um programa de crédito para atender seus clientes em tempos de Coronavírus, dentre os quais contempla: empréstimos com pagamentos parcelados e com extensão de prazos; financiamento de hipotecas mediante parcelamentos; adiamento de pagamentos por empresas; e suspensão de juros negativos para empresas (cerca de 90.000) com depósitos menores que 500.000 DKK (próximos de  a US$ 74,454.10, ou R$ 379.431,00, de acordo com a cotação de 27 de março de 2020).

Danske Bank

No tangente a situação, o CEO do Danske Bank, Chris Vogelzang, sinalizou: “Estamos em uma situação extraordinária que tem grandes implicações financeiras para a sociedade, empresas e famílias. Como o maior Banco do país, temos uma responsabilidade significativa por ajudar a minimizar os danos causados pelo COVID-19, e faremos um longo caminho para ajudar nossos clientes nessa situação desafiadora”.

Os analistas apontam a importância do isolamento social frente à expansão do COVID-19, não somente na Dinamarca, mas em todos os Estados afetados, com o propósito de reduzir a curva de infectados e a longo prazo aumentar a possibilidade de saída da quarentena. Em relação à economia danesa, verifica-se o esforço do Estado na preservação da manutenção básica da sociedade, ou seja, a injeção de recursos financeiros, o apoio com a folha de pagamento das empresas, e a flexibilização de empréstimos que muito contribui para a formação do consumo e, por extensão, para fazer a economia se movimentar.

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Nota:

* Danesas: adjetivo pátrio na Dinamarca; referente à dinamarquês ou povo Dane.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Primeira-Ministra da Dinamarca Mette Frederiksen” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/20180615_Folkemodet_Bornholm_Socialdemokratiet_Mette_Frederiksen_1629_%2842770573192%29.jpg

Imagem 2 Ministro das Finanças da Dinamarca Nicolai Wammen”  (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/19/Nicolai_Wammen%2C_pressefoto.jpg

Imagem 3 Danske Bank” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/Danske_Bank_Copenhagen_2018.jpg

About author

Mestre em Sociologia Política (2018) e Bacharel em Relações Internacionais (2014) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ vinculado a Universidade Cândido Mendes. Atualmente incorpora o quadro do CEIRI Newspaper, onde atua na qualidade de colaborador voluntário na produção de notas analíticas e conjunturais na área de política internacional europeia com ênfase nos Estados Nórdico-Bálticos e Rússia.
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