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O problema ambiental no desenvolvimento da infraestrutura brasileira para o escoamento da produção com as novas rotas para o comércio exterior

A produção agrícola brasileira tem batido recordes a cada ano e é possível observar a dificuldade do escoamento da produção desde a sua origem até os portos brasileiros.  Tem-se falado sobre o melhoramento da infraestrutura, atualmente demasiadamente focada nas rodovias, no entanto, outros modais continuam a ser vistos de forma longínqua, chegando a mídia a afirmar que se tratam de quase delírios para a realidade brasileira.

Conforme apontam vários especialistas, não há vozes discordantes em relação à necessidade iminente do desenvolvimento da infraestrutura brasileira de modo a melhorar a competividade no comércio internacional e, consequentemente, a economia nacional.  

Porém, quando se fala em melhorar a infraestrutura logística para o escoamento da produção, deve-se pensar não de forma imediatista, na solução mais fácil e simples e deixar de lado questões relevantes, as quais terão grande impacto no futuro, tal como a questão ambiental.

Nesse aspecto, pode-se imediatamente apresentar que existem dois principais modelos de desmatamento: (1) o realizado para a criação de gado, que normalmente é transformado posteriormente em áreas agrícolas e (2) o padrão de desmatamento espinha de peixe, causado pela criação de rodovias que são criadas e ampliadas sistematicamente até a sua pavimentação e por final criando áreas urbanas ao longo da rodovia.

Quando se cogita a possibilidade de escoar a produção brasileira através da ampliação das rodovias que cortam a Amazônia, estamos praticamente sentenciando a floresta amazônica ao desmatamento desgovernado, com ocupação populacional em áreas que deveriam ser preservadas.  

Mapa da Interoceânica Deve-se destacar a já implementada “Rodovia Interoceânica”, que liga São Paulo ao Peru através de Rio Branco (Acre) até os portos peruanos de Ilo, Matarani e “San Juan de Marcona”.  A estrada, apesar de ser excelente, é relativamente estreita e sinuosa, mas é certamente uma porta de escoamento para o “Oceano Pacífico” e a proximidade dos mercados asiáticos.

Quando falamos da ampliação da malha rodoviária na Amazônia temos que falar também da rodovia BR 319, que liga Manaus a Porto Velho e Rio Branco”. Esta rodovia, que está em péssimo estado de conservação, evidentemente é uma outra veia aberta na Amazônia passível de melhoramentos que viria permitir o escoamento da produção do “Polo Industrial de Manaus” pelos portos peruanos. 

A alternativa às rodovias seria utilizar outros modais de forma consistente, como o ferroviário e o fluvial, evidentemente nos locais em que estes são navegáveis.  Certamente não é algo barato a implementação de uma ferrovia que viria a cruzar a Amazônia ou eclusas para transpor desníveis consideráveis dos rios, entretanto, a interferência destas soluções no meio ambiente seria menos avassaladora que a rápida expansão humana ao longo das rodovias brasileiras até os portos da Região Norte.

Sem a Amazônia, a umidade produzida na região não traria chuvas para o abastecimento das hidrelétricas brasileiras e comprometeria a produção agrícola brasileira. Devemos ponderar como queremos que o Brasil se desenvolva economicamente e quais as consequências que estamos dispostos a enfrentar caso não observarmos a preservação ambiental.

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Imagens:

a. Desmatamento modelo Espinha de Peixe (Fonte):

http://amazonnewsbr.blogspot.com.br/2010_08_01_archive.html

b. Mapa da Interoceânica (Fonte):

http://www.scribd.com/doc/71733443/Sobre-a-rodovia-transoceanica

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Fonte consultada:

Ver BlogAfinal, quem deve decidir nossa vida?”:

http://afinalquemdevedecidirnossavida.blogspot.com.br/

 

About author

Doutor pela ESC Rennes (França), possui Mestrado em Negócios Internacionais pela Munich Business School (Alemanha) e MBA em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Atualmente, é Diretor Executivo do Instituto de Capital Natural da Amazônia – ICNA, uma ONG com sede em Manaus (Brasil), que atua em questões relacionadas ao meio ambiente e ao clima (silvicultura, REDD+, pagamento por serviços ecossistêmicos, análise de políticas e assuntos governamentais). Através do ICNA, Bernhard compõe o CCT sobre Salvaguardas de REDD, estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente. Além de seu trabalho no ICNA, é relevante mencionar seu envolvimento com a empresa Matchmaking Brazil, que presta consultoria e apoio em gestão empresarial, gestão da qualidade, comércio exterior e promoção de comércio internacional. Adicionalmente, é associado sênior e membro da comissão de relações de mercado na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) e Membro do Conselho Diretor da Climate Markets & Investment Association (CMIA), com sede em Oxford – UK. Adicionalmente, ele participa frequentemente de vários treinamentos e workshops sobre agronegócios e mudanças climáticas, incluindo o treinamento oferecido pela International Carbon Action Partnership – ICAP, Alemanha, para Líderes de Países Emergentes e em Desenvolvimento; a Summer School sobre mudanças climáticas e a adaptação de cidades e áreas metropolitanas (Havencity University de Hamburgo, Alemanha); e o curso técnico em agronegócios (CNA / SENAR). Viajar e aprender novas culturas são a paixão de Bernhard, que já teve a oportunidade de viajar por prazer e trabalhar para um grande número de países. É fluente em português, inglês, espanhol e alemão. Outros detalhes estão disponíveis no Linkedin: http://www.linkedin.com/in/bsmid
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