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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

O Skate como ferramenta de uma Diplomacia Esportiva Brasileira

Indiscutivelmente, o Futebol é o esporte de maior visibilidade no cenário internacional e um dos mais contundentes ativos da “Diplomacia Esportiva Brasileira”, ou seja, um importante elemento de soft power para o país. Entretanto, celeiro de inúmeros skatistas campeões mundiais, o Brasil pode, por intermédio do Skate, vir a influenciar outros países ou mesmo propagandear uma imagem positiva na arena internacional, haja vista que, embora este esporte possua menor visibilidade do que o Futebol, ele possui algumas vantagens com relação ao velho esporte bretão, já que pode ser praticado em qualquer local, independentemente de haver uma estrutura específica ou não, e possui um grande apelo entre a população jovem. Segundo, Neftalie Williams, pesquisador da “University of Southern California” (LA), o Skate atua como uma importante e estratégica ferramenta na política internacional, atingindo, primordialmente, o público jovem.

Ainda segundo Williams, apesar da popularidade desfrutada pelos skatistas brasileiros no mundo, o país não explora a potencialidade deste esporte. À guisa de ilustração, temos o exemplo de Cuba, onde, apesar de certo antagonismo entre os Governos cubano e norteamericano, os laços esportivos entre ambos têm sido bastante estreitados desde 2010, ocasião em que dois skatistasnorteamericanos, Miles Jackson e Lauren Bradley, que estiveram em Cuba e conheceram a precariedade das condições para a prática do Skate na ilha, implementaram um projeto, o “Cuba Skate”, que visa incentivar a cooperação entre os EUA e Cuba na área do Skate, por meio do envio de equipamentos dos EUA para Cuba e de programas de intercâmbio entre skatistas de ambos os países.

A se destacar que Sandro Dias, também conhecido como Mineirinho, brasileiro e um dos mais famosos skatistas mundiais, foi um dos pioneiros do projeto “Cuba Skate”, já que ele foi o primeiro skatista profissional a, em 2004, visitar Cuba. Na visão de Dias, o Skate pode ser visto como uma linguagem universal, pois, tanto no Brasil como em qualquer outro país, os skatistas fazem parte de uma grande família e, assim, falam a mesma língua. Contudo, apesar de projetos que visem promover o intercâmbio esportivo entre Brasil e Cuba estarem na ordem do dia, estes têm como foco primordial o Futebol e a Capoeira. Recentemente, inclusive, um projeto de cooperação técnico-científica entre ambos os países foi apresentado pelo Governo baiano – o “Brascuba: Esporte, Juventude e Cidadania”. Este pretende formar 200 cubanos para que atuem como multiplicadores no âmbito do desporto e do paradesporto.

Importante ressaltar, também, que, no Brasil, o Skate é o segundo esporte mais praticado pela população, estando atrás apenas do Futebol, e mobiliza toda uma geração que se identifica por meio de vestimentas, linguajar, estilo e atitudes comuns, mostrando um traço cultural bastante acentuado e, desta forma, não sendo apenas uma simples modalidade esportiva. Ademais, a indústria do Skate possui grande retorno financeiro, sobretudo a partir da criação dos X-Games, competição internacional de esportes radicais que tem o skate como uma de suas principais modalidades. Assim, dado o potencial do Skate brasileiro, este poderia ser melhor explorado politicamente pelo Governo, podendo vir, inclusive, a ser incluído como modalidade de exibição nas “Olimpíadas Rio 2016”. Sem embargo, este poderia figurar como um importante elemento na “Diplomacia Esportiva Brasileira”.

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ImagemUm Skate 100% Brasileiro” (Fonte):

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-553259965-skate-cbf-brasil-dtc-18054-_JM

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/04/diplomaciab-do-skateb.html

Ver:

http://www.vermelho.org.br/midia/noticia.php?id_noticia=240334&id_secao=10

About author

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.
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