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No início de 2014, durante a 7a Cúpula de Líderes da América do Norte, ao celebrar o vigésimo aniversário de assinatura do Tratado NorteAmericano de Livre Comércio (North American Free Trade Agreement NAFTA, na sigla em inglês), um dos temas que foram discutidos trilateralmente entre Canadá, Estados Unidos e México foi o polêmico Oleoduto Keystone XL, um plano que viabilizaria a extração de petróleo através da queima da areia betuminosa, considerada por ambientalistas a forma mais degradante de exploração de hidrocarbonetos.

O Projeto, com capacidade para transportar 830 mil barris por dia, previa a ligação entre os países por redes de dutos construídos inicialmente na província de Alberta, Canadá, onde todo o petróleo sintético e betume diluído das areias betuminosas seriam transportados até chegar às refinarias em Illinois e no Golfo do Texas, nos Estados Unidos, implicando consideravelmente no aumento da emissão de gases do efeito estufa.

Contudo, após sete anos de avaliação, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama vetou a proposta de construção do Keystone XL Pipeline, uma manobra política importante, devido ao alto grau de pressão e lobby confeccionados, principalmente por congressistas do Partido Republicano, advindos essencialmente do segmento corporativo petrolífero e que tinham como principal plataforma argumentativa de defesa ao Projeto a possibilidade de criação de centenas de empregos, os quais auxiliariam na retomada do crescimento econômico, assim como criaria uma alternativa à dependência energética de hidrocarbonetos importados do Oriente Médio.

De forma bem pragmática e coerente com as últimas medidas, referentes às questões climáticas, o Presidente estadunidense acredita que o Oleoduto não contribuirá em longo prazo para a economia, além de afirmar que o preço da gasolina e o transporte do petróleo “sujo” do Canadá não aumentará a segurança energética dos Estados Unidos[1].

Para os ambientalistas foi uma grande vitória, porém lembram que um veto por conta própria não será o suficiente. O Oleoduto Keystone XL peca em testes do clima e Obama, como, aparentemente, tem se esforçado em contribuir para um meio ambiente mais equilibrado e menos nocivo para as gerações futuras, deve, como única opção, rejeitar o Projeto, sem abrir precedentes para recursos e tentativas de oposicionistas contrários a sua iniciativa.

Do ponto de vista político, a engenharia de votos é complexa. Atualmente, nem o Senado, tampouco a Câmara dos Representantes, podem reunir a maioria necessária de dois terços para derrubar o Veto Presidencial. O Senado permanece com apenas quatro votos a favor e a Câmara dos Representantes com apenas onze. Entretanto, foi grande a repercussão entre os principais nomes oposicionistas, em especial aqueles que estão disputando as primárias republicanas para definição do candidato do partido.

O Senador da Flórida e pré-candidato, Marco Rubio, criticou a decisão, chamando de “um grande erro” e afirmando que, quando for Presidente, irá aprovar o Projeto e derrubar a política energética da gestão anterior. O ExGovernador da Flórida, Jeb Bush, também pré-candidato republicano à Presidência, acredita que a decisão de Obama  vai contra o interesse econômico e que o Presidente continua prejudicando as famílias de classe média. Já o ExSenador da Pensilvânia, Rick Santorum, e o pré-candidato Donald Trump chamaram a decisão de “triste”. Em concordância com os demais pré-candidatos, o Senador do Texas, Ted Cruz, prometeu, se eleito, autorizar o Projeto do Oleoduto e Geoge Pataki, Ex-Governador de Nova Iorque, chamou a decisão de um “golpe à economia[2].

Na ala democrata que disputa as prévias do partido, o sentimento e os comentários foram de elogio. O segundo colocado nas prévias democratas, o Senador por Vermont, Bernie Sanders aplaudiu a decisão. Segundo o Senador, a mudança climática é uma crise ambiental global de enorme magnitude e seria insano para qualquer um apoiar a escavação e transporte do combustível mais sujo terra. Hillary Clinton já havia se pronunciado em setembro sobre a oposição ao Projeto do Gasoduto, após um longo silêncio. Por último, o ExGovernador de Maryland, Martin OMalley, também elogiou a posição do Governo e ainda fez uma pequena propaganda sobre o seu Projeto de Governo, afirmando que é o único candidato a definir uma meta progressiva de 100% de energia renovável para a população, bem como acredita ser o único candidato com proposta para obter resultados no corte de gases do efeito estufa, criando milhares de empregos através da energia limpa. Declarou ainda o compromisso de, se eleito, passar por escolhas corajosas e progressistas para um futuro energético sustentável[2].

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Imagem (Fonte):

http://sites.psu.edu/ank5283/wp-content/uploads/sites/4945/2014/02/tumblr_lqpmogDRMF1qd9bz1o1_500.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.com/pt/obama-rejeita-controverso-oleoduto-keystone-xl/a-18833523

[2] Ver:

http://www.politico.com/story/2015/11/keystone-rejected-republicans-react-215601

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Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/11/keystone-pipeline-tick-tock-215618

Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/11/barack-obama-keystone-climate-talks-215608

Ver Também:

http://www.politico.com/story/2015/11/obama-administration-expected-to-reject-keystone-xl-pipeline-215597

Ver Também:

https://news.vice.com/article/obama-vetoes-keystone-xl-pipeline-legislation-but-white-house-says-approval-still-possible

Ver Também:

https://news.vice.com/article/the-battle-over-keystone-xl-is-far-from-finished-heres-what-comes-next

Ver Também:

https://ceiri.news/canada-estados-unidos-e-mexico-cupula-dos-tres-amigos/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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