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O Iêmen, país mais pobre de todo o Oriente Médio, vivencia uma crise humanitária sem precedentes. Em janeiro de 2011, a população foi às ruas para protestar contra o desemprego, a situação econômica do país[1], a corrupção política e para exigir a renúncia do ditador Ali Abdullah Saleh, Presidente desde 1990, que, após pressão popular, deixou o cargo.

Novas eleições presidenciais ocorreram, resultando na vitória do vice-presidente Abdo Rabbo Mansur Hadi, no entanto, durante o período de afastamento do exditador Ali Abdullah Saleh e a posse definitiva do vicepresidente Abdo Rabbo Mansur Hadi, o grupo Houthis, versão Xiita do chamada Zaidismo, expandiu sua influência pelo país.

Representando cerca de um terço do povo iemenita, o grupo radical Houthis participou de uma série de conflitos com o intuito de assumir o controle de áreas da capital do YemenSanaa. Tal controle acarretou a fuga do presidente Abdo Rabbo Mansur Hadi para a Arábia Saudita, que solidifica seu desígnio de proteger a posição de centro regional de poder, não apenas por meio da diplomacia e de investimentos financeiros, mas também pela força.

Atualmente, os sauditas lideram uma coligação militar que luta contra os Houthis, denominada de Operação Tempestade Decisiva[2], intensificando os conflitos no Oriente Médio. Desde que o conflito entre os Houthis e a coligação militar liderada pelos sauditas começou,  2.500 pessoas morreram[3] e outras 11.000 ficaram feridas, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os conflitos que ocorrem no Yemen demonstram disputas entre diferentes grupos que almejam controlar o país, gerando instabilidade e permitindo a implantação e o fortalecimento dos  jihadistas da AlQaeda e do Estado Islâmico. Em março, explosões contraMesquitas xiitas em Sanaa (com 137 mortos) foram reivindicadas pelo  Estado Islâmico.Al-Qaeda luta por mais espaço, cometendo atentados em cidades da região. Existe ainda a oposição entre Arábia Saudita, sunita, que apoia o retorno do presidente eleito Hadi, e o Irã, que é xiita[4] e ajuda os Houthis. Observa-se que tal disputa não mudará o subdesenvolvimento acentuado do país em virtude do crescimento demográfico, da falta de aplicação de medidas mantenedoras dos parcos recursos naturais e da corrupção, que estagna a economia iemenita.

As negociações de paz sobre o Yemen não lograram êxito e não há data marcada para conversação futura de paz[5]. A situação catastrófica, em que cerca de 4 mil pessoas morreram, 1,3 milhão fugiram de suas casas, mais de 15 milhões de pessoas precisam de assistência médica, em especial nas cidades de Áden, Abian, Taiz e Sadaa, acrescida de uma crise alimentícia que deixa um milhão de crianças em desnutrição aguda, chamaram a atenção do secretáriogeral adjunto para Assuntos Humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephen OBrien após visita ao Iêmen, o qual ressaltou a importância de retomar o diálogo entre os rebeldes Houthis e as forças leais ao presidente iemenita Abdo Rabbo Mansour Hadi[6].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-29319423

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://br.blastingnews.com/mundo/2015/04/entenda-o-que-esta-por-tras-dos-conflitos-no-iemen-00336269.html

[2] Ver:

http://br.sputniknews.com/mundo/20150327/577191.html

[3] Ver:

http://observador.pt/2015/06/12/2-500-mortos-conflito-no-iemen-destroi-monumentos-reconhecidos-pela-unesco/

[4] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/09/saudi-arabia-iran-great-game-ye-201492984846324440.html

[5] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/negociacoes-de-paz-sobre-o-iemen-fracassam-em-genebra.html

[6] Ver:

http://noticias.r7.com/internacional/onu-pede-dialogo-entre-partes-em-conflito-no-iemen-11082015

About author

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).
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