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Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Nº 7: Energias Renováveis[1][2]

Sem gerar dúvidas, o lema do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Nº 7, relacionado às energias renováveis, vai direto ao ponto: garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos. Para o brasileiro, o tema é de altíssima relevância, principalmente em decorrência do aumento na tarifa de energia elétrica em 2015, com alta de 49% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), entre janeiro e outubro.

Além do aumento na energia, o país também apresenta alguns episódios de apagões, em virtude dos baixos investimentos na geração de energia, bem como devido as falhas de transmissão. Anteriormente, já havia sofrido com o racionamento de energia durante o biênio 2001-2002 e com apagões que afetaram vários estados do Nordeste, em 2010 e em 2011.

Portanto, diante destes dois problemas, fica evidente a questão de como o Brasil poderia superar as dificuldades e maximizar a exploração de fontes renováveis de energia, de forma a concretizar o acesso à energia mais barata e confiável, conforme o ODS Nº7. As metas abordam: 1) o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; 2) o aumento substancial da participação de energias renováveis na matriz energética global; e 3) o aumento da taxa global de melhoria da eficiência energética, duplicando-a.

Em alguns pontos, o Brasil assume posição de destaque no cenário mundial. Por exemplo, o país possui a matriz energética mais renovável do mundo industrializado, com 45,3% de sua produção proveniente de fontes renováveis, como os recursos hídricos (usinas hidrelétricas), biomassa e etanol, além das empresas eólica e solar. No mundo, as fontes renováveis só representam 13% entre países industrializados e 6% entre as nações em desenvolvimento.

No Brasil, as hidrelétricas são responsáveis por 90% da energia elétrica produzida. Apesar disso, há um extenso debate sobre os pontos positivos e negativos dessas escolhas. Entre as vantagens, destacam-se a água como recurso renovável, o custo relativo bem inferior, em comparação com outros tipos de usinas – como as termelétricas, as eólicas e as nucleares –, e a geração de energia limpa, sem liberar poluentes na atmosfera. Entre as desvantagens, consideram-se o espaço ocupado pelo represamento dos rios para a construção das barragens, comprometendo áreas de reservas florestais, a diversidade da fauna e a flora na região e o habitat de comunidades indígenas e populações tradicionais. Por exemplo, a construção da usina de Belo Monte (Pará) tem gerado inúmeras críticas, devido ao impacto social e ambiental na região.

No campo da energia solar, a Agência Internacional de Energia (IEA) considera que ela responderá por, aproximadamente, 11% da oferta mundial de energia elétrica em 2050. Atualmente, o Governo brasileiro pretende colocar o país entre os 20 países com maior geração de energia solar, representando 1% do total. Contudo, a capacidade atual – produzida com sistemas solares fotovoltaicos – representa menos de 0,0008%, em relação a todos os tipos de usinas que produzem energia elétrica. Essa pífia participação é explicada pela ausência de incentivos para este tipo de energia. Por exemplo, no caso da geração descentralizada – aquela gerada pelos sistemas instalados nos telhados das residências – praticamente não recebe apoio governamental.

No campo da energia eólica, o Brasil já integra a lista de maiores produtores do mundo, alcançando o quarto lugar na expansão da potência eólica em 2014. O maior potencial de expansão se encontra no interior do Nordeste, especialmente no semiárido brasileiro. Para Élbia Gannoum, presidente da Abeeólica, “enquanto a média de produtividade de um gerador eólico é de 28% a 30% no mundo e supera 50% no Brasil, este índice atinge picos de 83% no Nordeste”. Atualmente, a energia eólica responde por 5,8% da matriz energética nacional, com 322 usinas de energia eólica no país, com capacidade de produção equivalente à usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a segunda maior em operação no Brasil.

Outras fontes alternativas estão sendo desenvolvidas, utilizando dois tipos de energia: hidrogênio e ondas do mar. Apesar de ter fontes praticamente infinitas e não poluírem, elas ainda esbarram em questões relacionadas à eficiência e ao custo. No caso do hidrogênio, a energia é gerada por meio de pilhas de hidrogênio. Como o gás não é encontrado bruto na natureza, ele é separado de outros elementos por meio de um processo químico. No caso da geração de energia a partir das ondas do mar, o projeto foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De acordo com a equipe, “o Brasil possui um mar bastante energético. Este projeto poderia ser implantando em qualquer lugar da costa brasileira”.

Em suma, apesar do amplo uso da energia a partir de fontes renováveis, o país apresenta um leque de oportunidades para a produção de energia e a necessidade clara de expandir seu uso. O recente aumento nas contas de energia provou que o país não pode se tornar refém da incidência de chuva para a produção nas usinas hidrelétricas. Por ora, os ventos fortes do litoral, o sol escaldante e as ondas da praia precisam ultrapassar os slogans do turismo, para se tornarem referências na matriz energética brasileira.

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Imagem (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/09/7.png

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Notas:

[1] Esta nota analítica é resultado de uma atividade voluntária exercida pelo autor para a ONU Voluntários (UNV), no projeto “Desarrollar contenido de opinión em redes sociales sobre los ODS”, com o objetivo de disseminar informações, debates e reflexões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na América Latina e no país de origem do voluntário. Por esta razão, agradeço à diretoria do CEIRI NEWSPAPER (CNP) por ceder espaço na disseminação deste projeto. Os pontos de vista expressados aqui são de inteira responsabilidade do autor, não representando as posições da UNV e do CNP.

[2] O CEIRI NEWSPAPER posiciona–se em abrir espaço e defender o direito legítimo e democrático que tem intelectuais sérios e responsáveis de se posicionarem, bem como em respeitar suas perspectivas. Especialmente, manifesta apoio pleno e disposição para auxílio necessário a todos os programas e atividades da Organização das Nações Unidas (ONU), que trabalha constantemente na busca de um mundo mais equilibrado, justo e pacífico

About author

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.
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