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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

As Olimpíadas Rio 2016 em cheque

Após um período de euforia, no qual bastante se comemorou a exitosa candidatura da cidade do “Rio de Janeiro” para sede das “Olimpíadas de 2016”, uma outra realidade começa a se desenhar no que diz respeito aos “Jogos Olímpicos de 2016”. Falta de infraestrutura esportiva, obras em atraso, descaso por parte das autoridades governamentais responsáveis pela organização dos Jogos, tudo isso tem sido motivo de preocupação e põe em cheque a realização dos Jogos, segundo apontam dirigentes do próprio “Comitê Olímpico Internacional” (COI).

Recentemente, o presidente da “Associação das Federações Internacionais das Olimpíadas de Verão”, Francesco Bitti, além de responsabilizar o Governo brasileiro por não dar o suporte adequado à organização do megaevento, ainda pediu que medidas urgentes fossem adotadas para solucionar o crítico atraso nos preparativos dos Jogos.

Tendo em vista este contexto e pressionado por inúmeras federações esportivas internacionais, o presidente do COI, Thomas Bach, preocupado com o atraso nas obras e temendo que estas prejudiquem as instalações dos Jogos, anunciou, recentemente, uma série de medidas emergenciais no intuito de remediar esta situação, o que, em outras palavras, significa que o COI irá assumir o papel principal na coordenação dos esforços para realização das “Olimpíadas Rio 2016”, segundo o divulgado pelo próprio Bach. Em adição, afirma Bach que tais medidas não serão, de forma alguma, impostas ao “Governo do Rio de Janeiro”, haja vista que já foram devidamente informadas ao prefeito da cidade, Eduardo Paes, que se mostrou amplamente favorável a estas.

Dentre as medidas a serem anunciadas pelo COI, destacam-se a criação de uma “Comissão de Alto Nível”, comandada pelo COI, composta por representantes do Governo brasileiro, por membros do “Comitê Organizador Local” (COL) e por dirigentes do COI; a contratação de um profissional com experiência em construções, de forma que este possa monitorar, diariamente, os progressos das obras de infraestrutura a serem realizadas na cidade, as quais se encontram bastante atrasadas; e, atendendo ao pedido das federações esportivas internacionais, haverá um maior acompanhamento, por parte destas, dos preparativos para as “Olimpíadas do Rio”, seguindo o expediente adotado na organização dos “Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi”.

Cabe ressaltar que, de forma bastante diplomática, o COI, por meio de um porta-voz, negou que a adoção de tais medidas fosse uma espécie de intervenção na organização dos Jogos, mas sim uma oferta de experiência visando assegurar que os “Jogos Olímpicos Rio 2016” possam ser realizados sem mais problemas, garantindo não haver nenhum “Plano B” para estes. Em adição, em nota divulgada à imprensa, justificando as medidas adotadas, o COI afirma: “acreditamos que o Rio de Janeiro possa e irá entregar Jogos excelentes se ações apropriadas forem tomadas agora. Há um forte compromisso de ambos os lados para tornar os Jogos do Rio um sucesso. As medidas aprovadas têm por objetivo apoiar os organizadores locais, colocando à disposição a experiência de organizadores anteriores[1].

Na visão de especialistas, tais medidas adotadas pelo COI chegaram com bastante atraso pois, apesar de o Brasil possuir capacidade técnica para execução do projeto, faltou um adequado planejamento, haja vista que desde 2009 já se sabia que em 2016 o “Rio de Janeiro” seria sede dos Jogos. Outrossim, importante destacar que com estas novas medidas adotadas pelo COI, os custos dos Jogos certamente aumentarão, visto que, a partir de agora, por pressão do COI, o COL irá disponibilizar maior número de trabalhadores, equipamentos e recursos no intuito de acelerar o andamento das obras, especialmente nas instalações que apresentam os maiores problemas: o “Parque Olímpico de Deodoro”; o “Parque Olímpico da Barra”; e o “Estádio Olímpico do Engenhão”.

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ImagemRio 2016, sucesso ou ilusão?” (Fonte):

http://www.dw.de/segurança-e-transporte-são-maiores-desafios-para-rio-2016/a-16166041

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/coi-indica-força-tarefa-para-acompanhar-obras-no-rio-de-janeiro/a-17560200

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Ver também:

http://www.dw.de/intervenção-do-coi-na-rio-2016-chega-atrasada-dizem-especialistas/a-17562193

Ver também:

http://www.dw.de/coi-indica-força-tarefa-para-acompanhar-obras-no-rio-de-janeiro/a-17560200

Ver também:

Jornal o Globo. Caderno Rio. Páginas 12, 13 e 14. Edição de 11 de Abril de 2004. Rio de Janeiro.

About author

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.
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