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A primeira visita a Washington do Rei Salman Bin AbdulAziz Al Saud, sucessor de Abdullah na Casa de Saud, trouxe mais perguntas do que respostas. As dúvidas permeadas ao longo da negociação, sobre a aproximação e o sucesso até aqui testemunhado no Acordo sobre Programa Nuclear Iraniano, alcançaram um patamar mais complexo, uma vez que os Estados Unidos não podem mais adotar parâmetros estratégicos em política externa, no cerne das discussões do Médio Oriente, sem alinhar previamente sobre questões chaves com Riad.

Nesse sentido, a visita do Rei Salman na última sexta-feira, dia 4 de setembro, trouxe interpretações mais francas quanto à “liderança” desejada pela monarquia, ou seja, uma mensagem em que o conceito de liderança estadunidense será apoiado através de preceitos de suporte as posições tomadas pelos sauditas. Por essa medida, os questionamentos ainda sem respostas cruzam a linha do apoio tácito às negociações do P5+1 com o Irã. Há visões antagônicas difundidas por especialistas e membros do alto escalão em Washington de que Riad trava uma batalha diplomática de bastidores contra essa aproximação ocidental, evitando assim confrontação pública com os Estados Unidos.

Entretanto, há interpretações de que o Acordo Nuclear alcançado com Teerã não é prioridade imediata para Riad. A Arábia Saudita ainda deseja um Irã como pária internacional, evitando o reequilíbrio de forças na região, pois, caso contrário, abriria precedente para uma corrida armamentista no grau de projeto nuclear, através do desenvolvimento científico paquistanês.

Ainda dentro desses limites, receber o novo monarca saudita significaria restabelecer os tradicionais laços que estavam fragilizados na era de Abdullah com Obama e, assim, ter automaticamente uma abordagem mais alinhada aos interesses em relação à Síria, ao Iêmen e à venda de armas.

No plano conjuntural de viés saudita, a prioridade para o Rei é ganhar a guerra em Saana, retratada como resposta à subversão e agressão iraniana. Essa política é parte da Doutrina Salman que enfatiza a autossuficiência em segurança. O Reino adotou uma forma mais agressiva e definitiva sem depender a todo tempo da liderança dos Estados Unidos. Tal premissa liga Estados sunitas contra inimigos xiitas, revela uma robustez em comparação com uma abordagem de aversão a riscos e dependente de resposta estadunidense. Todavia, sua visita é importante por um caráter tático, para pressionar por mais apoio logístico e de inteligência para o conflito, assim como para continuar com vistas grossas em relação às atrocidades em direitos humanos.

Por fim, o encontro da última sexta-feira (dia 4) traz à luz da discussão a oportunidade dos dois líderes superarem as lacunas estratégicas entre os dois Estados no que tange ao modelo geopolítico do Oriente Médio com o advento de uma nova força surgindo: o Irã. A tradicional parceria bilateral tende a sofrer se o interesse de ambos for ofuscado por questões pontuais, fato este que culminaria em mais instabilidade em uma região com poucos recursos diplomáticos para soluções de controvérsias.

A Casa Branca tem como prerrogativas nesse encontro comprometer-se em assegurar a estabilidade regional, responder a quaisquer eventualidades, bem como compromissos com Arábia Saudita e outros Estados do Conselho de Cooperação do Golfo(CCG), através do fornecimento de armas para manter a balança de poder favorável ao CCG, bem como a manutenção do aparato militar no Golfo.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/image/0,,18694758_303,00.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.politico.com/magazine/story/2015/09/mag-saudi-gordon-213101?o=0

Ver:

http://csis.org/publication/president-king-salman-and-gulf-between-them

Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2015/09/saudi-king-salman-washington-visit.html#

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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