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Os Ataques de Israel à Síria: novos cenários no “Oriente Médio”

A Síria é um país pequeno e sem grandes riquezas naturais ou econômicas, mas tem importância estratégica quanto às suas fronteiras e é vital para a estabilidade do “Oriente Médio”. Há mais de dois anos, enfrenta um conflito interno, onde há rebeldes que dedicam-se à queda do atual regime político. Mas, nos últimos dias, o Regime passa por uma dupla solicitação que envolve a luta interna pela sua permanência no poder e os três ataques desferidos por Israel, que deixaram mortos e feridos entre militares e civis. A situação atual faz emergir a possibilidade de novos cenários na região pois, para o Governo sírio, o conflito já atravessou as fronteiras nacionais.

No último final de semana, Israel bombardeou três posições militares sírias: um centro de investigação militar em Jamraya; armazéns de armamento situados em Mislon e o aeródromo Sherai[1]. Segundo Israel, não ocorreu intervenção no conflito sírio, pois os bombardeamentos tiveram por objetivo a destruição de mísseis iranianos “Fateh-110” destinados ao Hezbollah, importante aliado do  regime comandado por Bashar Al Assad.

Especialistas apontam que proximidade entre a Síria, o Hezbollah e o Irã é motivada em especial pelo fato de que a primeira, embora tenha maioria sunita em sua população, congrega o poder nas mãos da família Assad que, juntamente com a elite do regime, pertencem à seita alauíta, um ramo do xiismo, o que facilitou a aproximação com o Hezbollah e, também, com o Irã, após a “Revolução Islâmica de 1979[2].

Ante a opacidade da situação atual, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, demonstra preocupação em relação aos ataques da Força Aérea israelense na Síria e pede calma para evitar a escalada num conflito que ele consideradevastador e perigoso”, pedindo, também, respeito pela soberania nacional e territorial de todos os países da região[3]. Segundo informações divulgadas pela governo Assad, a resposta síria não será imediata, mas virá no tempo certo. A alegação é de que, neste momento, Israel está em estado de alerta.

Há um clima de apreensão entre os dois países e aumentam as tensões na região, pois surgem outras hipóteses, ainda indefinidas, quanto ao desenvolvimento de um conflito que, para a Síria, segundo analistas, já não é apenas um conflito interno. Isto porque ele pode ganhar uma dimensão maior, podendo haver, também, a interferência de outros atores, tanto regionais quanto forâneos (forasteiros), o que, a acontecer, ampliará a dimensão desta crise no “Oriente Médio”.  

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Imagem (Fonte):

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/live-blog-israel-launches-second-syria-strike-in-two-days-sources-say-1.519250

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://elpais.com/diario/2011/03/27/internacional/1301180407_850215.html

[2] Ver:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/93777-siria-israel-venganza-guerra

[3] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=44829&Cr=Syria&Cr1=#.UYar_mC5fIV

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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