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Os esforços jordanianos contra o Estado Islâmico

Na semana passada, em entrevista ao canal de notícias Fox News[1], o Rei Abdullah II, da Jordânia, declarou que o país está em guerra com os “fora da lei do Islã[2], em uma referência ao Estado Islâmico (EI)[2]. “Nós somos no momento o único país árabe operando na Síria ao lado dos Estados Unidos[1][2] – afirmou, chamando a atenção para o papel chave que a Jordânia tem desempenhado como aliado do ocidente – “[e] o único país árabe operando ao lado […] das forças de coalizão [no Iraque]”[1][2]. Abdullah ainda acrescentou: “eu não posso entrar em detalhes, mas há outras coisas em jogo quando se trata da Síria[1][2].

No último dia 15 de abril, o jornal alQuds alArabi[3] noticiou que a Jordânia está prestes a lançar uma nova estratégia de segurança chamada “Defesa em Profundidade*, que incluirá operações em territórios sírio e iraquiano. De acordo com o jornal[3], ideia vem sendo mencionada entre a elite política jordaniana há algum tempo e a discussão recente do plano entre o Rei Abdullah e parlamentares sugere que o Rei pretende seguir em frente[2].

Em dezembro do ano passado (2014), o Estado Islâmico capturou o piloto jordaniano Muath alKasasbeh e exigiu que a Jordânia se retirasse da coalizão contra o grupo extremista, bem como a soltura de 56 prisioneiros detidos em Erbil e Bagdá, além de Sajida alRishawi, mulher-bomba que tentou explodir um hotel em Amã, em 2005[4]. Em 3 de fevereiro, após longas negociações, cujos detalhes permanecem escassos, o EI postou um vídeo online mostrado o piloto Kasasbeh sendo queimado vivo[4][5].

Após o ocorrido, a Jordânia aumentou seu nível de envolvimento na coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico[2]. Em fevereiro, a força aérea jordaniana começou a realizar seus primeiros ataques aéreos contra Estado Islâmico[6].

Além disso, em março, o PortaVoz do Governo da Jordânia, Mohammed alMomani, afirmou que seu país iria passar a treinar forças rebeldes sírias, como parte da luta contra o EI[7]. Já desde o ano passado, a Jordânia vem servindo de base ao treinamento de rebeldes sírios por instrutores britânicos e franceses[8], em iniciativa financiada pelos Estados Unidos, com 500 milhões de dólares e incluindo também postos de treinamento na Turquia, Arábia Saudita e Qatar[7].

Outros esforços jordanianos, visando conter um possível avanço do EI sobre seu território, incluem o rastreamento de simpatizantes do grupo extremista, por forças de segurança internas, e mesmo uma parceria com a Chechênia, em que a Jordânia iria prover financiamento para infraestrutura chechena em troca de informações sobre chechenos ligados ao EI e da deportação de chechenos capturados na Jordânia[9]. Ainda, em junho do ano passado, o Governo jordaniano estendeu sua legislação antiterrorista, criminalizando aqueles que demonstram apoio ao EI online[10].

Enquanto o especialista David Rothkopf[11] argumenta que uma ofensiva do EI sobre a Jordânia representaria o cruzar de uma linha vermelha que poderia, dentre outras coisas, forçar o envolvimento americano, como mencionado em nota analítica passada[12], parece que a crescente ameaça do grupo extremista vem provocando reações cada vez mais intensas por parte do próprio Governo da Jordânia

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* Originalmente, “الدفاع بعمق”.

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Imagem Soldados jordanianos guardam a fronteira com a Síria” (Fonte):

http://www.theguardian.com/world/2013/mar/08/west-training-syrian-rebels-jordan

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.foxnews.com/politics/2015/04/13/jordan-king-abdullah-ii-says-airstrikes-increasing-inside-syria-and-iraq/

[2] Ver:

http://carnegieendowment.org/syriaincrisis/?fa=59840

[3] Ver:

http://www.alquds.co.uk/?p=327183 [Árabe]

[4] Ver:

http://carnegieendowment.org/syriaincrisis/?fa=58964

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-31121160

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-31153217;

Ver Também:

http://www.theguardian.com/world/2015/feb/09/jordan-says-it-has-carried-out-56-air-strikes-against-isis

[7] Ver:

http://www.foxnews.com/world/2015/03/23/jordan-says-it-will-take-part-in-training-syrian-rebels-to-fight-against/

[8] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/mar/08/west-training-syrian-rebels-jordan

[9] Ver:

http://foreignpolicy.com/2014/07/02/no-time-to-study-options-for-jordan/

[10] Ver:

http://time.com/3721793/jordan-fight-against-isis/

[11] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/06/30/the_real_red_line_in_the_middle_east_jordan_isis_islamic_state_iraq_syria

[12] Ver:

https://ceiri.news/isis-declara-califado-islamico-partir-da-siria-e-iraque/

About author

Mestre em Segurança Internacional pela Paris School of International Affairs, Sciences Po, com especialidade em direitos humanos e Oriente Médio. Especialista em Ajuda Humanitária e ao Desenvolvimento pela PUC-Rio. Bacharel e licenciado em História pela UFF. Atualmente, atua como pesquisador da ONG palestina BADIL Resource Center, e possui experiência de campo na Cisjordânia. Escreve para o CEIRI Newspaper sobre crises humanitárias, violações de direitos humanos e fluxos migratórios e de refugiados.
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